Ademar Cardoso, irmão de Djidja, deixa a prisão em Manaus | G1
Ademar cumpre uma pena de 10 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, estando preso desde maio de 2024, dias após Djidja ser encontrada morta dentro da casa da família com sinais de overdose de cetamina.
Ademar Cardoso, irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso , deixou o presídio na manhã deste sábado (24) para cumprir pena em regime semiaberto, em Manaus . A Justiça do Amazonas autorizou a progressão de regime na sexta-feira (23) , com a determinação do uso de tornozeleira eletrônica e o cumprimento de regras, como o recolhimento noturno .
Ademar cumpre uma pena de 10 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, estando preso desde maio de 2024, dias após Djidja ser encontrada morta dentro da casa da família com sinais de overdose de cetamina .
Após sair da prisão, Ademar foi recebido por amigos e familiares. Vídeos publicados nas redes sociais do salão de beleza Belle Femme mostram o momento em que ele cumprimenta Verônica da Costa Seixas, também condenada no processo relacionado à Operação Mandrágora, e falou com a imprensa.
Em uma das gravações, Ademar afirma que pretende apresentar sua versão sobre o caso, mas que vai conversar com os advogados antes de dar mais detalhes.
"Agora é a minha vez de mostrar o outro lado da moeda. Toda história tem três versões: a do lado deles, a minha e a verdadeira. Somente eu sei a verdade, então estou disposto a falar sobre isso com muita cautela, muita calma. Eu acabei de sair da cadeia, passei dois anos, dois anos e meio, basicamente sem visita, sem nada. Passei esses anos todos estudando, meditando, orando e estou praticamente preparado para qualquer tipo de pergunta. Não vai ser agora, então ainda vou conversar com meus advogados", afirmou.
Ademar também agradeceu aos advogados, amigos e familiares pelo apoio durante o período em que esteve preso. Em outra declaração, voltou a contestar a prisão.
"Eu vou simplesmente destrinchar tudo para vocês, porque fui preso, na minha opinião, ilegal e arbitrariamente", declarou.
Irmão de Djidja Cardoso deixa presídio e é recebido por amigos e pela mãe em Manaus — Foto: Foto: Reprodução/Rede Sociais
Depois da recepção, Ademar foi para casa, onde reencontrou a mãe, Cleusimar Cardoso. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela aparece na porta da residência com um buquê de girassóis e uma caixa de bombons. Os dois se abraçam.
Cleusimar também deixou a prisão após conseguir a progressão para o regime semiaberto, em 29 de setembro . Na ocasião, foi recebida por amigos e funcionários do salão Belle Femme, que administrava ao lado da filha.
A decisão que autorizou a progressão de pena de Ademar foi proferida pela juíza Sabrina Cumba Ferreira nesta sexta-feira (23). Ele cumpre pena de 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Pelo cálculo inicial da execução penal, Ademar só teria direito à progressão para o semiaberto em outubro de 2027. No entanto, a data foi antecipada para outubro de 2026 após a Justiça reconhecer o abatimento de 364 dias da pena.
Segundo a decisão, ele cumpriu os requisitos de tempo de prisão e bom comportamento exigidos pela Lei de Execução Penal. A redução da pena considerou a participação em atividades de trabalho, leitura e estudo na unidade prisional, incluindo a aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025.
O exame criminológico, realizado por uma comissão multiprofissional, também apontou capacidade de autocontrole, discernimento e aptidão para o retorno gradual à sociedade. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) emitiu parecer favorável à progressão.
Para cumprir a pena em regime semiaberto, Ademar deverá usar tornozeleira eletrônica e seguir as condições estabelecidas pela Justiça.
Recolhimento noturno : permanecer em sua residência das 22h às 6h nos dias úteis, podendo sair apenas para trabalhar, estudar ou fazer tratamento de saúde;
Fins de semana e feriados : recolher-se integralmente em casa;
Viagens e mudança : não mudar de endereço nem se ausentar de Manaus sem autorização prévia da Justiça;
Proibições : não ingerir bebidas alcoólicas, não usar drogas ilícitas e não portar nenhum tipo de arma.
Ademar foi condenado em 22 de julho de 2026, junto com outras seis pessoas , em uma nova sentença relacionada ao esquema investigado pela Operação Mandrágora.
Também foram condenados Cleusimar Cardoso, José Máximo Silva de Oliveira, Hatus Moraes Silveira, Verônica da Costa Seixas, Sávio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima.
As penas dos sete condenados variaram de oito anos e seis meses a 10 anos e 11 meses de prisão.
Segundo a sentença, o grupo utilizava a rede de salões de beleza Belle Femme e a seita religiosa "Pai, Mãe, Vida" para distribuir e aplicar cetamina . A substância é usada como anestésico veterinário e, segundo a investigação, era obtida de forma ilegal e utilizada em rituais do grupo.
Outros três réus — Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas — foram absolvidos por falta de provas suficientes.
A condenação de julho foi uma nova decisão sobre o mesmo processo. A sentença anterior havia sido anulada pela Justiça 10 meses antes .
Depois da regularização das provas periciais, a Justiça entendeu que havia elementos suficientes para confirmar os crimes e a responsabilidade dos condenados.
Djidja Cardoso, empresária e ex-sinhazinha do Boi Garantido que morreu por suspeita de overdose — Foto: TV Globo/Reprodução
Djidja Cardoso foi encontrada morta em 28 de maio de 2024 , em Manaus. Ela ficou conhecida por interpretar a sinhazinha do Boi Garantido e foi uma das principais atrações do Festival de Parintins durante cinco anos.
Segundo o laudo preliminar citado na investigação, ela morreu após sofrer um edema cerebral, que comprometeu o funcionamento do coração e da respiração. O documento não apontou o que teria causado o edema.
A principal linha de investigação da polícia foi a possibilidade de uma overdose de cetamina.
Durante as investigações, policiais encontraram frascos da substância enterrados no quintal da casa de Djidja. Também foram apreendidas caixas de cetamina, seringas, frascos, bulas e cartelas de medicamentos.
Djidja Cardoso com a mãe Cleusimar Cardoso e o irmão Ademar Cardoso. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
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