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Tuesday, September 8, 2026

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Anvisa aprova dois genéricos de liraglutida, usada em canetas para obesidade e diabetes | G1

Registros são da EMS e têm como base medicamentos que a farmacêutica já vende no país. Novas versões podem ampliar concorrência, mas preço e data de chegada às farmácias ainda não foram divulgados.

· 985 words

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou dois novos registros de medicamentos genéricos à base de liraglutida , princípio ativo usado em canetas para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

As autorizações foram concedidas à farmacêutica brasileira EMS. Os produtos terão concentração de 6 mg/mL , em solução injetável de aplicação subcutânea.

Os dois registros estão vinculados a medicamentos que a própria EMS já comercializa : Olire , indicado para obesidade, e Lirux , voltado ao diabetes tipo 2. As duas canetas foram aprovadas pela Anvisa em dezembro de 2024 e começaram a chegar às farmácias em agosto de 2025.

A diferença agora é a categoria regulatória. Os produtos aprovados são genéricos e, por isso, serão vendidos pelo nome do princípio ativo — liraglutida —, sem uma marca comercial.

A autorização abre espaço para novas opções em um mercado que ganhou concorrentes nos últimos anos, impulsionado pela procura por medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. A aprovação, porém, não significa que as novas versões estarão imediatamente disponíveis nas farmácias. A EMS ainda precisa definir o lançamento e os preços de comercialização.

Genérico para obesidade e outro para diabetes

Embora tenham o mesmo princípio ativo e a mesma concentração, os dois registros não correspondem ao mesmo tratamento.

Um deles está ligado ao processo do Olire, medicamento da EMS registrado para o tratamento da obesidade. O outro tem como matriz o Lirux, indicado para pessoas com diabetes tipo 2. Documentos anteriores da própria Anvisa identificam esses dois processos como os registros originais dos medicamentos da farmacêutica.

Isso acontece porque a mesma molécula pode ser usada em tratamentos diferentes, com esquemas de dose e indicações específicas aprovadas pela agência.

A liraglutida já está há anos no mercado brasileiro. Ela também é o princípio ativo do Saxenda, indicado para controle de peso, e do Victoza, usado no tratamento do diabetes tipo 2, ambos da Novo Nordisk.

Os novos registros incluem diferentes tamanhos de embalagem. Há apresentações com um, dois, três, cinco e até dez carpules de 3 mL, dependendo do produto. O carpule é o pequeno reservatório que contém o medicamento e é encaixado na caneta aplicadora.

Novo registro está vinculado a Olire, medicamento que a própria EMS já comercializa. — Foto: Divulgação/EMS

No documento publicado no Diário Oficial, os medicamentos aparecem como “genérico — registro de medicamento — clone”. O termo pode causar confusão, mas não significa que seja uma cópia informal ou um produto diferente do avaliado pela Anvisa.

“Clone” é o nome dado pela agência a um procedimento simplificado de registro. Ele pode ser usado quando o novo medicamento tem a mesma composição, fabricante, linha de produção e documentação técnica e clínica de outro produto que já passou pela análise completa da Anvisa, chamado de medicamento matriz.

As diferenças ficam restritas a aspectos como nome, rotulagem e informações legais da embalagem e da bula.

Neste caso, os processos usados como matriz são justamente os de Olire e Lirux.

Já a classificação como genérico estabelece outras exigências. Um genérico precisa ter o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação de seu medicamento de referência e demonstrar equivalência para que possa substituí-lo.

A chegada de genéricos tende a aumentar a competição entre fabricantes, mas o registro publicado pela Anvisa não informa quanto as novas canetas vão custar.

No Brasil, os preços máximos dos medicamentos são regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A regra atual estabelece que o Preço Fábrica de um medicamento genérico enquadrado nessa categoria não pode ultrapassar 65% do valor autorizado para o medicamento de referência.

Isso não significa, porém, que o consumidor encontrará necessariamente uma diferença de 35% na farmácia. O preço final pode variar de acordo com impostos, descontos dos laboratórios e políticas comerciais das redes.

Hoje, a CMED define um teto para o preço que pode ser cobrado no varejo, mas farmácias podem vender abaixo desse limite.

A EMS já havia ampliado a competição nesse segmento ao lançar Olire e Lirux em 2025. Na época, a empresa anunciou preços sugeridos a partir de R$ 307,26 por caneta.

A liraglutida pertence ao grupo dos agonistas do receptor de GLP-1, mesma classe de medicamentos que inclui a semaglutida, presente em Ozempic e Wegovy. As moléculas, porém, são diferentes.

O GLP-1 é um hormônio produzido pelo intestino depois da alimentação e participa do controle da glicose e do apetite. Medicamentos como a liraglutida imitam parte dessa ação.

No tratamento do diabetes, a substância ajuda o organismo a liberar insulina quando a glicose está elevada e contribui para o controle do açúcar no sangue.

Ela também atua em regiões do cérebro relacionadas à fome e à saciedade e retarda o esvaziamento do estômago. Essa combinação reduz a ingestão de alimentos e ajuda no controle do peso.

Uma diferença em relação a algumas das canetas mais recentes é a frequência de aplicação. A liraglutida é administrada diariamente, enquanto medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida têm apresentações de uso semanal.

Apesar de serem frequentemente chamadas de “canetas emagrecedoras”, as diferentes moléculas dessa classe não têm as mesmas indicações, doses ou resultados e não devem ser usadas como se fossem equivalentes entre si.

Desde 2025, medicamentos agonistas de GLP-1 só podem ser vendidos no Brasil mediante apresentação de receita médica, que fica retida na farmácia. A mudança foi adotada pela Anvisa diante do aumento do uso desses produtos sem acompanhamento adequado.

Em fevereiro deste ano, a agência voltou a alertar para riscos relacionados ao uso indevido da classe, entre eles a pancreatite aguda, uma inflamação do pâncreas que já aparece entre as possíveis reações adversas descritas nas bulas.

Com os novos registros, a liraglutida passa a ganhar mais uma frente de concorrência no país. O impacto para quem usa esses medicamentos, porém, dependerá agora de duas informações que ainda não aparecem na decisão da Anvisa: quando os genéricos chegarão às farmácias e por quanto serão vendidos.

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