Silvano Alves: tricampeão se emociona com filha em Barretos | G1
Depois de anos longe da Festa do Peão, brasileiro que fez história no rodeio acompanha Raniely Alves, de 17 anos, em prova cronometrada de laço. "Fruto do que a gente ama", diz.
Silvano Alves conhece bem a sensação de entrar em uma arena com um sonho para perseguir. Tricampeão mundial da montaria em touros, ele construiu uma carreira de sucesso nos Estados Unidos depois de um começo marcado por dificuldades no Brasil.
Agora, aos 38 anos, vive a experiência do outro lado da cerca.
Depois de anos longe da Festa do Peão de Barretos (SP), Silvano voltou ao maior rodeio da América Latina acompanhado da família. Desta vez, não para montar, mas para torcer pela filha, Raniely Alves, de 17 anos, que compete no breakaway roping.
Para Silvano, acompanhar a filha justamente em Barretos faz o passado e o presente se encontrarem.
“Hoje eu estou aqui trazendo minha família. E isso aí eu acho que é tudo fruto da dedicação, da garra, da determinação, do sacrifício, do que a gente ama, do esporte do rodeio.”
Raniely Alves e o pai, Silvano Alves, tricampeão mundial da montaria em touros — Foto: Érico Andrade/g1
Raniely já conhecia Barretos, mas guardava poucas lembranças. Ainda pequena, esteve na festa acompanhada da mãe. Agora, voltou como competidora.
“Estou achando muito legal, muito diferente de lá. Muito povão, muito legal”, diz.
O breakaway roping é uma prova de velocidade. A competidora parte montada a cavalo atrás de um bezerro e precisa laçá-lo. A corda fica presa à sela por um fio e se rompe quando o animal se afasta, interrompendo a contagem do tempo. Vence quem completar a prova mais rapidamente.
“O breakaway é tipo um laço de bezerro. As meninas laçam, a corda estoura e para o tempo. É o tempo mais rápido que ganha”, resume Raniely.
Peoa durante final do Breakaway, modalidade feminina de laço, na Festa do Peão de Barretos 2025 — Foto: Érico Andrade/g1
Se o sobrenome carrega uma história importante na montaria em touros, Raniely encontrou no breakaway uma maneira própria de permanecer no universo do rodeio.
Ao ser questionada sobre como é seguir os passos do pai, ela brinca com a diferença entre as modalidades. “Só não monto em boi.”
Fora isso, a influência de Silvano aparece em praticamente toda a rotina esportiva da jovem.
“Ele vai comigo em todas as minhas provas. É muito bom. Agradeço muito a Deus por ter ele ao meu lado, porque sem ele eu não ia estar onde eu estou.”
A função não é totalmente nova para Silvano. Atualmente, ele atua nos Estados Unidos como assistente técnico do Nashville e trabalha na preparação de competidores da montaria em touros.
“Hoje trabalho com os meninos, sempre proporcionando [oportunidades para] meninos novos, ajudando os meninos. E não só dos meus times, mas dos outros quando pedem ajuda.
Tricampeão mundial de montaria em touros, Silvano Alves — Foto: Érico Andrade/g1
Em entrevista ao g1, Silvano foi além ao lembrar do começo da trajetória. “Para mim é um filme na cabeça.”
Ele contou que chegou de ônibus em uma das primeiras passagens por Barretos e ficou debaixo dos eucaliptos. Anos depois, retorna ao mesmo lugar em uma situação completamente diferente: com uma carreira internacional construída e os filhos seguindo caminhos dentro do rodeio.
O tricampeão também relembrou que a trajetória até chegar ao topo exigiu sacrifícios e destacou o papel da família durante o processo.
“Só tenho que agradecer a Deus, minha família, que sempre me apoiou. Toda essa história é uma trajetória sacrificosa, mas, quando a gente tem Deus primeiramente e a família apoiando, dá tudo certo. E hoje estou aqui trazendo minha filha, meu filho. É muito gratificante.”
Quando questionado se os sacrifícios valeram a pena, a resposta veio rápida. “Valeu muito a pena. E vale muito ainda.”
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