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Crises no Amazonas: raio-x do colapso na saúde ao caos climático | G1

Estado enfrentou falta de oxigênio durante a pandemia, cheia histórica em 2021, secas recordes e queimadas que afetaram a saúde e a rotina da população.

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Seca do Rio Negro em 2026 - Manaus — Foto: Sara Rangel

O Governo do Amazonas decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias após a seca extrema isolar mais de 600 comunidades no interior e acidentes fluviais causarem a perda de remédios e cilindros de oxigênio medicinal. Ao mesmo tempo, Manaus voltou a registrar os piores índices de qualidade do ar do Brasil devido à fumaça de incêndios florestais, problema que também afeta municípios no interior.

O cenário atual reforça um histórico recente de eventos extremos que atingem o estado. Em um intervalo de cinco anos, a população amazonense enfrentou a crise de falta de oxigênio na pandemia de Covid-19, a maior cheia da história do Rio Negro, secas severas consecutivas e recordes de queimadas que encobrem cidades inteiras.

O g1 preparou um raio-x dos principais episódios dessa sequência de crises. Veja abaixo:

Crise do oxigênio provocou colapso na saúde em 2021

Em janeiro de 2021, Manaus viveu um dos momentos mais graves da pandemia de Covid-19. O avanço da segunda onda da doença provocou um aumento expressivo nas internações e levou o sistema de saúde ao colapso, com a falta de oxigênio medicinal nos hospitais.

No pico da crise, o consumo diário do insumo chegou a 76,5 mil metros cúbicos, enquanto a capacidade de produção local era de 28,2 mil metros cúbicos por dia. A diferença deixou hospitais sem o abastecimento necessário para atender os pacientes.

Familiares e profissionais de saúde tentaram conseguir cilindros por conta própria , enquanto pacientes precisaram ser transferidos para unidades de outros estados . Mais de 500 pessoas foram removidas às pressas para receber atendimento fora do Amazonas.

O episódio também gerou disputas judiciais sobre a responsabilidade dos governos e das autoridades envolvidas na resposta à emergência. O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública do Estado pedem indenização de R$ 4 bilhões contra a União, o governo estadual e a Prefeitura de Manaus por supostas omissões e falhas de planejamento .

Imagens mostram crise do oxigênio durante pandemia em Manaus

Maior cheia da história atingiu mais de 455 mil pessoas

Cinco meses depois da crise do oxigênio, o Amazonas enfrentou outra emergência. Em junho de 2021, o Rio Negro atingiu 30,02 metros em Manaus, a maior marca desde o início das medições oficiais , em 1902.

A cheia afetou mais de 455 mil pessoas no estado. Na capital, a água invadiu ruas do Centro Histórico e atingiu locais como a Praça do Relógio e o prédio da Alfândega. A tradicional feira Manaus Moderna precisou transferir parte das atividades para uma estrutura flutuante.

Para permitir a circulação de pedestres nas áreas alagadas, foram construídos cerca de 13 mil metros de pontes e passarelas de madeira. O nível recorde do rio também evidenciou os impactos das cheias sobre a moradia, o transporte e a atividade econômica das populações ribeirinhas.

Seca histórica em 2023 isolou comunidades e agravou danos ambientais

Depois da cheia recorde, o estado enfrentou uma mudança extrema no regime dos rios. Em outubro de 2023, o Rio Negro chegou a 13,59 metros em Manaus, superando o recorde de seca registrado em 2010 e atingindo o menor nível em 121 anos de monitoramento, segundo os dados apresentados.

A estiagem afetou os 62 municípios do Amazonas, que decretaram situação de emergência. Mais de 600 mil pessoas foram impactadas pela falta de água e pelas dificuldades de transporte e abastecimento.

Com a redução do nível dos rios, extensos bancos de areia surgiram e a navegação ficou comprometida. Escolas rurais suspenderam atividades, e a praia da Ponta Negra, em Manaus, precisou ser interditada.

Casas flutuantes ficam "encalhadas" durante seca do Rio Negro, em Manaus. — Foto: Matheus Castro/g1

A seca também agravou o fenômeno conhecido como terras caídas, quando partes das margens dos rios desmoronam. Em Beruri, no interior do estado, o problema provocou destruição e atingiu comunidades.

O período também foi marcado por temperaturas elevadas. Em 2 de outubro de 2023, Manaus registrou 39,2 °C, uma das maiores temperaturas da série histórica mencionada para a capital.

Em 2024, seca bateu novo recorde e queimadas se espalharam

Em 2024, a estiagem voltou a atingir níveis extremos. Em outubro, o Rio Negro chegou a 12,11 metros em Manaus, superando a marca do ano anterior e estabelecendo um novo recorde de seca em mais de 120 anos de medições.

Mais de 800 mil pessoas foram afetadas em todo o Amazonas, segundo o governo do Estado. Os impactos chegaram ao transporte, ao abastecimento e à economia, com prejuízos estimados em mais de R$ 600 milhões.

A vegetação seca e as condições climáticas favoreceram a propagação de incêndios florestais. O Amazonas registrou mais de 25 mil focos de queimadas ao longo do ano, o maior número em 26 anos , conforme os dados atribuídos ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A fumaça se espalhou por diferentes regiões do estado e encobriu Manaus em diversos períodos . A poluição do ar passou a representar mais um problema para a população, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Fumaça das queimadas voltou a afetar Manaus em 2026

Em 2026, a fumaça voltou a comprometer a qualidade do ar em Manaus e em municípios do interior . Entre setembro e outubro, episódios de poluição foram associados a incêndios florestais na Região Metropolitana e em outras áreas do estado.

Os índices de qualidade do ar chegaram a níveis considerados ruins e perigosos em determinados períodos , com concentração elevada de partículas finas. Esses poluentes podem penetrar profundamente no sistema respiratório e agravar problemas de saúde.

Os efeitos chegaram à rotina da população. Aulas da rede municipal foram suspensas , eventos esportivos ao ar livre foram cancelados e unidades de saúde registraram atendimentos por problemas respiratórios.

A fumaça também reacendeu o debate sobre prevenção e combate aos incêndios, fiscalização ambiental e capacidade de resposta do poder público diante de emergências que se repetem a cada período de estiagem.

Fumaça cobre Manaus novamente neste sábado (17). — Foto: Alcides Neto

Seca de 2026 ameaça abastecimento de comunidades no interior

Além da fumaça, o baixo nível dos rios voltou a dificultar o acesso a comunidades do interior. Em outubro de 2026, o governo estadual decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias após a estiagem deixar mais de 600 comunidades isoladas.

Acidentes fluviais também provocaram a perda de medicamentos e cilindros de oxigênio medicinal , aumentando a preocupação com o atendimento de saúde em áreas de difícil acesso.

A medida busca organizar alternativas de transporte e garantir o fornecimento de insumos essenciais à população. O desafio é manter serviços básicos em funcionamento mesmo quando a redução do nível dos rios compromete a navegação.

Seca do Rio Negro, na Marina do Davi, em Manaus - 29 de outubro — Foto: William Duarte/Rede Amazônica

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Tuesday, November 3, 2026

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