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SC tem 10 ataques de cães a animais marinhos em 2026 | G1

Maioria ocorreu no Sul do estado. Cachorros soltos em praias podem representar problema para fauna marinha.

· 1,085 words

Os indícios de que um filhote de elefante-marinho nascido em Santa Catarina morreu após ser atacado por cães acenderam um alerta para uma situação que pode ser um problema para a fauna marinha.

Neste ano, o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP) registrou pelo menos 10 casos de cachorros que feriram animais no litoral do estado (veja detalhes dos casos mais abaixo).

O coordenador-geral do PMP da Bacia de Santos (PMP-BS) de Santa Catarina e do Paraná, André Barreto, explicou que há tipos de lesões que indicam que os animais foram agredidos por cães.

"Os animais ficam com marca de dentes, ficam com hemorragia, tudo isso. Então se consegue ver que a morte foi por causa disso", resumiu.

Os cachorros soltos nas orlas também podem se tornar um problema para os próprios pesquisadores. Ele comenta, por exemplo, que monitores do PMP-BS já sofreram ataques em praias de Barra Velha , Itapoá e São Francisco do Sul .

"Em algumas praias de Santa Catarina, os nossos monitores não podem mais ir monitorar porque quando eles passam lá de quadriciclo, os cachorros atacam. A gente já teve mordida de cachorro nas pessoas", declarou.

O caso do filhote de elefante-marinho chamou a atenção pelo nascimento ser raro no estado, já que essa espécie geralmente se reproduz na Patagônia Argentina. Mas outros animais marinhos também podem ser atacados, conforme o coordenador.

Uma dessas espécies é o lobo-marinho, que se reproduz em colônias no Uruguai e na Argentina e migram para o Sul do Brasil. Geralmente, chegam fracos.

"A gente tem muito caso de filhotes que chegam e que a gente tem filmagem de cachorro atacando. A gente encontra os animais na praia e vê que eles foram atacados. Muitas vezes, desses que a gente já encontra na praia, a gente detecta as mordidas, mas não consegue ter uma certeza. Será que ele chegou morto e foi mordido depois ou chegou vivo e foi morto por causa das mordidas?", detalhou.

O projeto reconhece o lugar que os cães ocupam na sociedade, como animais de estimação, mas faz alertas.

"Por mais que a gente gosta de cachorro, são animais que a gente tem um carinho especial, deixá-los soltos no ambiente é um problema para o meio ambiente. Eles são pets quando estão com a gente, mas, quando estão soltos, eles formam uma matilha e atacam".

Veterinários aguardam laudo do filhote de elefante-marinho

O elefante-marinho nasceu em 26 de setembro em Jaguaruna , no Sul do estado, em um parto considerado raro e histórico, já que geralmente a espécie se reproduz na Patagônia Argentina.

Dois dias depois, a equipe do PMP-BS foi informada sobre a morte.

O coordenador-geral do PMP-BS de Santa Catarina e do Paraná, André Barreto, explicou que são duas fases de exames no corpo do animal.

"A gente tem um momento inicial em que é aquilo que o veterinário olha ali na hora e, durante a necropsia, ele pega as amostras e envia para laboratório. Quando chegarem esses resultados finais, a gente pode bater o martelo sem dúvida do que aconteceu. Antes de chegar esse resultado, a gente chama de um diagnóstico inicial".

Esse primeiro exame é que mostrou indícios de ataque de cães. Após a análise das amostras enviadas ao laboratório é que se terá certeza. Esse resultado pode demorar até 60 dias para ficar pronto.

Elefante-marinho nasceu no sábado (26) em Jaguaruna, no Sul de SC — Foto: PMP Bacia de Pelotas

SC registou ataques de cães do Norte ao Sul do estado

Confira abaixo mais informações sobre os casos de ataques de cães registrados:

19 de fevereiro - Praia do Ervino, São Francisco do Sul , Norte do estado

Pássaro atobá fêmea foi resgatado na praia. Havia pessoas e cães perto do animal. Quando as equipes foram colocar o animal na caixa de transporte, viram que ele estava com uma lesão no bico e na asa esquerda. Esse tipo de ferimento sugere que a ave tenha sido atacada por cães.

O atobá recebeu tratamento e foi solto três dias depois em outra praia.

Atobá ferido em praia de São Francisco do Sul — Foto: PMP-BS/Univille trecho 5/Divulgação

14 de junho - Praia da Pinheira, em Palhoça , na Grande Florianópolis, e Praia do Sol, Laguna , Sul do estado

Lobo-marinho foi encontrado debilitado na Praia da Pinheira, em Palhoça, e resgatado. Estava com uma ferida na parte frontal da cabeça. Ele passou por tratamento, recebeu identificação e foi solto na Praia do Sol, em Laguna.

Porém, quatro dias depois, foi encontrado morto na Praia do Sol. O animal era um macho jovem. Os tipos de lesões, no abdômen, sugerem que ele foi atacado por cães e teve perda de sangue significativa.

21 de julho - Praia do Mar Grosso, em Laguna

Lobo-marinho com lesões que sugerem que ele foi atacado por cães.

Lobo-marinho macho jovem foi encontrado morto. Teve extensa hemorragia.

24 de agosto - Praia da Barra em Garopaba , no Sul

Lobo-marinho foi encontrado descansando. Foi avaliado e deixado no local. Após a equipe de monitores sair do lugar, banhistas relataram que cães atacaram o animal.

Os socorristas voltaram e encontraram o lobo-marinho machucado. Ele foi resgatado e colocado em tratamento.

26 de agosto - Praia do Tabuleiro, em Barra Velha, Litoral Norte

Lobo-marinho foi encontrado descansando na praia. A área foi isolada e monitorada por quatro horas, sem alterações.

No dia seguinte, a equipe voltou ao local e o animal estava em um costão rochoso. Ele foi avaliado e foram identificadas lesões compatíveis com ataque de cães, principalmente na cauda, com exposição dos ossos. Também havia machucados no tórax e no olho direito.

O animal não resistiu e morreu. Em outros dois casos, a equipe decidiu por retirar animais da praia após ver cães por perto para evitar ataques.

3 de setembro - Praia do Porto Sul, Imbituba , no Sul do estado

Lobo-marinho foi encontrado com lesões que sugerem que ele foi atacado por cães.

Lobo-marinho foi encontrado morto. Tinha uma lesão na região do crânio e ferimentos nas nadadeiras direita e esquerda. O olho direito havia sido arrancado. Os tipos de lesões sugerem ataque de cães.

21 de setembro - Praia da Enseada, em São Francisco do Sul

Pinguim foi encontrado com lesão no crânio e olho esquerdo estava exposto. Estava fraco e com hipotermia. As lesões sugerem que foi atacado por cães. Morreu logo após atendimento.

Pinguim ferido em praia de São Francisco do Sul — Foto: PMP-BS/Univille trecho 5/Divulgação

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Friday, October 16, 2026

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