Chamado de 'vendido', ex-candidato à Presidência do Paraguai é expulso de protesto em meio à crise política | G1
Hostilizado na noite de quinta-feira (5), Paraguayo Cubas foi carregado e expulso das ruas por manifestantes em meio à crise bancária que levou à abertura de um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña.
O ex-candidato à Presidência do Paraguai Paraguayo Cubas , conhecido como Payo Cubas, foi hostilizado por manifestantes na noite de quinta-feira (5), em meio à crise política e bancária que atinge o país.
Vídeos que circularam no X, antigo Twitter, mostram o político sendo carregado e expulso das ruas por pessoas que participavam dos protestos. (Veja mais abaixo)
A reação também apareceu nas redes sociais.
Internautas ironizaram a recepção dada a Cubas e o acusaram de oportunismo. " Ele jurava que seria bem recebido ali", escreveu um usuário no X. Outro comemorou a expulsão do político, a quem chamou de vendido.
A hostilidade ocorre em um momento de forte insatisfação popular com a crise desencadeada pela liquidação do banco digital Ueno , que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos.
O escândalo atingiu o governo de Santiago Peña , que foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025 , e levou à abertura de um processo de impeachment contra o presidente.
Cubas, por sua vez, tem uma trajetória marcada por controvérsias .
Político de extrema direita e com discurso antissistema, ele ficou conhecido por declarações agressivas e episódios de violência durante sua passagem pelo Senado. Em 2019, perdeu o mandato após agredir um policial e fazer declarações contra brasileiros que vivem no Paraguai .
Em 2023, disputou a Presidência pelo partido Cruzada Nacional e terminou em terceiro lugar, com 23% dos votos, atrás de Peña, eleito com 43%, e de Efraín Alegre, que recebeu 27%.
Depois da derrota, contestou o resultado das eleições, alegou fraude sem apresentar provas e incentivou manifestações. Em maio daquele ano, foi preso preventivamente sob acusação de perturbação da tranquilidade pública.
A crise política no Paraguai começou após o Banco Central determinar, na terça-feira (3), a liquidação do banco digital Ueno.
A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
O fechamento ocorreu depois que a autoridade monetária identificou insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição.
O caso ganhou dimensão política porque o presidente Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até começo do ano passado.
A oposição acusa o governo de possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Também questiona a atuação do Banco Central na fiscalização da instituição.
Na quinta-feira (6), deputados aprovaram por unanimidade, com 78 votos, a abertura de um processo de impeachment contra Peña. O presidente chegou a anunciar sua renúncia, mas o Congresso não aceitou encerrar o processo dessa forma.
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Paraguayo Cubas, ex-senador e ex-candidato à Presidência do Paraguai, é arrastado nas ruas por manifestantes. — Foto: Reprodução/X
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