Amazônia 1B: Brasil prepara transporte de novo satélite no KC-390 | G1
Saiba como está a preparação para o lançamento do Amazônia 1B, satélite desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que vai monitorar a Terra.
Uma carga de aproximadamente 13 toneladas, um avião fabricado no Brasil e uma operação que exige planejamento. Esses são alguns dos elementos envolvidos na preparação para o lançamento do Amazônia 1B, satélite desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que vai monitorar a Terra.
Uma simulação realizada no aeroporto de São José dos Campos , no interior de São Paulo, confirmou que o KC-390, aeronave fabricada pela Embraer e operada pela Força Aérea Brasileira (FAB), pode transportar o contêiner que levará o satélite até a base de lançamento na Guiana Francesa.
O lançamento está previsto para setembro de 2027. Cerca de 30 pessoas participaram da simulação, entre profissionais do Inpe, da FAB e do aeroporto. O teste foi feito com o contêiner vazio.
“Para nós, foi tudo positivo, porque confirmou que o KC-390 pode ser utilizado”, afirmou Adenilson Roberto da Silva, coordenador-geral de Engenharia, Tecnologia e Ciências Espaciais do Inpe.
Contêiner do satélite Amazônia 1B ao lado de avião KC-390 da FAB, em São José dos Campos. — Foto: Divulgação/Inpe
Segundo Adenilson, o contêiner pesa mais de 7 toneladas, enquanto o satélite tem aproximadamente 638 quilos. A estrutura precisa proteger o equipamento contra variações de temperatura e vibrações durante o transporte.
“É um objeto muito sensível. O contêiner tem que ter proteção térmica, tem que proteger contra vibração, contra essas coisas todas, para não estragar ou danificar o satélite”, explicou.
O transporte por rodovias também exige cuidados. De acordo com o coordenador, o contêiner precisa ser deslocado a uma velocidade entre 20 km/h e 30 km/h.
A escolha de São José dos Campos está relacionada à proximidade com as equipes envolvidas no projeto e à previsão de uso do KC-390, aeronave desenvolvida no Brasil.
O avião, segundo a Embraer, é uma aeronave militar multimissão com capacidade para transportar até 26 toneladas de carga. O avião é utilizado em operações de transporte de tropas, reabastecimento em voo e missões humanitárias, e foi selecionado por forças aéreas de diversos países.
Avião da FAB usado em simulação de transporte do satélite. — Foto: Divulgação/Inpe
Próxima etapa será o transporte do satélite
A simulação serviu para verificar se o contêiner poderia ser acomodado no compartimento de carga do avião. Segundo Adenilson, não há outros testes previstos no aeroporto neste momento.
A próxima operação deve ser o transporte efetivo, com o satélite dentro do contêiner e os equipamentos necessários para os testes. A carga completa deve somar aproximadamente 13 toneladas e seguirá de São José dos Campos para a Guiana Francesa.
O planejamento é diferente do adotado para o Amazônia 1, lançado em fevereiro de 2021. Na ocasião, o satélite foi transportado para a Índia em um avião Boeing, de maior porte.
Desta vez, a base de lançamento fica mais próxima do Brasil, e a quantidade de equipamentos a transportar é menor, segundo o coordenador.
Satélite terá tecnologia inédita no Brasil
O Amazônia 1B será o segundo satélite da família Amazônia desenvolvida pelo Inpe. Além de obter imagens da Terra, ele contará com uma tecnologia chamada reflectometria de sinais de navegação, conhecida em inglês como GNSS Reflectometry.
A técnica utiliza sinais de sistemas de navegação refletidos pela superfície terrestre para obter informações ambientais. Segundo Adenilson, ela permitirá estimar dados como umidade do solo e do ar, ventos na superfície dos oceanos e características de regiões alagadas e áreas de permafrost, terrenos que permanecem congelados por longos períodos.
“É realmente uma tecnologia nova no mundo como um todo e, para nós aqui no Brasil, é inédita, porque é a primeira vez que está sendo utilizada”, afirmou.
Satélite Amazônia 1B, desenvolvido pelo Inpe. — Foto: Divulação/Inpe
A preparação para o lançamento também destaca a participação do Vale do Paraíba no desenvolvimento de tecnologia espacial brasileira.
O Inpe, responsável pelo projeto, pela integração e pelos testes do satélite, fica em São José dos Campos. A região também reúne empresas que produzem equipamentos e subsistemas utilizados em projetos espaciais.
Para Adenilson, a missão reúne diferentes etapas da indústria nacional, com tecnologia brasileira, equipamentos fabricados no país, uma aeronave desenvolvida pela Embraer e a atuação da Força Aérea Brasileira.
A expectativa é que o transporte para a Guiana Francesa ocorra em 2027, antes do lançamento do Amazônia 1B.
Satélite Amazônia 1B e contêiner que será usado no transporte do equipamento até a Guiana Francesa — Foto: Divulação/Inpe
Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
Topics in this story
Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.