Qual o futuro dos concursos públicos? Veja o que propõem Lula e Flávio | G1
Dados do governo mostram diferenças no ritmo de autorização de vagas desde 2016. Planos de Lula e Flávio apresentam propostas distintas para o funcionalismo, mas não estabelecem metas para novos concursos.
Lula e Flávio Bolsonaro — Foto: Amanda Perobelli/Reuters e Evaristo Sá/AFP
Milhões de brasileiros sonham com uma vaga no serviço público e dedicam anos de estudo para conseguir a aprovação em concursos.
A abertura de novos concursos públicos e a autorização para preencher cargos dependem, entre outros fatores, das necessidades de pessoal dos órgãos , das decisões do governo e da disponibilidade de recursos no orçamento.
Na disputa pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as propostas dos candidatos para a administração pública apontam possíveis caminhos diferentes para as contratações no serviço público federal.
O g1 analisou o histórico recente de contratações e os planos de governo dos candidatos, além de pedir esclarecimentos às campanhas.
Nenhum dos dois programas estabelece metas específicas para o número de concursos públicos federais a serem realizados no próximo mandato. Por isso, os documentos não permitem prever, por si só, quantos concursos serão abertos nos próximos anos.
Veja abaixo o que se sabe e os principais pontos.
Como foi o histórico recente de concursos
Para os concurseiros, o serviço público tem dois grandes atrativos:
Alguns concursos oferecem salários superiores a R$ 30 mil , além de benefícios que variam conforme o órgão e a carreira.
Servidores nomeados para cargos efetivos por meio de concurso público podem adquirir estabilidade após três anos de trabalho , desde que cumpram os requisitos legais.
Os números recentes mostram quantos provimentos de cargos públicos federais foram autorizados nos últimos três governos.
🔎 O que é provimento? É o ato administrativo que formaliza o preenchimento de um cargo público. No caso dos concursos, as autorizações permitem que os órgãos avancem na nomeação dos candidatos aprovados, seguindo as regras previstas em lei. O número de provimentos autorizados não significa necessariamente que todos os candidatos já tenham tomado posse.
Os dados foram fornecidos pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O levantamento considera tanto as vagas previstas nos editais quanto as vagas adicionais ou excepcionais autorizadas posteriormente.
Entre 2016 e 2018, durante o governo de Michel Temer , foram autorizados 4.334 provimentos em 15 órgãos da administração pública federal.
Entre 2019 e 2022, o governo Jair Bolsonaro autorizou 10.012 provimentos em 14 órgãos federais.
Já entre 2023 e setembro de 2026, durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva , foram autorizados 25.767 provimentos em 104 órgãos federais.
Histórico anual de provimentos autorizados
Para 2027, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso Nacional prevê R$ 1,3 bilhão para despesas com pessoal relacionadas a concursos e novas contratações no Poder Executivo federal, além de R$ 1,2 bilhão destinados a concursos e contratações em instituições federais de ensino.
Segundo o MGI, esses valores representam uma autorização para gastar , não uma garantia de que os recursos serão utilizados. A liberação do dinheiro dependerá de decisões tomadas a partir de janeiro de 2027.
Para entender o que pode acontecer nos próximos anos, veja o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para a administração pública.
Os programas de governo dos dois candidatos não detalham como seriam realizados os concursos, como a organização das provas, a escolha das bancas examinadoras ou a publicação de editais específicos. No entanto, apresentam propostas que podem influenciar a estrutura do serviço público e a realização de concursos nos próximos anos.
Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Foto: Vittor Sales
O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) prevê uma reforma administrativa voltada à modernização da estrutura do Estado e das carreiras do funcionalismo público. (entenda as principais propostas do candidato)
O documento afirma que a proposta busca tornar a administração pública mais eficiente e revisar normas e procedimentos considerados excessivamente burocráticos.
Entre as medidas previstas estão o corte de pelo menos 10 ministérios, a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas. O plano também defende o combate aos chamados supersalários e penduricalhos no serviço público.
O candidato propõe ampliar a profissionalização da gestão pública. Segundo o documento, cargos de direção em órgãos públicos, empresas estatais e agências reguladoras devem ser ocupados com base em critérios técnicos, com recrutamento inspirado em práticas do mercado privado e menor influência de indicações políticas.
O plano prevê ainda o fortalecimento da Lei das Estatais e a adoção de processos de seleção focados na qualificação profissional.
O plano, porém, não detalha alterações específicas para a realização de concursos. O documento também defende avaliações periódicas de desempenho e uma administração orientada por metas e resultados. (veja outras propostas do candidato para o funcionalismo público)
Em relação às empresas públicas, o plano prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização (PND). A proposta é avaliar, caso a caso, quais atividades ainda justificam a presença direta do Estado.
Ao mesmo tempo, o documento afirma que empresas que permanecerem sob controle público deverão adotar regras de governança corporativa e processos de recrutamento profissional para cargos de liderança.
Em nota enviada ao g1 , a assessoria do candidato disse que "os concursos públicos federais serão mantidos e realizados de acordo com as necessidades e demandas para aperfeiçoar o atendimento à população, sempre priorizando a eficiência dos serviços prestados".
"Durante o período de transição e, ao longo do governo, serão realizadas análises sobre quantidade de vagas em diferentes setores, com base em estudos técnicos e a modernização da administração pública", completou.
O que propõe Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, participa da cerimônia de encerramento de uma reunião conjunta das bancadas do PT no Congresso, antes do segundo turno das eleições, em Brasília, Brasil, em 7 de outubro de 2026 — Foto: REUTERS/Adriano Machado
O programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a continuidade da valorização do funcionalismo público e a ampliação das políticas de gestão de pessoas na administração federal. (entenda as principais propostas do candidato)
O texto destaca a retomada do diálogo com os servidores e prevê o aprofundamento das medidas adotadas desde 2023 para a reestruturação de carreiras e a modernização do Estado.
Uma das principais propostas é o fortalecimento da Mesa Nacional de Negociação Permanente, espaço de diálogo entre o governo e representantes dos servidores. Segundo o programa, o objetivo é dar continuidade às discussões sobre carreiras, remuneração e gestão de pessoas no Executivo federal.
O documento também prevê a regulamentação do direito à negociação coletiva no setor público e a atualização do sistema de relações de trabalho. A proposta é ampliar os mecanismos de diálogo entre o governo e as categorias do funcionalismo.
O texto também prevê ações de capacitação de servidores e compartilhamento de infraestrutura digital e tecnologias entre os entes federativos.
O plano prevê ainda a continuidade das políticas de promoção da igualdade racial no serviço público. Segundo o documento, serão mantidas e ampliadas ações voltadas à participação da população negra no funcionalismo, especialmente em cargos de gestão e liderança.
O programa também defende o fortalecimento da política de cotas para pessoas negras, indígenas e quilombolas nos concursos públicos.
Embora o texto não apresente metas específicas para novos concursos, a proposta do PT prevê a valorização das carreiras públicas, a continuidade da recomposição da força de trabalho federal e o fortalecimento dos serviços prestados pelo Estado.
Em nota enviada ao g1 , a assessoria do candidato disse que vai manter e ampliar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e dar continuidade à realização de concursos públicos para repor servidores e atender áreas como saúde, educação, combate ao desmatamento e agências reguladoras.
A proposta também prevê aprimorar o dimensionamento da força de trabalho nos órgãos públicos, considerando as necessidades de contratação e os impactos de novas tecnologias e da inteligência artificial.
Além disso, a assessoria afirmou que pretende manter seleções centralizadas e investir em carreiras transversais, cujos profissionais podem atuar em diferentes órgãos e ministérios, conforme as prioridades do governo. (veja a nota completa abaixo)
"Vamos manter e ampliar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado, inovador e inclusivo, que representa um benefício para todos os envolvidos. O modelo permite aliar um aumento da eficiência no uso dos recursos públicos, ampliar a diversidade nas seleções e trazê-la para dentro do Estado brasileiro, o que ajuda na formulação de políticas públicas em função das diferentes realidades que existem em nosso país. Os candidatos pagam só uma inscrição e fazem só uma prova. Os órgãos não precisam cada um organizar seu concurso, o que reduz tempo e recursos. Além disso, conseguimos aplicar provas no Brasil todo, do Oiapoque ao Chuí, e assegurar a aplicação efetiva da Lei de Cotas. Nossa ideia, inclusive, é estudar o uso desse modelo para selecionar profissionais também para estados e municípios de forma integrada, numa prova só, a ser realizada periodicamente – uma vez por ano ou uma vez a cada dois anos, a depender de como avançarmos no modelo.
A política será de continuidade em relação ao praticado na gestão atual do presidente Lula. Vamos continuar fazendo concursos para garantir a manutenção e ampliação das políticas públicas de saúde, educação, combate ao desmatamento, suporte aos investimentos produtivos, via reforço da atuação das agências reguladoras, entre outras áreas fundamentais para o funcionamento do Estado e atendimento à população. No primeiro mandato foi autorizado o provimento de 25 mil vagas para 104 cargos, e também ingressaram cerca de 30 mil profissionais na área de educação. Ao mesmo tempo, cerca de 30 mil pessoas se aposentaram, sendo 12 mil na área de educação. E todo trabalho de recomposição foi feito com responsabilidade fiscal, pois o gasto de pessoal se manteve estável em 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Para dar continuidade, um dos passos é aprimorar o trabalho (que já é feito) de dimensionamento da força de trabalho (DFT) para ter noção cada vez mais acurada da real necessidade de quais e quantos profissionais os órgãos necessitam. Isso é especialmente importante em função da introdução de novas tecnologias e da Inteligência Artificial (IA), que demandam um novo perfil profissional. O segundo passo é dar continuidade ao modelo de seleção centralizada do Concurso Público Nacional Unificado, que deve ser feito periodicamente, garantindo a reposição da força de trabalho, sem quebras geracionais. O terceiro elemento é seguir investindo em carreiras de caráter transversal, isto é, que podem atuar em mais de um órgão ou ministério, sendo realocadas conforme as prioridades políticas e eventuais contingências demandem".
"Os concursos públicos federais serão mantidos e realizados de acordo com as necessidades e demandas para aperfeiçoar o atendimento à população, sempre priorizando a eficiência dos serviços prestados. Durante o período de transição e, ao longo do governo, serão realizadas análises sobre quantidade de vagas em diferentes setores, com base em estudos técnicos e a modernização da administração pública".
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