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Friday, August 28, 2026

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Como empreendedora transformou crochê em negócio de R$ 40 mil por mês | G1

Após enfrentar dificuldades financeiras, Teruko Kato transformou uma habilidade aprendida na infância em uma marca autoral de produtos para bebês, administrada ao lado das filhas.

· 932 words

Antes mesmo de dar os primeiros passos, alguns bebês já começam a vida com muito estilo. E, em São Paulo , uma empreendedora encontrou justamente nos pezinhos dos recém-nascidos a oportunidade de reconstruir a própria trajetória.

Aos 11 anos, Teruko Kato aprendeu a fazer crochê. Durante décadas, no entanto, a habilidade ficou guardada entre tantas outras experiências profissionais.

Ela trabalhou como manicure, esteticista, maquiadora e vendedora de bijuterias, sempre movida pelo desejo de ter o próprio negócio.

Mas foi em um dos momentos mais difíceis da vida que o crochê voltou a ocupar um papel central. "Eu só tinha dívidas, uma geladeira vazia e duas crianças que contavam comigo. Então eu comecei a fazer crochê de volta por terapia", conta.

O que começou como uma forma de aliviar a ansiedade se transformou em uma ideia de negócio. Logo, a casa estava cheia de sapatinhos artesanais para bebês . Faltava apenas encontrar compradores.

Sem recursos para abrir uma loja e receosa de montar uma barraca na rua, Teruko encontrou uma solução criativa: transformou uma bicicleta em ponto de venda itinerante.

Ela passou a circular pela Avenida Paulista oferecendo os produtos. A escolha não foi por acaso. "Eu tive a ideia de vender na Paulista porque achava que a rua era o melhor caminho para ganhar dinheiro rápido", lembra.

Com a documentação regularizada, ela passou anos vendendo os produtos diretamente ao público . Aos poucos, descobriu um nicho pouco explorado na região: presentes artesanais para bebês.

A estratégia funcionou. Da bicicleta, o negócio migrou para feiras voltadas ao setor de maternidade e começou a ganhar visibilidade.

Como empreendedora transformou crochê em negócio de R$ 40 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

Enquanto a mãe consolidava a produção artesanal, a filha Bárbara Naomi construía outra frente importante para a empresa.

Estudante de Publicidade à época, ela usou a própria marca da família como objeto de estudo na faculdade. Os trabalhos acadêmicos ajudaram a desenhar o planejamento de marketing que mais tarde seria colocado em prática .

Hoje, Bárbara lidera as áreas de comunicação, produção de conteúdo, fotografia, vídeo e redes sociais. Segundo ela, os vídeos se tornaram uma das principais portas de entrada para novos clientes.

"Os roteiros viralizam, estouram a bolha. É assim que a gente consegue chegar a pessoas que talvez nunca estivessem procurando especificamente um sapatinho de crochê", afirma.

A estratégia digital ampliou significativamente o alcance da marca e ajudou a transformar clientes ocasionais em consumidores recorrentes.

O principal diferencial da empresa está na originalidade das peças . Em vez de modelos tradicionais, Teruko desenvolveu uma coleção inspirada em animais. Hoje são cerca de 50 modelos diferentes , incluindo ouriço, lobo-guará, baleia, tigre, onça, rato e coelho.

O processo criativo é totalmente autoral. "Aqui é criação. Não tem cópia. Quando encontro um animal que acho fofinho, pego a linha e vou construindo", explica.

Cada par custa, em média, R$ 350 e é produzido manualmente com fio 100% algodão . O cuidado vai além da estética.

"Depois que termino, passo a mão para sentir se tem algum nozinho na linha. Um nó pode incomodar o bebê", diz a empreendedora.

A emoção também faz parte da proposta do produto. "Fui descobrindo esse outro lado do sapato, o lado do afeto."

Com a evolução das vendas, a família decidiu investir em um espaço próprio. A abertura da loja exigiu um investimento de R$ 25 mil e foi planejada estrategicamente na região da Paulista , área que Teruko conhece bem desde os tempos da bicicleta.

O conceito do espaço também reflete o DNA artesanal da marca. Além da vitrine, o local permite que os clientes acompanhem a produção dos produtos.

"Eu queria que as pessoas me vissem trabalhando para entender que aquilo é feito de verdade", afirma.

A loja se tornou um importante canal de vendas e contribuiu para aumentar o ticket médio dos consumidores, que muitas vezes levam conjuntos completos de presentes.

A proposta afetiva tem conquistado consumidores muito além das fronteiras brasileiras. A cliente Cínthia Avelar, por exemplo, encontrou a marca pela internet e comprou um par de sapatinhos em formato de ouriço para presentear a cunhada grávida, que mora na Alemanha.

"Meu irmão mora lá desde 2014 e foi ele quem me apresentou o ouriço. É um animal muito lindinho. Caiu como uma luva", conta.

Além dos sapatinhos, a empresa também comercializa naninhas, pelúcias e ponchos para bebês. Atualmente, o negócio registra um faturamento mensal de aproximadamente R$ 40 mil .

Hoje, Teruko divide a gestão da empresa com as filhas Bárbara e Laura Suemi, estudante de Direito que também já integra a operação.

A convivência intensa, dentro e fora do trabalho, é vista como um dos grandes trunfos da marca. "Eu acho ótimo. Está tudo debaixo da minha asa", brinca Teruko.

Apesar do crescimento, a família ainda vê espaço para avançar. O desafio imediato é ampliar a capacidade produtiva de um negócio baseado em trabalho manual . Mais adiante, o objetivo é cruzar fronteiras.

"Tem dois lugares que considero icônicos, assim como São Paulo: Paris e Nova York", diz a empreendedora.

Depois de transformar uma habilidade aprendida na infância em uma empresa familiar, Teruko acredita que o principal segredo continua sendo valorizar o próprio trabalho.

"Primeiro você dá valor ao que faz para que as pessoas valorizem também", conta a empreendedora.

E foi exatamente assim, ponto por ponto, que ela construiu um negócio capaz de transformar dificuldades em oportunidades e afeto em empreendedorismo.

📍 Endereço: R. Augusta, 2212 - Loja 14 - Cerqueira César São Paulo/SP – CEP: 01412-000

📍 Endereço: Av. Rouxinol, 55 - cj 505 - Moema - São Paulo/SP

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