Fim da escala 6x1: hotel prevê contratar até 20% mais funcionários | G1
Empresas da região já revisam escalas e planejamento após aprovação da proposta no Senado. Enquanto trabalhadores comemoram duas folgas semanais, setores que dependem de operação aos fins de semana estimam aumento de custos e necessidade de reorganizar equipes.
Mesmo antes da entrada em vigor do fim da escala 6x1 , empresas de Campinas e região já começam a recalcular custos e reorganizar equipes. Em um hotel da metrópole, a projeção é ampliar o quadro de funcionários entre 15% e 20% para garantir a operação com a nova jornada , enquanto representantes do comércio e do setor de bares e restaurantes preveem desafios para adaptar escalas de trabalho sem interromper o atendimento .
A proposta aprovada pelo Senado prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial , e a diminuição gradual da carga horária de 44 para 40 horas semanais.
Enquanto trabalhadores comemoram a possibilidade de mais tempo livre e convivência familiar, empresários avaliam os efeitos da mudança sobre custos, contratações e produtividade nos segmentos que dependem de equipes atuando aos fins de semana, feriados e no período noturno.
No setor hoteleiro, a mudança já faz parte do planejamento para 2027. Segundo Michael Matsuda, gerente de operações de um hotel de Campinas, a expectativa é ampliar o quadro de funcionários entre 15% e 20% para manter a cobertura das escalas e garantir o funcionamento dos serviços.
"Teremos colaboradores mais dispostos ao trabalho. A escala 6x1, olhando pelo lado da nossa equipe de operação, é um tanto quanto puxada", afirmou.
De acordo com Matsuda, o impacto financeiro deverá ser absorvido por meio de reajustes planejados em serviços como hospedagem e estacionamento, além da renegociação de contratos.
Apesar dos custos adicionais, os funcionários avaliam a mudança de forma positiva. Para Pedro Ventura, supervisor de eventos do hotel, a aprovação da proposta representa mais qualidade de vida.
"Quem trabalhou nessa escala 6 por 1 sabe que é puxado. A expectativa era grande e feliz que aprovou", disse.
Hotel de Campinas (SP) prevê aumentar em até 20% o quadro de funcionários com o fim da escala 6x1 de trabalho no Brasil — Foto: Reprodução/EPTV
No comércio, a avaliação inicial é mais cautelosa. Patrícia Auxiliadora, gerente comercial, acredita que, pelo menos em um primeiro momento, não será necessário ampliar o quadro de funcionários.
"Conforme for acontecendo e a gente for estudando, vamos fazendo esse remanejamento", afirmou.
Segundo ela, a principal dúvida é como serão distribuídas as novas folgas sem comprometer os períodos de maior movimento, especialmente aos sábados.
Presidente da Abrasel na Região Metropolitana de Campinas, André Mandetta — Foto: Reprodução/EPTV
Entre as entidades empresariais, a preocupação está concentrada nos impactos operacionais e financeiros da mudança.
Para André Mandetta, presidente regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) , a alteração exigirá uma reorganização das equipes e poderá provocar aumento de custos para bares e restaurantes.
"Os impactos serão inevitáveis. Num primeiro momento, com certeza haverá necessidade de adaptação, e num segundo momento o aumento de custos pode ficar entre 15% e 20%", afirmou.
Já Jaime Vasconcelos, economista do Sindivarejista Campinas, avalia que o varejo está entre os segmentos mais expostos aos efeitos da nova jornada.
"O setor como um todo vai ter que se adaptar de forma muito célere a uma mudança estrutural do mercado de trabalho", disse.
Possíveis ganhos para trabalhadores e empresas
Na avaliação de Franciele Aparecida Gurgel, presidente da Comissão de Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Campinas, a redução da jornada pode trazer benefícios não apenas para os funcionários, mas também para as próprias empresas.
"Quando o funcionário está satisfeito com o trabalho e não está sobrecarregado, a produtividade pode aumentar e a sobrecarga diminuir", explicou.
Segundo a especialista, o principal desafio agora será a adaptação dos diferentes setores às novas regras, conciliando a necessidade de manter as operações funcionando com a garantia de mais tempo de descanso para os trabalhadores.
As novas regras não entram em vigor imediatamente . A proposta prevê um período de transição de 14 meses, dividido em duas etapas:
Primeiros 60 dias: redução da jornada de 44 para 42 horas semanais, com duas folgas que não precisam ser consecutivas.
12 meses seguintes: redução da jornada para 40 horas semanais.
Durante esse período, os salários não poderão ser reduzidos .
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