Estado 'espelho' do Brasil, MG entra no foco de Lula e Flávio | G1
Enquanto petista busca virada em MG, candidato do PL quer ampliar a vantagem obtida em 4 de outubro.
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em atos de campanha. — Foto: Reuters
Estado decisivo para o resultado das eleições e considerado um "espelho" do país ( entenda abaixo ), Minas Gerais entrou no foco das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da corrida presidencial.
Enquanto o petista busca a virada em MG, onde venceu em 2022 com 48,29% dos votos , o candidato do PL quer ampliar a vantagem obtida em 4 de outubro, quando teve 48,24% dos votos, contra 43,33% de Lula. Para ganhar votos, eles contam com o apoio de aliados eleitos no estado e com a mobilização popular, nas ruas e nas redes.
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e, desde a primeira eleição pós-redemocratização, em 1989, reflete o resultado nacional. Todos os presidentes eleitos no Brasil venceram no estado, que se tornou um ponto de atenção das campanhas.
"O primeiro fator é quantitativo. Minas tem um estoque de votos significativo. O segundo tem relação com a peculiaridade do estado, que já é altamente conhecido por ser um microcosmo da eleição no plano nacional. [...] Então, é natural que os candidatos foquem em Minas para buscar votos", afirmou Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD).
O vídeo abaixo, de 21 de setembro, explica por que Minas é considerado espelho do Brasil nas eleições:
Minas Gerais também é apontado por estudiosos como um "estado pêndulo", devido ao fato de que os eleitores têm mudado entre um lado e outro do campo político nos últimos 30 anos.
No primeiro turno da votação deste ano, cerca de 22% dos eleitores de MG não compareceram às urnas – 3.735.098 abstenções foram registradas. Em todo o Brasil, o índice de abstenção foi de 21,08%, um recorde .
"Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras. Lula, por sua vez, foi mais votado em mais municípios. Isso mostra que há mapas eleitorais diferentes dentro de Minas e ajuda a explicar por que os dois querem voltar: cada campanha tenta ampliar sua vantagem onde já tem força e reduzir a distância onde está atrás", avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Esta reportagem mostra a campanha presidencial em Minas Gerais a partir dos seguintes pontos:
Importância de aliados para atrair votos
Atos e mobilizações populares pelo estado
Lula visitou o estado pela primeira vez depois de 4 de outubro nesta sexta-feira (16). Ele escolheu começar por Juiz de Fora, a única entre as dez maiores cidades de MG onde o presidente venceu no primeiro turno, com 49,58% dos votos, contra 41,53% de Flávio . Ele participou de uma caminhada, acompanhado da prefeita Margarida Salomão (PT) e da senadora eleita Marília Campos (PT ).
Depois, no mesmo dia, o petista visitou Ipatinga, no Vale do Aço, onde terminou o primeiro turno com 31,47% dos votos, ante 61,11% de Flávio . Marília Campos também acompanhou a agenda. A senadora eleita, ex-prefeita de Contagem, tornou-se uma peça importante da campanha de Lula em Minas Gerais. Ela recebeu 3.990.864 votos .
Deputados federais do campo progressista eleitos no estado também têm participado ativamente da corrida do presidente pela reeleição. É o caso, por exemplo, de Ana Elisa (PT), a segunda parlamentar mais votada em MG , com forte presença nas redes sociais, e de André Janones (Rede), criador do canal de WhatsApp "Exército do Lula", que já acumula mais de 4,2 milhões de seguidores .
Lula fez campanha em Juiz de Fora (MG) nesta sexta-feira (16) — Foto: Nayara de Paula/TV Integração
Flávio Bolsonaro também esteve em Minas Gerais nesta semana. Na quinta-feira (15), ele participou de um ato em Capelinha , uma das poucas cidades do Vale do Jequitinhonha onde venceu no primeiro turno. Ele obteve 48,20% dos votos no município, e Lula, 44,39%.
O candidato estava acompanhado do senador eleito Domingos Sávio (PL) e de Nikolas Ferreira (PL), deputado federal mais votado do Brasil, com 3.118.784 votos. Fenômeno nas redes sociais, Nikolas é um dos principais nomes à frente da campanha bolsonarista e deve se dedicar nos próximos dias a atos a favor de Flávio em diversas cidades do país.
A previsão era a de que o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), também participasse da agenda, mas ele passou mal na quinta-feira após discursar no Senado e não foi ao evento.
Cleitinho é outro aliado importante do candidato do PL no segundo turno. Ele declarou apoio a Flávio publicamente e tem postado vídeos nas redes pedindo votos para o presidenciável, que ainda deve retornar a Minas Gerais antes de 25 de outubro.
Flávio Bolsonaro faz campanha em Capelinha, MG — Foto: Reprodução/Inter TV
Na avaliação de Felipe Nunes, o apoio de políticos eleitos pode fortalecer Lula e Flávio, mas a conquista de novos eleitores depende de outros fatores.
"A presença deles pode dar capilaridade às campanhas, mobilizar apoiadores e ajudar a levar a mensagem dos candidatos a públicos locais. Mas não existe transferência automática de votos: o efeito depende da identificação dos eleitores com essas lideranças e da capacidade de transformar apoio em voto e comparecimento às urnas", afirmou.
Para o professor Camilo Aggio, Flávio tem vantagem em relação aos apoios devido, principalmente, ao papel de Nikolas Ferreira e do governador eleito, Cleitinho Azevedo.
"Embora eu tenda a achar que o apoio de Nikolas e de Cleitinho seja mais importante pela visibilidade digital que os dois conquistaram, essa associação é um grande ativo para a campanha de Flávio. [...] O PT tem um pouco mais de fragilidade. Embora Marília Campos tenha sido eleita, ainda há uma rejeição muito grande à sigla em Minas Gerais", pontuou.
Ele destacou, no entanto, que mesmo diante do cenário de rejeição, Lula conseguiu vencer no estado e ser eleito presidente em 2022.
"O Lula é um sujeito que consegue fazer alianças politicas fortes, significativas. [...] A minha aposta é que a campanha dele deve investir muito em Minas nessa reta final", falou.
Desde o início da corrida para o segundo turno, eleitores têm se mobilizado em manifestações e atos nas ruas.
Entre os atos pró-Lula, o maior ocorreu no dia 9 de outubro , na Praça Afonso Arinos, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Apoiadores passaram por algumas das principais ruas e avenidas do Centro da capital mineira.
No dia anterior, manifestantes se reuniram em Juiz de Fora , em Uberaba e em Uberlândia , no Triângulo Mineiro, e também em Divinópolis , no Centro-Oeste.
Na última quinta-feira (15), mais uma mobilização foi realizada na capital mineira , no campus da UFMG, na Pampulha, com a presença de Ana Elisa, André Janones, Duda Salabert (PSOL) e outros parlamentares.
Na noite desta sexta-feira (16), um ato a favor de Flávio Bolsonaro foi realizado em Nanuque, no Vale do Mucuri, com a participação de Nikolas Ferreira.
O professor Camilo Aggio acredita que a mobilização nas ruas, por si só, não é suficiente para ganhar votos, mas é importante para engajar os eleitores.
"Ela existe para energizar as bases, dar uma certa esperança, apontar caminhos e convencer as pessoas de que é possível. Quando o sujeito acha que tem chances, a tendência é se mobilizar mais. E, obviamente, essas mobilizações servem para criar conteúdo para o digital. A pessoa que está nas ruas também está postando nas redes", afirmou.
Felipe Nunes concorda que os atos ajudam a dar visibilidade à campanha, animar apoiadores e influenciar a conversa pública. Para ele, também podem estimular a participação no dia da eleição.
"Em Minas, pela dimensão do estado e pela diversidade de seus eleitorados, a mobilização precisa se converter em presença e apoio em diferentes regiões", falou.
Embora Lula tenha vencido na maior parte dos municípios mineiros (452 de 853), no somatório dos votos do estado ele terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, que liderou em 401 cidades.
O candidato do PL ficou na frente em nove das dez maiores cidades de Minas Gerais: Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros, Uberaba, Governador Valadares, Ribeirão das Neves e Ipatinga. Lula se saiu melhor em Juiz de Fora (veja detalhes no infográfico abaixo) .
Infográfico mostra resultados das eleições presidenciais em MG no 1º turno — Foto: Kayan Albertin - Arte/g1
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