IA e qualidade da água: tecnologia monitora rios no interior de SP | G1
Pesquisa desenvolvida na Unesp de Guaratinguetá usa dados da Cetesb e inteligência artificial para estimar informações que faltam nas análises e auxiliar no monitoramento dos rios.
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Guaratinguetá , utiliza inteligência artificial para estimar dados que faltam nas análises da qualidade da água dos rios do Vale do Paraíba, no interior de SP.
A tecnologia pode ajudar a manter o monitoramento mesmo quando algumas medições não são realizadas.
O estudo foi desenvolvido pelo engenheiro eletricista Wilson dos Santos Júnior durante o mestrado na universidade. Para treinar o modelo, ele utilizou dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), disponíveis no sistema Infoáguas, referentes ao período de 2013 a 2023.
A ideia surgiu, entre outros fatores, após a identificação de lacunas no monitoramento durante a pandemia de Covid-19, quando as equipes de campo tiveram dificuldades para realizar algumas medições.
“Você vai ser capaz de preencher essas lacunas e não perder esse controle do acompanhamento”, explicou Wilson.
Pesquisa desenvolvida na Unesp de Guaratinguetá utiliza inteligência artificial para ajudar a monitorar a qualidade da água dos rios do Vale do Paraíba. — Foto: Reprodução/Rede Vanguarda
O sistema utiliza dados anteriores para identificar padrões e estimar valores que não foram medidos. Entre os parâmetros considerados no cálculo do Índice de Qualidade da Água (IQA) estão temperatura, pH e presença de coliformes.
Nos testes, a previsão direta do índice apresentou erro inferior a 10%. Já a estratégia de estimar primeiro o parâmetro que estava faltando e, depois, calcular o índice apresentou erro médio aproximadamente duas vezes menor.
O pesquisador também aponta a possibilidade de combinar os dados de qualidade da água com informações sobre chuvas para entender melhor os impactos de períodos de seca ou de precipitações intensas nos rios.
A ferramenta não substitui as coletas e análises realizadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), mas pode ajudar no monitoramento da qualidade da água.
Segundo a professora Marcela Machado, do curso de Engenharia da Unesp de Guaratinguetá, que orientou o trabalho, a tecnologia utiliza dados já existentes para auxiliar nos cálculos e nas previsões.
“O que a gente fez é mais um modelo matemático para ajudar com os dados já existentes, que são coletados pela Cetesb. A gente só elaborou modelos para ajudar nos cálculos e nas predições”, afirmou.
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