Produção de veículos cai em setembro, mas vendas sobem; veja dados. | G1
Anfavea mudou estimativa para 3,1 milhões de veículos em 2026, melhor resultado desde 2014. Brasil enfrenta queda nas exportações e aumento de importados e modelos montados em CKD.
Linha de montagem da fábrica da Volkswagen em Taubaté (SP) — Foto: divulgação/Volkswagen
A produção de veículos no Brasil caiu 1,1% em setembro , na comparação com agosto, enquanto as vendas de veículos novos subiram 2,3% , segundo dados divulgados nesta quarta-feira (7) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Na comparação com setembro do ano passado, porém, a produção cresceu 10,2%, para 268,3 mil veículos.
O número inclui carros , veículos comerciais leves , caminhões e ônibus . No acumulado de janeiro a setembro, a produção aumentou 8,7%, para 2,17 milhões de veículos.
As vendas de veículos novos , medidas pelo número de veículos licenciados, também cresceram na comparação anual. Em setembro, foram 281,4 mil unidades, alta de 15,7% ante o mesmo mês de 2025.
Com isso, as vendas acumulam alta de 18,1% no ano, para 2,26 milhões de veículos.
No comércio exterior , as exportações de veículos caíram 24,2% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 39,8 mil unidades.
Já as importações aumentaram 34,9% na mesma comparação, para 57.196 veículos.
A Anfavea revisou para cima as projeções de fechamento de 2026 para a venda e a produção de veículos no Brasil. A expectativa atual é de que o mercado nacional alcance 3,1 milhões de unidades emplacadas no ano.
Com a confirmação da estimativa, o crescimento será de 15,2% em relação a 2025 , um índice superior aos 2,7% previstos no início do ano. O patamar de vendas esperado não é atingido desde 2014 .
A produção nacional de autoveículos também deve registrar alta e chegar a um volume superior a 2,8 milhões de unidades, o melhor resultado desde 2019.
A projeção de crescimento da fabricação passou para 6,7% na comparação com o ano anterior. Essa taxa já havia sido ajustada de 3,7% para 5,8% em julho.
O resultado anual é impulsionado pelo desempenho registrado no terceiro trimestre .
Linha de montagem na fábrica da GM em São Caetano do Sul (SP) — Foto: divulgação/GM
O avanço do mercado interno é liderado pelos segmentos de automóveis e comerciais leves , que possuem expectativa de crescimento de 16,4% no ano. No acumulado de 2026, as vendas de automóveis subiram 22,5%.
O desempenho teve o acréscimo de 84 mil unidades no segmento de entrada, motivado pelo programa Carro Sustentáve l. O avanço dos veículos eletrificados gerou outras 242 mil unidades vendidas, com os elétricos puros triplicando suas vendas.
Atualmente, os eletrificados representam 20,1% de todos os registros de veículos leves zero quilômetro.
O segmento de veículos pesados segue no sentido oposto e deve encerrar o ano com retração de 6,5% . No mercado externo, as exportações também receberam uma revisão negativa e devem fechar 2026 com queda de 17,7%.
O recuo é reflexo da retração do mercado argentino e da maior presença de veículos chineses nos países da América do Sul. De janeiro a setembro, o Brasil exportou 334 mil unidades, o que representa uma queda acumulada de 23%.
O cenário provocou um déficit expressivo na balança comercial brasileira do setor automotivo . O país registrou o ingresso de 463,9 mil autoveículos no ano, um aumento de 30,4% nas importações.
Os veículos de origem chinesa correspondem a 55% desse total e já ocupam 11,3% de participação no mercado nacional.
Fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador — Foto: Malu Vieira/ g1 BA
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que o aquecimento do mercado doméstico impulsiona a produção e a geração de empregos no momento. O executivo alertou, no entanto, para os reflexos da alta das importações e do recuo das exportações.
Calvet explicou que parte da alta na produção ocorre por meio da montagem de veículos totalmente desmontados, importados da China, conhecidos pela sigla SKD , que empregam pouca mão de obra e não utilizam o parque de autopeças nacional.
Das 173 mil unidades adicionais produzidas no país neste ano em relação a 2025, 123 mil são provenientes de montagem SKD e CKD.
Calvet acredita que, independentemente do que vai acontecer na eleição, qualquer governo que assumir deve ter uma agenda de ajuste fiscal.
Segundo o executivo, a agenda de ajuste fiscal é necessária para o país. E não importa, diz Calvet, se com mais ou menos ímpeto e velocidade.
"A Anfavea sempre trabalhou com os governos, não importa se são de direita ou se são de esquerda", disse Calvet.
O presidente da Anfavea também disse que a entidade não se posiciona na corrida eleitoral entre os candidatos a presidente.
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