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Tuesday, September 22, 2026

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Passageiros denunciam calor nos ônibus do transporte público de Boa Vista: 'forno de metal' | G1

Falta de ar condicionado agrava o calor dentro dos ônibus porque as janelas ficam travadas e impedem a circulação do ar externo. Prefeitura disse que vai notificar empresa. Concessionária, por sua vez, afirmou que faz manutenção diária na frota.

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Passageiros que andam nos ônibus do transporte público de Boa Vista denunciaram ao g1 que têm enfrentado calor durante o deslocamento no dia a dia em razão da falta de ar-condicionado nos veículos. As reclamações incluem ainda janelas travadas e veículos com estrutura ruim.

As reclamações sobre a frota são de passageiros que andam as linhas 401 , com destino ao Cruviana , 112 , que faz a rota do Caçari ao Equatorial , e 104 , que faz viagens entres os bairros União e Cidade Satélite .

O transporte público da capital é de responsabilidade da Prefeitura de Boa Vista , por meio da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Habitacional ( Emhur ). O serviço é operado pela empresa Cidade de Boa Vista Transportes Urbanos Ltda .

Em nota, a prefeitura informou que comunicará oficialmente a empresa responsável e solicitará a adoção das providências necessárias para a melhoria dos serviços prestados à população.

A babá Swayne Duarte , de 37 anos, usa os ônibus do transporte público todos os dias para ir ao trabalho e voltar para casa. Ela utiliza o serviço há 20 anos e conta que a falta de climatização cria um efeito estufa dentro dos veículos, principalmente no período da tarde.

"De manhã é até razoável a questão do calor, mas a qualidade dos ônibus está péssima. Muitos sem ar-condicionado e com as janelas travadas, e isso complica no período da tarde", afirmou. Ela acrescentou ainda que já viu pessoas passarem mal por conta da quentura .

"Já ocorreu de algumas mulheres passarem mal a ponto de terem que descer do ônibus e preferir pegar um lotação por conta do calor".

Procurada, a empresa Cidade de Boa Vista disse que "recebe e acompanha os relatos apresentados pelos usuários e esclarece que cada ocorrência é tratada individualmente, sendo realizada a apuração e a adoção das providências necessárias."

A manutenção da frota é realizada diariamente, seguindo um cronograma de manutenções e revisões preventivas. Além disso, sempre que um veículo apresenta qualquer tipo de problema ou falha que possa comprometer sua operação, o ônibus é imediatamente recolhido à garagem para avaliação e correção, sendo substituído por outro veículo para garantir a continuidade do serviço

🌡️ As reclamações sobre o calor enfrentado pelos passageiros ocorrem em meio às altas temperaturas causadas pelo El Niño que têm se intensificado e podem ser as mais quentes desde 1950 . Até outubro, a previsão é de calor acima da média histórica em Roraima. Para Boa Vista, a previsão para setembro indica marcas entre 27 °C e 35 °C, conforme o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Entenda : O El Niño é um fenômeno meteorológico e climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno deve tem ganhado força neste segundo semestre e deve persistir até o início de 2027 . Em Roraima, pode impactar em períodos mais quentes e secos , alterar o regime de chuvas e aumentar o risco de incêndios florestais .

Passageiros em ônibus sem ar-condicionado em Boa Vista, capital de Roraima — Foto: Luiz Vinícius Quadros/Rede Amazônica

A percepção de calor se repete entre outras passageiras. Há quase dez anos utilizando os ônibus, a estudante universitária Letícia Nepomuceno , de 27 anos, afirma que a qualidade do serviço piorou nos últimos anos.

Ela afirma que a falta de ar-condicionado agrava o problema porque que as janelas ficam travadas e impedem a entrada de ventilação externa.

"A experiência nesse calor extremo está sendo horrível, ônibus que não funciona o ar-condicionado e as janelas estão fechadas e são impossíveis de abrir, transformando o ônibus em um grande forno de metal", relatou.

Segundo Letícia, o calor tem impactos não só na rotina, mas também na saúde. "Enfrentar o calor extremo em um grande forno tem gerado muito desconforto, crises de dores de cabeça e queda de pressão arterial", contou.

Além do calor, passageiros também relatam problemas de conservação e segurança nos ônibus. O estudante Kayke Areb, de 22 anos, usa o transporte público desde que era adolescente. A rota que ele pega todos os dias é a que vai até o Senador Hélio Campos , na zona Oeste.

Ônibus do transporte coletivo no terminal do Centro de Boa Vista — Foto: Luiz Vinícius Quadros/Rede Amazônica

Kayke diz que reconhece avanços pontuais no serviço, mas reclama que a qualidade dos ônibus ainda é pouca para a região onde mora.

"Raramente ônibus de boa qualidade circulam pela minha zona, pois quase sempre pego ônibus velhos, com janelas abertas e quebradas e chão e assentos bem precários e sujos", contou.

Outro problema mencionado por Kayke é a falta manutenção dos veículos. Como exemplo, citou que nos ônibus que pega os botões de alarme de desembarque não funcionam.

"Alguns fios e botões de alarme de desembarque não funcionam. Em alguns momentos, é necessário gritar com motorista para ele parar e desembarcar as pessoas", afirmou.

Ele também relata problemas relacionados à segurança dos passageiros. Em uma viagem recente, conta que foi coagido por outra pessoa a pagar a própria passagem, sem que o motorista interviesse na situação.

A estagiária da área de Pedagogia, Jully Maria Baré Ferreira , de 21 anos, que usa o transporte público há quatro anos, afirma que a qualidade dos ônibus varia conforme a linha. Como é estudante, ela não paga a passagem, mas considera que o serviço deveria oferecer melhores condições aos passageiros que pagam.

"Como estudante não pago a passagem, então não reclamo tanto. Mas se eu pagasse R$ 5,50 todo dia, não acharia justo", comentou "Pagando esse valor todo dia, dependendo de quantos ônibus tem que pegar, era pra ele estar nas mínimas condições de conforto, pelo menos com o ar-condicionado funcionando, bem preservado".

Atualmente, a tarifa do transporte público de Boa Vista é de R$ 5,50 . Estudantes têm gratuidade no serviço.

O valor da passagem é o mesmo desde abril de 2025 , quando a Prefeitura decidiu manter a tarifa sem reajuste até que a concessionária opere com 100% da frota climatizada e idade média máxima de seis anos. A decisão foi tomada pelo Conselho Municipal da Cidade de Boa Vista (Comcid-BV). Na época, a concessionária havia pedido que a tarifa subisse para R$ 10,21 .

Em nota ao g1 , a empresa A Cidade de Boa Vista Transportes Urbanos Ltda informou que iniciou a operação do transporte público coletivo de Boa Vista em 2010, há 16 anos.

Atualmente, a empresa afirma que a frota é composta por 81 ônibus , que atendem, em média, 34 mil passageiros por dia . Segundo a concessionária, 12 dos veículos não possuem sistema de climatização.

A empresa afirma que esses ônibus são destinados à reserva operacional e utilizados conforme a necessidade. Também informou que os veículos estão previstos para substituição dentro do plano de renovação da frota e que a empresa está em processo de aquisição de novos ônibus.

"Esclarece que mantém acompanhamento permanente dos parâmetros estabelecidos para a prestação do serviço e vem promovendo a renovação gradual de sua frota", disse.

Sobre os relatos de passageiros sobre os ônibus sem climatização, janelas travadas e alarmes de desembarque sem funcionamento, a empresa afirmou que acompanha as reclamações e que cada ocorrência é analisada individualmente.

De acordo com a concessionária, os ônibus são inspecionados diariamente. "Sempre que retornam à garagem, são submetidos a checklist operacional para identificação de eventuais necessidades de manutenção", destacou.

*Estagiário sob supervisão e edição de Valéria Oliveira, do g1 RR

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