Força Nacional vai permanecer em aldeias indígenas de MS | G1
Patrulhamento reúne 145 agentes que estão em três aldeias de Mato Grosso do Sul desde a quinta-feira (29) após denúncias de ameaças e agressões contra o povo Guarani-Kaiowá. Comitiva composta por três ministérios visitaram o estado para acompanhar a situação.
A Força Nacional de Segurança Pública, que está realizando patrulhamento em três comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul desde a quinta-feira (29) , deve permanecer em tempo indeterminado nas aldeias. A informação foi confirmada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, neste sábado (31).
O patrulhamento é feito nas aldeias Sassoró, em Tacuru , aldeia Taquaperi, em Coronel Sapucaia e Limão Verde, em Amambai . Conforme o ministro, 145 agentes estão concentrados nas três comunidades.
A mobilização acontece após denúncias de ameças e violência contra o povo Guarani-Kaiowá . Estão envolvidos no acompanhamento da situação os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e da Cidadania.
O Ministério da Justiça também solicitou às corregedorias dos estados e do Distrito Federal o envio de denúncias para centralizar as informações e facilitar as investigações.
Força Nacional atua em situações de risco
Criada em 2004, a Força Nacional de Segurança Pública reúne policiais militares e bombeiros de diferentes estados, selecionados e treinados para atuar em situações de emergência e reforçar a segurança pública.
A equipe pode ser enviada a estados e regiões onde há necessidade de reforço policial, inclusive em situações de conflito em terras indígenas. Nesses casos, a atuação busca preservar a ordem pública, evitar o aumento da violência e proteger as comunidades.
Ameaça de envenenamento da água em Tacuru
A mobilização ocorre após a divulgação de áudios com ameaças contra moradores da Aldeia Sassoró , em Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul.
As gravações começaram a circular após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em grupos de WhatsApp. Em uma das falas atribuídas a um servidor da prefeitura, que não teve o nome divulgado, há referência à possibilidade de colocar veneno na água consumida pelos indígenas.
O áudio também contém a expressão: "Tem que matar essas pragas na água", em referência aos moradores da comunidade.
"Ontem já foram ouvidas essas pessoas, confirmaram a prática dos áudios, mas reafirmaram que foi questão de bebedeira e uma questão de aquecimento da questão política logo após o resultado da eleição, mas que não tinha intuito de materializar a ameaça", explicou o diretor Humberto Freira.
Comitiva composta por ministério e autoridades nacionais visita aldeias em Mato Grosso do Sul. — Foto: Rony Eloy
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Melo, além do ministro Wellington César Lima e Silva. da Justiça e Segurança Pública, estiveram em Mato Grosso do Sul neste sábado (31) para acompanhar de perto a situação dos indígenas do sul do estado.
Pela manhã, a comitiva visitou a aldeia Taquaperi, na região de fronteira com o Paraguai. Durante a tarde, o grupo esteve na aldeia Sassoró, em Tacuru, onde indígenas Guarani-Kaiowá foram alvos das ameaças dos dois servidores sobre envenamento.
O grupo chegou ao estado na noite de sexta-feira (30) e passou a noite em Dourados.
Também acompanham a comitiva as deputadas federais Sonia Guajajara e Célia Xakriabá, além de outros parlamentares de Mato Grosso do Sul. A ideia é ouvir lideranças sobre a situação.
Além do caso de Tacuru, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) relatou outros episódios de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul após as eleições.
Entre as denúncias estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas. A entidade também mencionou suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Tacuru e Nioaque.
A APIB encaminhou denúncias ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e a órgãos do governo federal. A organização pediu a investigação dos episódios e a adoção de medidas para proteger as comunidades.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) afirmou que não procede a informação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no estado. Em nota, informou que as forças de segurança atuam quando acionadas para preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas.
Insegurança marca rotina de indígenas em aldeia de MS — Foto: Arte g1
Após ameaça de veneno na água, Força Nacional patrulha aldeias de MS — Foto: Ministério dos Povos Indígenas
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