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Sunday, September 20, 2026

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Intérpretes de Libras levam acessibilidade e emoção a grandes shows | G1

Júlia Rodrigues e Gil Werneck começaram a atuar com Libras em trabalhos voluntários em igrejas e hoje traduzem, em tempo real, letras, avisos e emoções de grandes shows na região de Bauru (SP).

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A música pode não ser ouvida, mas pode ser sentida e até vivida. Foi com essa sensação que a pedagoga Graciele de Cayres, que é surda, acompanhou o show da cantora Ana Castela em Bauru (SP), no dia 2 de agosto.

O sentimento foi possível pela presença de uma intérprete de Libras no palco, que permitiu que Graciele percebesse o ritmo, a vibração e a empatia da artista em um momento de inclusão.

Graciele de Cayres esteve presente no show da Ana Castela em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

"Quando eu cheguei lá e vi a interpretação em Libras, o movimento, a Ana Castela, e poder entender a sinalização, poder sentir a vibração e perceber a empatia dela com a sinalização, nossa, foi apaixonante", relata Graciele.

A experiência só foi possível graças ao trabalho da tradutora Júlia Rodrigues, que atuava no show como intérprete oficial. Ela compartilhou que o momento em que a cantora participou da interpretação em Libras foi marcante e especial para a comunidade surda que assistia ao espetáculo.

“A comunidade surda estava bem na minha frente. Eu virei um pouco de lado para a Ana Castela, para que ela conseguisse ver os sinais e sinalizasse diretamente para a comunidade surda”, explicou Júlia.

Ana Castela e Júlia Rodrigues interpretando em Libras durante show em Bauru — Foto: TV TEM/Reprodução

Júlia divide a interpretação em shows com Gil Werneck, também intérprete de Libras. Eles traduzem em tempo real as letras, os avisos e a energia das apresentações.

Para garantir essa conexão, a dupla utiliza expressões corporais e adapta os movimentos ao ritmo de cada estilo musical, transmitindo a emoção do espetáculo.

“Traduzir um show exige interpretar o sentimento de cada música por meio de expressões corporais e adaptações de ritmo, seja acompanhando a batida do funk ou a cadência do forró, mesmo quando não temos acesso antecipado às letras do repertório”, explicou Gil.

Para os profissionais, a presença da Língua Brasileira de Sinais nos palcos reafirma que a acessibilidade é um direito.

A conexão que fez a diferença na noite de Graciele é fruto de caminhos que se cruzaram por acaso, mas que ganharam propósito na inclusão. Tanto Júlia quanto Gil tiveram contato com a Libras em trabalhos voluntários em igrejas.

Júlia Rodrigues e Gil Werneck, intérpretes de Libras — Foto: TV TEM/Reprodução

Para Júlia, o desejo de se aperfeiçoar veio quando ainda trabalhava como cabeleireira e não conseguiu se comunicar com uma cliente surda em seu dia de noiva. Segundo ela, foi o momento que a fez buscar especialização para garantir que pessoas surdas fossem atendidas e integradas em qualquer ambiente.

“Aquilo mexeu comigo. A partir daí, eu quis aprender, comecei a atuar com eles na igreja e isso sempre abrange outras áreas também”, completou Júlia.

Já para Gil, a atuação como intérprete e tradutor teve início na igreja que frequentava, ao conviver com pessoas surdas que não tinham acessibilidade no momento religioso. Segundo ele, essa relação o levou a começar uma especialização.

“Eu fui me preocupar em fazer um curso, me preparar para atender a comunidade surda para que eles sejam contemplados em todos os ambientes”, finalizou.

Essa entrega no palco garante que o público surdo vivencie o espetáculo com a mesma intensidade que os ouvintes. Para os profissionais, ver a emoção da plateia é a confirmação de que a acessibilidade cultural é um direito essencial, e não um favor.

O impacto dessa presença é reconhecido também por outros grandes nomes da música nacional. Com quase duas décadas de carreira, o cantor Luan Santana também contou com a participação dos intérpretes em show pela região de Bauru. Na ocasião, quem esteve presente no palco foi Gil.

Luan Santana em entrevista à TV TEM — Foto: TV TEM/Reprodução

Luan Santana reforçou em entrevista à TV TEM que a acessibilidade em eventos precisa ser prioridade e que a arte deve alcançar todos os públicos de forma igualitária.

“Eu acho que essa inclusão é sempre muito importante. A minha música sempre foi para todo mundo. Desde o começo da minha carreira, eu sempre quis cantar para todo mundo. E fico muito feliz de saber que estou num ambiente assim”, afirmou o cantor.

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