Por que a presença de Mamdani, muçulmano, é contestada por republicanos e parentes das vítimas do 11/9 | G1
Cerimônia para homenagear os mortos do atentado em NY ganha contornos islamofóbicos e rejeição ao atual prefeito.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, chega para cerimônia em memória às vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001, em Nova York, em 11 de setembro de 2026. — Foto: Adam Gray/ Pool via Reuters
Vinte e cinco anos após enfrentar sua maior tragédia, Nova York tem um prefeito muçulmano , o socialista democrático Zohran Mamdani. Mas seus detratores fizeram de tudo para mantê-lo longe da cerimônia que homenageia os cerca de três mil mortos nos atentados às Torres Gêmeas.
Como um reflexo da realidade cada vez mais divisiva do país, o espírito de união que tradicionalmente marcou o tributo deu lugar, este ano, à discórdia partidária, personificada na figura do jovem prefeito.
➡️ Uma petição com mais de 110 mil assinaturas, incluindo parentes das vítimas, pediu que Mamdani não comparecesse às homenagens no Marco Zero , alegando que ele é “insuficientemente crítico das ideologias extremistas”.
O ex-prefeito Rudy Giuliani e o ex-governador George Pataki, que estavam nos cargos no dia 11 de setembro de 2001, corroboram a tese de que o prefeito é persona non grata no tributo .
Giuliani, que emergiu como símbolo da liderança da cidade após os atentados, hoje amarga o ostracismo político e chegou a divulgar teorias da conspiração de teor islamofóbico sobre o atual prefeito, dizendo-se ofendido com sua presença na cerimônia. Sugeriu, por exemplo, que, para Mamdani, os ataques de 11 de Setembro não foram atos terroristas.
O republicano Bruce Blakeman, que aspira o governo de Nova York, pediu aos participantes da cerimônia que dessem as costas a Mamdani durante a leitura dos nomes das vítimas: “Ele não é bem-vindo porque ainda não disse nada em oposição à expressão ‘globalizar a Intifada’".
Outros argumentos rondavam a insistência para que o prefeito fique de fora das homenagens: as ligações com o comentarista Hasan Piker, que afirmou, mas depois se desculpou, que "os EUA mereceram o 11 de Setembro”. A declaração foi condenada pelo prefeito .
Com um simples gesto, Mamdani recentemente desatou a fúria das famílias das vítimas, ao entregar a caneta com que assinou ordens executivas sobre as comemorações do 25 aniversário do atentado a seu principal conselheiro, Ramzi Kassem.
Como advogado, Kassem defendeu um integrante da al-Qaeda que era cunhado de um dos sequestradores do 11 de Setembro.
“Sentimos que a presença de Mamdani seria uma falta de respeito com os membros da nossa família, devido às pessoas que ele apoia”, afirmou um dos autores da petição, Giovanni Galante, que perdeu a esposa Grace no atentado.
A animosidade tem contornos políticos e islamofóbicos . O prefeito resistiu com firmeza à rejeição dos que tentam associá-lo, como muçulmano, a um representante dos 19 terroristas do 11 de Setembro e confirmou a presença no evento.
"Tenho orgulho de ser o prefeito desta cidade, amo esta cidade, amo este país e o que eu quero que seja o foco desta semana são as famílias cujos entes queridos foram tirados delas há 25 anos no horrível ato de terror de 11 de Setembro".
Apesar dos protestos, Zohran foi à cerimônia, nesta manhã.
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