Mulher síria chora ao reconhecer nome de irmão desaparecido em mostra | G1
Identificada como Lama Awad, ela reconheceu a assinatura do irmão, Anas, em um dos itens da exposição. Anas é um dos muitos presos políticos que desapareceram em centros de tortura no país enquanto Assad esteve no poder, entre 2000 e 2024.
"Vocês podem me dar essa porta, por favor?", perguntou, emocionada, uma mulher ao funcionário de uma exposição sobre os horrores do regime de Bashar al-Assad em Damasco, na Síria.
Identificada como Lama Awad, ela reconheceu a assinatura do irmão, Anas, entalhada em uma das portas de uma prisão — que também funcionava como centro de tortura — para opositores do ex-ditador sírio, deposto em 2024 .
Anas, até hoje, é considerado desaparecido político. A cena foi publicada na última terça-feira (1º) nas redes sociais do Arquivo da Revolução Síria e circulou por veículos de imprensa ao redor do mundo.
A porta da cela faz parte da mostra "Quando os Muros Falam", que reúne itens de prisões e centros de tortura do regime Assad. A exposição, em Damasco, foi criada pelo Ministério do Interior da Síria.
Boa parte dos objetos em exposição foram recolhidos de notórios centros de detenção da época de Assad, a Seccional 215 e a Seccional 244. Não foi divulgado de qual das prisões saiu a porta da cela na qual Lama Awad reconheceu o nome do irmão.
Mulher se emociona ao reconhecer nome de irmão desaparecido em porta de prisão em mostra sobre regime de Assad, na Síria — Foto: Reprodução/@syrevarch/Instagram
Após sua deposição, em dezembro de 2024, Bashar al-Assad se exilou na Rússia . A Síria atualmente é governada por Ahmed al-Sharaa , um ex-militante dos grupos terroristas Al Qaeda e Estado Islâmico que lutou contra o regime na guerra civil síria, iniciada em 2011.
No último dia 11, um tribunal sírio condenou à morte Assad e seu irmão mais novo, Maher, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os 14 anos do conflito, que deixou cerca de 500 mil mortos.
Bashar al-Assad, em imagem de arquivo — Foto: JOSEPH EID / AFP
Um dos primos maternos de Assad, chamado Atef Najib, também foi condenado à morte no mesmo processo, acusado de por liderar uma repressão na província de Daraa, no sul do país, que "incitou uma guerra civil e conflitos sectários", segundo o tribunal.
Sob forte esquema de segurança, Najib permaneceu dentro de uma jaula, usando uniforme de presidiário, enquanto o juiz lia a sentença em um tribunal criminal (veja na foto abaixo). Ex-general do Exército sírio, Najib não conseguiu fugir da Síria e se tornou um dos funcionários de mais alto escalão da ditadura Assad a ser levado a julgamento.
Atef Najib, primo de Bashar al-Assad e ex-chefe do Departamento de Segurança Política de Daraa, aparece em jaula durante julgamento no Palácio da Justiça, em Damasco, na Síria. Foto de 26 de abril de 2026. — Foto: AP Photo/Ghaith Alsayed/Arquivo
Bashar al-Assad sucedeu no poder o pai, Hafez al-Assad , que morreu 2000 após governar a Síria por três décadas. Seu regime foi fruto de um golpe de Estado dado em 1971.
A família Assad é alauita, uma minoria religiosa xiita na Síria.
Nascido em 11 de setembro de 1965, em Damasco, estudou medicina e se especializou em oftalmologia. Em Londres, cursou uma pós-graduação.
Em 1994, Basil, seu irmão mais velho e sucessor natural de Hafez, morreu num acidente. Com isso, Bashar tornou-se o herdeiro do poder na família.
Em 10 de junho de 2000, ele foi declarado presidente pelo parlamento após um referendo popular no qual recebeu uma aprovação de 97,29%.
Naquele momento, Bashar tinha 34 anos. Ele herdou e fez uso de uma extensa rede de opressão herdada do pai para se garantir no poder até a chegada dos insurgentes a Damasco, em 8 de dezembro de 2024.
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