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Saturday, September 19, 2026

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Racismo ambiental em Campinas: jovens usam tecnologia em mapeamento | G1

Projeto, criado pelo coletivo Assaltar as Nuvens, busca transformar a produção de dados em uma ferramenta de enfrentamento ao racismo ambiental.

· 685 words

Moradores da região do Campo Belo, em Campinas (SP), estão usando tecnologia para mapear problemas ambientais que afetam o cotidiano de bairros periféricos da cidade, como enchentes, descarte irregular de lixo e ilhas de calor.

O projeto, criado pelo coletivo Assaltar as Nuvens, busca transformar a produção de dados em uma ferramenta de enfrentamento ao racismo ambiental e de cobrança por melhorias junto ao poder público. A proposta prevê a formação de jovens em tecnologias de código aberto e produção cidadã de dados.

🔍 O termo racismo ambiental é utilizado para descrever situações em que grupos socialmente vulneráveis acabam mais expostos a riscos ambientais, como enchentes, poluição, ausência de áreas verdes e infraestrutura precária.

➡ A iniciativa está entre os projetos selecionados pelo edital da pesquisa Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas (Jucamp), criada pelas organizações Em Movimento e Minha Campinas, com apoio da Fundação FEAC. O edital forneceu financiamento e apoio técnico para desenvolver ações lideradas por jovens em territórios periféricos da cidade.

A pesquisa apontou que os efeitos das mudanças climáticas são uma preocupação constante para a população jovem da cidade. Segundo o levantamento, 58% dos entrevistados afirmaram que a crise climática afeta suas expectativas para o futuro, enquanto sete em cada dez relataram impactos na saúde mental.

Na prática, a partir do treinamento, os jovens participantes vão identificar e registrar em uma plataforma digital situações como enchentes, descarte irregular de lixo, ilhas de calor e falta de arborização.

As informações vão permitir a criação de um mapa que mostrará onde os problemas se concentram e ajudará a construir um diagnóstico ambiental dos bairros periféricos de Campinas.

Para os organizadores, a produção de dados pelos próprios moradores pode ajudar a tornar visíveis problemas históricos enfrentados pelas periferias e estimular a participação dos jovens em discussões sobre planejamento urbano e mudanças climáticas.

"O projeto busca mostrar que tecnologia não é algo distante da realidade da periferia. Ela pode ser usada para compreender melhor os problemas do território e contribuir para a busca de soluções", defendeu João Augusto de Souza Paranhos, de 22 anos, um dos coordenadores da iniciativa.

Iniciativa do coletivo Assaltar as Nuvens usa tecnologia para mapear problemas ambientais que afetam bairros periféricos de Campinas (SP). — Foto: Bárbara Camilotti/g1

Para João, a proposta parte da percepção de que os impactos climáticos atingem de forma desigual diferentes partes da cidade.

"A gente entende que a crise climática não afeta todo mundo da mesma forma. Existem territórios mais vulnerabilizados e que sofrem mais com enchentes, calor excessivo e problemas ambientais. A nossa ideia é dar ferramentas para que os próprios moradores produzam informações sobre esses cenários", afirmou.

A proposta utiliza a geração cidadã de dados , metodologia que permite que moradores participem diretamente da coleta e produção de informações sobre os locais onde vivem.

Segundo João, o objetivo é identificar problemas que muitas vezes não aparecem com precisão em levantamentos oficiais e, ao mesmo tempo, fortalecer o papel da população na construção de soluções.

"O morador já conhece a realidade do bairro. O que estamos propondo é que ele também tenha instrumentos para registrar essas informações de maneira organizada e transformá-las em dados que possam embasar reivindicações e políticas públicas", explicou.

Entre os temas que deverão ser monitorados estão a ocorrência de enchentes, pontos de descarte irregular de resíduos, áreas com pouca arborização, locais sujeitos a temperaturas mais elevadas e questões relacionadas à mobilidade urbana.

Impactos climáticos para os jovens de periferias

Vista aérea da periferia de Campinas, no interior de São Paulo — Foto: Reprodução/EPTV

A preocupação com as mudanças climáticas apareceu de forma expressiva na pesquisa que serviu de base para o desenvolvimento dos projetos financiados pela Jucamp.

O levantamento mostrou que 77% dos jovens concordam totalmente que a população vive uma crise climática. Além disso, seis em cada dez entrevistados disseram perceber reflexos do problema nos estudos ou no trabalho, enquanto 34% relataram dificuldades para se deslocar em dias de chuva.

Os resultados também indicaram que os participantes demonstram interesse por ações práticas voltadas à melhoria dos territórios onde vivem, como monitoramento ambiental, iniciativas comunitárias e projetos de transformação local.

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