Sobrevivência de cordeiros no RS: como evitar perdas no frio e chuva | G1
Com até 30% de mortalidade nas primeiras 72 horas, produtores reforçam cuidados durante a temporada de nascimentos. Monitoramento começa ainda na gestação.
Em períodos de frio e chuva, o nascimento de um cordeiro marca o início de uma corrida silenciosa contra o relógio . Nas primeiras horas de vida, cada minuto conta: levantar, encontrar a mãe e se alimentar podem fazer a diferença entre sobreviver ou não.
No Rio Grande do Sul, onde boa parte dos partos ocorre justamente durante os meses mais frios do ano , o desafio aumenta. Com a influência do El Niño e períodos de chuva mais frequentes, os produtores têm redobrado a atenção para proteger os animais recém-nascidos.
Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), entre 15% e 30% dos cordeiros podem morrer nas primeiras 72 horas de vida . As condições climáticas estão entre os fatores que aumentam o risco de mortalidade dos animais recém-nascidos.
"Quando ocorrem esses nascimentos em períodos muito chuvosos, sem dúvida esses cordeiros se gelam muito rapidamente, mais tempo demoram para levantar e para procurar a mãe", explica o inspetor técnico da Arco, Daniel Rocha.
Para reduzir as perdas , os cuidados começam antes mesmo do parto . Uma das medidas adotadas é a esquila pré-parto , com a retirada da lã das ovelhas gestantes . A prática facilita a locomoção das matrizes em busca de alimento e também influencia o comportamento após o nascimento dos filhotes.
"Essas ovelhas sentem frio e precisam buscar um abrigo e juntamente consigo levam os cordeirinhos que recém nasceram para os abrigos, então tendo uma maior taxa de sobrevivência", afirma Rocha.
Em uma propriedade rural de Bagé , a preparação segue quase um cronograma. Cada ovelha é identificada e acompanhada individualmente , permitindo que a produtora saiba com antecedência quando os partos devem acontecer.
"A gente faz já a notificação, a data da cobertura. Quando foi coberta, a gente já anota. Então, quando elas vêm para dar cria, a gente já sabe a época que vão dar cria", conta a produtora Ana Cândida.
Quando a data se aproxima, as futuras mães são transferidas para áreas mais próximas da casa . Dessa forma, os nascimentos podem ser acompanhados de perto.
Atualmente, cerca de 230 ovelhas estão em fase de gestação na propriedade. A expectativa é chegar a aproximadamente 250 cordeiros na temporada. Entre os nascimentos, os casos de gêmeos são frequentes na propriedade.
"A gente tem um bom índice de gêmeos. Com todo esse manejo, a gente consegue salvar os cordeiros. A nossa perda é pouca, insignificativa", diz a produtora.
Ovelhas no RS — Foto: Reprodução/ RBS TV
Topics in this story
Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.