Elefante Sandro se torna primeiro macho de santuário em MT | G1
Após anos em zoológico de SP, animal passa a viver em espaço de Chapada dos Guimarães com recinto próprio, lagos e vegetação.
Conheça o elefante Sandro, primeiro morador macho do Santuário dos elefantes em Chapada dos Guimarães (MT) — Foto: PRF
O Santuário dos Elefantes Brasil (SEB), localizado em Mato Grosso, se prepara para receber nesta sexta-feira (18) um novo morador especial: o elefante Sandro . Marcado por uma curiosidade que pode ser percebida de longe, ele se tornará o primeiro macho a viver na propriedade, que atualmente abriga seis fêmeas.
Depois de mais de quatro décadas no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), o elefante Sandro, de 54 anos, deixou a cidade nesta quarta-feira (16) com destino ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB) , na Chapada dos Guimarães (MT).
A chegada de Sandro dá início a uma nova etapa na rotina do santuário. Embora vá dividir o santuário com as fêmeas, o animal não ficará no mesmo recinto que elas. A dinâmica inclui a separação física , mas permite que eles se vejam, sintam o cheiro uns dos outros e se comuniquem por meio de vocalizações.
A decisão de manter Sandro em um espaço próprio atende a dois fatores principais: a reprodução do comportamento natural da espécie e a política de não reprodução do santuário.
Segundo o presidente do SEB, Raphael Bontempi , na natureza, machos adultos não vivem integrados às manadas, que possuem uma estrutura estritamente matriarcal.
"Os machos não vivem nas manadas. Eles vivem sós ou em pequenas manadas de machos. Quando começam a ficar adultos, as fêmeas da manada os colocam para correr. A gente tem uma sociedade matriarcal", explicou Raphael.
Outro ponto fundamental é o controle populacional . Duas das fêmeas do santuário, Guilhermina e Baby, têm idade reprodutiva compatível com a de Sandro. No entanto, o nascimento de filhotes vai contra os princípios da instituição, além de envolver regras jurídicas e de licenciamento.
"Eles são animais exóticos, ou seja, não são daqui. Então, se nasce um filhote, ele vai crescer em cativeiro. Não é uma lógica que a gente quer perpetuar. É o contrário da proposta do santuário", ressaltou o presidente.
Mesmo no recinto separado, Sandro terá contato visual constante com as fêmeas e conseguirá sentir o cheiro do grupo. Caso a interação entre eles seja positiva, a equipe estuda permitir aproximações supervisionadas.
"Ele vai ter contato visual com elas, necessariamente. Ele vai sentir todos os cheiros. E, dependendo da interação, a gente até pode colocar eles próximos da cerca juntos para tocar tromba. Jamais algum contato sem proteção", garante Raphael.
Passado em circo e isolamento em zoológico
Sandro e Haisa no zoo de Sorocaba (SP) — Foto: TV TEM/Reprodução
Antes de ter a transferência aprovada para Mato Grosso, Sandro passou boa parte da vida em cativeiro. Ele viveu em um circo e, posteriormente, foi levado para o Zoológico de Sorocaba (SP). No zoológico, dividiu o recinto durante anos com a elefanta Haisa. Com a morte da companheira, há cerca de seis anos, Sandro passou a viver completamente sozinho.
Segundo Raphael, embora já tenha convivido com outros animais da mesma espécie no passado, esta será a primeira vez que ele estará em um ambiente com tantas fêmeas por perto. Segundo ele, a expectativa da equipe do santuário é que Sandro desenvolva gradualmente maior autonomia no novo espaço, que conta com vegetação variada, terra, árvores e lago.
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