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Advogado Guilherme Menna Barreto Gentil tem prisão mantida em SP | G1

Guilherme Menna Barreto Gentil foi preso nesta terça-feira (20). Operação do Gaeco investiga saques suspeitos que superam R$ 12 milhões. Defesas negam irregularidades.

· 763 words

A Justiça decretou a prisão preventiva do advogado Guilherme Menna Barreto Gentil, preso em flagrante na terça-feira (20) em Ribeirão Preto (SP) , durante uma operação do Gaeco que investiga fraudes em milhares de ações em nome de idosos. Com a decisão, ele continua preso.

A decisão é do juiz Nemércio Rodrigues Marques, da Vara Regional das Garantias de Ribeirão Preto, e atendeu a um pedido do Ministério Público. Para o juiz, há indícios de que o advogado jogou um notebook e um celular pela janela do apartamento para impedir que os investigadores tivessem acesso aos dados.

Segundo a decisão, à qual o g1 teve acesso, solto, ele poderia apagar arquivos guardados na internet, combinar versões com outros investigados e influenciar testemunhas e clientes. O juiz também citou risco de fuga: o advogado tem visto válido para os Estados Unidos e esteve no país recentemente.

Na terça, o advogado Julio Mossin, que defende Guilherme, disse que o cliente não admitiu ter jogado os equipamentos, que ninguém é obrigado a produzir prova contra si e que não havia motivo para mantê-lo preso. O g1 procurou a defesa depois da decisão, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta reportagem.

Guilherme Menna Barreto Gentil — Foto: Reprodução/ redes sociais

Segundo a decisão, os policiais perceberam movimento dentro do apartamento, mas ninguém abriu a porta, e eles precisaram arrombá-la. Lá dentro, foram informados de que o advogado não estava, mas ouviram barulho vindo de um banheiro trancado.

Ao forçar a entrada, encontraram Guilherme perto de uma janela aberta. Havia um celular sobre o parapeito. Outro celular e um notebook foram achados danificados na cobertura da piscina do prédio, depois de uma provável queda do quinto andar.

O juiz reconheceu que ninguém viu o momento em que os aparelhos foram jogados. Para ele, porém, a sequência dos fatos é indício suficiente. Na avaliação do magistrado, a conduta não se resume ao direito de ficar em silêncio ou de não colaborar: f oi uma tentativa de atingir provas que a própria ordem judicial mandava apreender.

O flagrante foi feito com base na lei de organizações criminosas, que prevê pena de 3 a 8 anos de prisão para quem atrapalha a investigação desse tipo de crime.

A prisão preventiva não tem prazo fixo, mas precisa ser revista a cada 90 dias. O juiz apontou três motivos para decretá-la:

Proteger a investigação: ainda falta recuperar os dados dos aparelhos apreendidos e os guardados na internet, analisar movimentações bancárias e fiscais e ouvir centenas de possíveis vítimas. Solto, segundo a decisão, o advogado poderia apagar arquivos à distância, trocar senhas, esconder documentos e influenciar testemunhas e clientes.

Garantir a ordem pública: para o juiz, há indícios de um esquema organizado e de grande escala, com milhares de processos, créditos vendidos por menos do que valiam e saques concentrados em contas ligadas ao advogado.

Evitar a fuga: além do visto e da viagem recente aos Estados Unidos, o patrimônio dele ainda está sendo rastreado. Segundo o juiz, o risco de fuga aumentou depois da operação.

O juiz considerou que medidas mais leves, como tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar ou proibição de contato com outros investigados, não seriam suficientes. O argumento é que, se ele tentou se livrar de provas na frente dos policiais, não haveria garantia de que cumpriria regras menos rígidas.

Segundo o Gaeco, Guilherme ocupa posição central no grupo investigado pela Operação Libelo, em Ribeirão Preto e Altinópolis (SP). A investigação encontrou cerca de 1,3 mil processos ligados a ele em um dos sistemas do Tribunal de Justiça, centenas em outro e mais de 2 mil ações só em Altinópolis.

Chamados pela Justiça, vários autores das ações, muitos deles idosos, disseram não saber o que tinha sido feito em nome deles nem quanto dinheiro tinha sido liberado. Em processos consultados pelo g1, créditos de idosos foram comprados por menos de 20% do que valiam, e o pedido de saque indicava a conta pessoal do advogado.

Advogados são investigados por esquema de fraude em ações em nome de aposentados e pensionistas na região de Ribeirão Preto — Foto: Kaique Castro/EPTV

A investigação apura estelionato, fraude eletrônica, falsificação de documento, falsidade ideológica, apropriação indébita e organização criminosa. Os investigados ainda não foram denunciados à Justiça.

“Em momento algum, ele cometeu fraude, em momento algum, ele se apropriou de valor de cliente”, disse Julio Mossin na terça-feira (20).

Investigados ou alvos de medidas nas operações Libelo e Garatéia, do Gaeco, em Ribeirão Preto, Altinópolis e Franca (SP) — Foto: Reprodução OAB e Redes Sociais

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Wednesday, November 4, 2026

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