El Niño segue ganhando força e chance de ser o mais forte desde 1950 chega a 83%, diz agência climática dos EUA | G1
Fenômeno continua se fortalecendo no Pacífico e deve atingir o pico nos próximos meses. Agência dos EUA atualizou nesta quinta-feira as chances de um evento de intensidade histórica.
O El Niño ganhou mais força no Oceano Pacífico e continua a caminho de atingir seu pico nos próximos meses.
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) atualizou nesta quinta-feira (8) a previsão para a intensidade e a duração do fenômeno.
Segundo a agência, o fenômeno deve continuar se fortalecendo até o fim do ano e se manter entre forte e muito forte até o período de janeiro a março de 2027 , com mais de 83% de chance.
A NOAA também calcula em 83% a chance de este El Niño se tornar o mais forte já registrado pela agência desde 1950 entre outubro e dezembro.
No boletim anterior, divulgado em 10 de setembro, essa probabilidade era de 75% . Na época, a agência já dizia que havia mais de 90% de chance de o fenômeno atingir uma intensidade muito forte .
🌊 Entenda: O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial.
Os dados divulgados nesta quinta mostram também que o aquecimento do Pacífico Equatorial continuou aumentando.
Na região Niño 3.4 , uma das principais áreas usadas pelos cientistas para acompanhar o El Niño, a temperatura ficou 2,1°C acima da média em setembro. Em agosto, a diferença era de +1,8°C .
A região é uma das referências usadas para acompanhar a evolução do fenômeno e entender se ele está ganhando ou perdendo força.
Mas os cientistas não olham apenas para a temperatura da água.
Para que o El Niño continue se fortalecendo, a atmosfera também precisa responder ao aquecimento do oceano. Isso aparece em mudanças nos ventos, na pressão e na distribuição das chuvas sobre o Pacífico.
No novo boletim, a NOAA afirmou que esses sinais continuam presentes, o que indica que o oceano e a atmosfera seguem atuando juntos para sustentar o fenômeno.
Animação mostra como o El Niño se fortaleceu no Oceano Pacífico entre março e setembro de 2026. Tons de vermelho e branco indicam áreas onde o nível do mar ficou mais alto que o normal. — Foto: NASA/JPL-Caltech
Se as projeções se confirmarem, o atual episódio pode entrar na faixa dos El Niños mais intensos já registrados.
O termo “ super El Niño ”, porém, não é uma classificação oficial usada pela NOAA.
A agência trabalha com categorias como fraco , moderado , forte e muito forte . Um El Niño é considerado muito forte quando o índice usado pela NOAA atinge pelo menos +2°C na média de três meses .
É justamente essa faixa que costuma ser chamada informalmente de “super El Niño”.
A expectativa agora é saber até onde o aquecimento do Pacífico vai chegar durante o pico do fenômeno.
Em setembro, a NOAA estimava 75% de chance de o índice alcançar ou superar +2,5°C entre outubro e dezembro. Esse nível colocaria o atual episódio acima dos El Niños anteriores da série da agência iniciada em 1950.
A atualização desta quinta mostra que essa chance agora está em 83% .
TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O EL NIÑO:
Apesar disso, um El Niño mais forte não significa necessariamente impactos mais intensos em todos os lugares.
A própria NOAA ressalta que a força do fenômeno aumenta a chance de ocorrerem efeitos típicos do El Niño, mas não permite prever, sozinha, a intensidade de secas, chuvas ou ondas de calor em cada região.
No Brasil, historicamente, o El Niño costuma favorecer mais chuva no Sul e períodos mais secos no Norte e em partes do Nordeste.
No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos podem variar mais, com mudanças na distribuição das chuvas e períodos de calor mais frequentes.
🌎 O que é o El Niño — e por que ele importa tanto
O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador.
Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta.
Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média , somando-se ao aquecimento global.
A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.
Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:
aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;
redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;
mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;
Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.
Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.
Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.
El Niño e La Niña — Foto: Arte g1/Luisa Rivas
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