Eleições nos EUA: Trump e Obama intensificam campanha pelo Senado | G1
Disputas em Ohio e na Geórgia podem influenciar o controle do Senado; democratas são favoritos para conquistar a maioria na Câmara, segundo analistas.
Montagem mostra Trump e Obama — Foto: Kylie Cooper/Reuters; Jonathan Ernst/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-presidente Barack Obama participam nesta quarta-feira de eventos de campanha em Ohio e na Geórgia, dois estados com disputas decisivas nas eleições de meio de mandato. O resultado da votação determinará qual partido controlará o Congresso americano pelos próximos dois anos.
A campanha entra na última semana em meio à queda da popularidade de Trump. Os americanos demonstram crescente insatisfação com o alto custo de vida e a guerra contra o Irã, fatores que ameaçam a estreita maioria republicana na Câmara dos Representantes e no Senado.
Trump deve participar de um evento ao lado do senador republicano Jon Husted, de Ohio, que enfrenta o ex-senador democrata Sherrod Brown. A disputa é considerada uma das mais acirradas do país e pode influenciar a manutenção da maioria republicana no Senado, atualmente de 53 a 47 cadeiras.
Na Geórgia, Obama deve fazer campanha ao lado do senador democrata Jon Ossoff, que enfrenta o deputado republicano Mike Collins. O estado tem registrado disputas acirradas nas últimas eleições federais, e suas três últimas eleições para o Senado foram decididas em segundo turno. Desta vez, analistas independentes consideram que Ossoff está em uma posição favorável para conquistar a reeleição.
Obama manteve um perfil público relativamente discreto durante boa parte da campanha, mas voltou a participar de eventos na semana passada, com discursos contundentes contra seu sucessor.
Os americanos votam antecipadamente há semanas. Mais de 36,4 milhões de votos já haviam sido registrados, segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida.
Nas eleições de meio de mandato de 2022, realizadas durante o governo do democrata Joe Biden, 45,9 milhões de americanos votaram antecipadamente.
Analistas independentes consideram que os democratas têm boas chances de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes. A disputa pelo Senado, porém, é vista como mais difícil, já que o partido precisa conquistar cadeiras em estados tradicionalmente republicanos, como Ohio, Iowa e Alasca, para alcançar as 51 vagas necessárias para controlar a Casa.
Na Pensilvânia, quatro disputas acirradas pela Câmara devem ter papel importante na definição da maioria. O estado também reflete o descontentamento de parte do eleitorado com os republicanos.
"Acho que o Partido Republicano perdeu o contato com a realidade. Eles não entendem o que realmente está acontecendo, e parece que quebraram as promessas feitas ao povo", afirmou Joshua Brazezicke, de 26 anos, administrador imobiliário que mudou recentemente seu registro eleitoral de independente para democrata.
BBC - Barack Obama foi presidente dos EUA entre 2009 e 2017. — Foto: Getty Images
Candidatos mobilizam aliados em Michigan
Em Michigan, o republicano Mike Rogers e o democrata Abdul El-Sayed disputam a vaga no Senado que será deixada pelo senador democrata Gary Peters.
Os dois candidatos contam com o apoio de aliados de destaque para mobilizar eleitores na reta final da campanha.
Rogers fez campanha nesta quarta-feira ao lado do senador republicano Ted Cruz, do Texas. Os dois participaram de uma turnê de ônibus com quatro paradas, encerrada em Imlay City, a nordeste de Detroit.
El-Sayed, por sua vez, tinha um comício noturno de mobilização eleitoral programado com Peters e a senadora democrata Elissa Slotkin, em Downriver, a sudoeste de Detroit.
Donald Trump na base aérea Andrews. — Foto: Kevin Lamarque/Reuters
Trump intensifica ações sobre regras eleitorais
Nas últimas semanas de campanha, Trump anunciou medidas para tentar reduzir os preços da energia e prometeu bilhões de dólares em pagamentos diretos a milhões de americanos. O presidente também busca mobilizar apoiadores do movimento MAGA, sua base política, em áreas rurais de estados onde tem força eleitoral, mas onde a participação costuma ser um desafio nas eleições de meio de mandato.
Paralelamente, o republicano intensificou ações relacionadas às regras eleitorais. Trump afirma, sem provas, que sua derrota na eleição presidencial de 2020 foi resultado de uma fraude generalizada.
Desde que voltou à Presidência, seu governo emitiu mais de 100 intimações a autoridades eleitorais estaduais e locais de pelo menos 12 estados, exigindo registros de dezenas de milhares de eleitores, informou a Reuters nesta quarta-feira.
Na terça-feira, um juiz demonstrou ceticismo em relação a um pedido do Departamento de Justiça para impedir a Califórnia de contabilizar votos por correspondência de mais de 20 mil eleitores registrados que, segundo o governo federal, não seriam cidadãos americanos.
Sistema de registro de financiamento de campanha está fora do ar
Outro problema na reta final da eleição envolve o sistema eletrônico de registro da Comissão Eleitoral Federal (FEC, na sigla em inglês), que estava fora do ar havia mais de 24 horas após a agência desativá-lo na noite de segunda-feira para conter uma falha de segurança.
A comissão informou que trabalhava para resolver o problema. A interrupção impediu que responsáveis pelo financiamento de campanhas apresentassem relatórios de gastos dentro do prazo, dificultando o acesso dos eleitores a informações sobre quem financia as candidaturas e como os recursos são utilizados.
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