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'Cabelera' é preso por participar de 'tribunal do crime' do PCC | G1

Wagner Silva foi preso em uma ação de desdobramento da Operação Patrocínio Fiel, deflagrada para desarticular a quadrilha envolvida em crimes contra o advogado criminalista Rafaell Câmara Roque.

· 640 words

Wagner Silva Medeiros, conhecido como 'Cabelera', de 42 anos, foi preso em Cubatão (SP) durante um desdobramento da Operação Patrocínio Fiel . Ele era um dos alvos da ação, que foi deflagrada para desarticular a organização criminosa envolvida em crimes de sequestro, extorsão, tortura e ameaça contra o advogado criminalista Rafaell Câmara Roque .

A vítima foi mantida refém por cerca de seis horas em um "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC) em junho. Ao g1 , Rafaell revelou que escapou após prometer desistir de uma ação judicial.

🔍O “tribunal do crime” é uma forma de justiça paralela, imposta por facções criminosas para controlar territórios, impor disciplina e punir desvios de conduta, operando à margem da lei.

Após ser liberado, o advogado procurou o Ministério Público para denunciar o caso. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) iniciou uma investigação e, em agosto, deu apoio à Polícia Militar na Operação Patrocínio Fiel (veja detalhes mais abaixo ).

Operação Patrocínio Fiel foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa envolvida em crimes de sequestro, extorsão, tortura e ameaça contra um advogado — Foto: Divulgação/MP-SP

Três semanas após a operação, a equipe da Delegacia Sede de Cubatão realizou um desdobramento da ação para o cumprimento de mandados de busca e prisão contra Wagner Silva Medeiros.

Conforme apurado pelo g1 , Wagner foi surpreendido e preso antes de esboçar reação na tarde de sexta-feira (4) na casa onde mora no bairro Vila São José.

No local, os agentes apreenderam diversos equipamentos eletrônicos . De acordo com o MP, o material será submetido à análise e poderá fornecer novos elementos de interesse para as investigações. O g1 não localizou a defesa de Wagner até a publicação desta reportagem.

Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou ter sido sequestrado e levado para uma comunidade, onde participou de um tribunal do crime do PCC — Foto: Arquivo pessoal e Ministério Público

Com objetivo de interromper a atuação criminosa dos investigados, preservar a integridade da vítima e buscar provas para o avanço das investigações, a operação mobilizou equipes da Rota, do 3º Batalhão de Choque, do Canil e do Comando de Operações Especiais (COE) no dia 12 de agosto.

Os agentes cumpriram mandados em endereços ligados a sete suspeitos em Guarujá, São Vicente, Praia Grande e Cubatão, além de Florianópolis (SC).

A ação terminou com a prisão de William Nascimento Boaventura , apontado como responsável pela emboscada que terminou no sequestro do advogado.

O investigado José Armerindo Santos de Carvalho , conhecido como Boqueta, morreu após entrar em confronto com policiais durante a operação.

Ele era cliente de Rafaell, que o defendia em processos por porte ilegal de arma e ações contra o Estado. Durante o cativeiro, o advogado chegou a ligar para pedir ajuda a Boqueta, mas foi ignorado.

José Armerindo Santos de Carvalho morreu durante um confronto com policiais militares em São Vicente — Foto: Arquivo Pessoal e Reprodução/Redes sociais

Rafaell foi sequestrado após ajuizar uma ação contra uma empresa comandada pelo suposto integrante da facção Wagner Rodrigues dos Santos. O objetivo do grupo era forçar o advogado a abandonar o processo e fornecer o endereço do cliente (e ex-sócio de Wagner) que ele representava.

O profissional explicou que entrou com a ação porque seus clientes teriam sido "expulsos" da empresa por Wagner, com quem tinham relação desde a infância. O suspeito teria prometido pagar um valor referente à parcela dos sócios para que eles deixassem o negócio, o que não aconteceu.

O advogado apontou que o empreendimento, em Guarujá (SP), era de interesse do grupo criminoso por ter 440 m² em área portuária, três barcos pesqueiros, duas câmaras frigoríficas, três máquinas de limpar camarão e uma de fabricar gelo.

O g1 tentou contato com a defesa de Wagner, mas não conseguiu localizá-la até a última atualização desta reportagem.

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Sunday, October 18, 2026

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