Nível do rio Branco cai mais de 10 centímetros em uma semana | G1
Queda ocorre durante a estiagem. Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) prevê perfurar poços e orienta moradores a evitar desperdício.
Ponte dos Macuxis, no Rio Branco, em setembro de 2026. — Foto: Ronny Alcântara/Rede Amazônica
O nível do rio Branco, principal de Roraima, caiu cerca de 15 centímetros na última semana , em Boa Vista , e chegou a menos de 50 centímetros. Os dados são do Setor Operacional de Monitoramento da Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer).
Nesta segunda-feira (19), o rio chegou a marcar 45 centímetros na capital , contra 60 centímetros registrados em 12 de outubro, com base na régua que mede o nível do rio. Em Caracaraí, no Sul do estado, o nível também baixou no período, de 1,18 metro para 92 centímetros.
A queda no nível do rio ocorre durante a estiagem em Roraima, que está em situação de emergência desde setembro de 2026 . Atualmente, Roraima está no período de seca , que tradicionalmente ocorre de outubro a março.
Ao g1 , o diretor de Tecnologia e Sistemas de Água da Caer, Danque Esbell, afirmou que a companhia está preparada para enfrentar a estiagem. No entanto, a queda do nível do rio e da água nos poços exige mais esforço dos equipamentos de bombeamento para captar e distribuir a água.
Esse processo reduz a pressão nas redes de abastecimento.
"Toda essa baixa no nível faz com que as nossas bombas reduzam a produção, porque o esforço para enviar essa água é maior. Mas nós temos o plano de contingência e estamos seguindo de acordo com a necessidade. Fizemos um estudo de cenários e encontramos as melhores soluções para enfrentar esse problema", explicou Danque Esbell.
Danque Esbell, diretor de Tecnologia e Sistemas de Água da Companhia de Águas e Esgotos de Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR
Para manter o abastecimento durante a estiagem, a Companhia de Águas executa um plano de contingência que prevê a perfuração de ao menos dez novos poços artesianos em Boa Vista e outros 15 no interior.
Na capital, os trabalhos incluem os bairros São Bento, Pintolândia e João de Barro, além de localidades próximas, como Santa Luzia e Senador Hélio Campos, na zona Oeste.
Além disso, a companhia também preparou uma estrutura móvel equipada com uma bomba de 300 cavalos-vapor (CV). O equipamento poderá se deslocar pelo leito do rio para captar água caso o nível do rio Branco continue caindo.
O calor também aumenta o consumo de água e pode comprometer o abastecimento em regiões mais afastadas, principalmente nos horários de maior demanda, segundo o diretor da Caer.
"Essa redução de pressão não é só pelo fato de a bomba ter reduzido a produtividade, mas principalmente pelo excesso de consumo. Com o calor, é normal as pessoas começarem a consumir mais água e usá-la para outros fins".
Em Pacaraima, no Norte do estado, o manancial local costuma apresentar períodos sem água durante o verão. Para manter o abastecimento no município, a Caer adota a distribuição por caminhões-pipa , captação em fontes alternativas e a reservação noturna de água para tratamento e distribuição ao longo do dia.
A Caer orienta os moradores a economizar água e evitar desperdícios. A companhia também recomenda, se possível, a instalação de caixas-d'água nas residências para reduzir os impactos da queda de pressão nos horários de maior consumo.
"Todos esses esforços que a Caer tem feito para enfrentar essa severa estiagem não são eficazes se não tiver a participação efetiva da população. A população precisa usar água com racionalidade", alertou o diretor.
Roraima está sob decreto de situação de emergência desde 2 de setembro. O decreto tem validade de 180 dias e permite que o estado adote ações mais rápidas contra a estiagem. As medidas são coordenadas por um gabinete de crise que reúne 19 órgãos estaduais.
Em 7 de outubro, a Caer anunciou a perfuração de novos poços artesianos e o uso de caminhões-pipa para manter o abastecimento em Boa Vista e reduzir os problemas de fornecimento em municípios do interior.
Três dias depois, o governo estadual suspendeu as autorizações para uso do fogo controlado para frear os incêndios durante a seca que atinge o estado. De janeiro até o último domingo, o estado havia registrado 2.223 focos de calor. O número é 44% maior que o registrado durante todo o ano passado .
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima .
Topics in this story
Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.