El Niño e La Niña no vestibular Unicamp: dicas e o que estudar | G1
Professora de geografia explica como os fenômenos climáticos afetam o Brasil, quais conceitos podem ser cobrados e o que observar em mapas, gráficos e tabelas.
El Niño e La Niña: o que revisar e como aplicar para o vestibular da Unicamp — Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
El Niño e La Niña estão entre os temas que podem aparecer na 1ª fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), marcada para o dia 18 de outubro .
Segundo a professora de geografia Rafaela Locali, do colégio Oficina do Estudante, os fenômenos costumam ser cobrados em questões que relacionam clima, sociedade, economia e meio ambiente .
🌦️ A seguir, veja os principais pontos para revisar:
Impactos no Brasil e consequências socioeconômicas
📚 Esta reportagem compõe o projeto Vestibulou , uma iniciativa do g1 Campinas para divulgar informações relacionadas aos principais vestibulares e ajudar na preparação dos estudantes.
🤔 Mas, afinal, o que são esses fenômenos?
El Niño e La Niña são fenômenos climáticos associados às mudanças na temperatura das águas do Oceano Pacífico e à intensidade dos ventos alísios – ventos constantes que sopram das regiões subtropicais em direção à linha do Equador. Segundo Rafaela Locali, a ciência ainda não explica completamente por que essas alterações ocorrem.
O El Niño ocorre quando os ventos alísios enfraquecem no Oceano Pacífico. Com menos força, eles deixam de empurrar as águas superficiais quentes, favorecendo o aquecimento anormal do oceano.
Em condições normais, esses ventos deslocam a água quente da superfície e permitem a subida de águas frias das camadas mais profundas. Esse processo é chamado de ressurgência.
A ressurgência leva nutrientes para a superfície, aumentando a quantidade de oxigênio e favorecendo a produtividade biológica. Como consequência, a atividade pesqueira também é beneficiada.
Durante o El Niño, a ressurgência diminui. Com isso, as águas ficam mais quentes e pobres em nutrientes, reduzindo a quantidade de peixes e prejudicando a pesca.
Para caracterizar o fenômeno, a temperatura das águas do Oceano Pacífico deve ficar pelo menos 0,5°C acima da média histórica. Em eventos mais intensos, o aumento pode ser significativamente maior.
Já o La Niña representa o oposto do El Niño. O fenômeno ocorre quando os ventos alísios ficam mais fortes do que o normal, intensificando a ressurgência e aumentando a chegada de águas frias e nutrientes à superfície do Oceano Pacífico.
Na prática, a La Niña reforça características climáticas já observadas em condições normais. Em regiões que costumam registrar altos volumes de chuva, como a Amazônia, as precipitações podem se tornar ainda mais frequentes e intensas.
Em resumo: o El Niño está associado ao aquecimento das águas do Pacífico, enquanto a La Niña provoca o resfriamento dessas águas.
🗺️ Impactos e consequências socioeconômicas
Além de alterar as condições do Oceano Pacífico, o El Niño provoca impactos econômicos e climáticos em diferentes partes do mundo. Um dos primeiros setores afetados é a pesca na costa do Peru.
Com o enfraquecimento dos ventos alísios e a redução da ressurgência, menos nutrientes chegam à superfície, provocando queda na oferta de peixes e prejuízos para a atividade pesqueira.
No Brasil, uma das principais consequências do El Niño é a redução das chuvas na Região Norte.
O aquecimento das águas do Pacífico favorece a formação de áreas de baixa pressão sobre o oceano. A umidade se concentra nessa região, onde ocorre maior formação de nuvens e chuvas. Como resultado, menos umidade chega à Amazônia.
Com a diminuição das chuvas, a região enfrenta períodos de seca mais intensos, além da redução do nível dos rios, que são fundamentais para o transporte de pessoas e mercadorias.
Enquanto a Região Norte tende a registrar estiagens, o Sul do Brasil costuma ter aumento das chuvas durante episódios de El Niño.
A maior concentração de umidade favorece a ocorrência de temporais e acumulados elevados de precipitação, aumentando o risco de enchentes, deslizamentos e prejuízos à agricultura.
O El Niño também pode favorecer temperaturas acima da média e períodos mais secos no Sudeste e no Centro-Oeste. Isso ocorre porque a redução da umidade na Amazônia afeta os chamados "rios voadores", correntes de vapor d'água que ajudam a distribuir umidade para outras regiões do país.
Com menos umidade disponível, aumentam as chances de ondas de calor e de períodos prolongados de estiagem. Uma onda de calor é caracterizada quando as temperaturas permanecem cerca de 5°C acima da média por vários dias consecutivos.
Os reflexos do El Niño vão além das condições climáticas. Na agricultura, o excesso de chuva em algumas áreas e a falta dela em outras podem comprometer plantações, reduzir a produtividade e atrasar colheitas.
Esses problemas afetam a oferta de produtos agrícolas e podem contribuir para o aumento dos preços dos alimentos. Na Região Norte, a queda do nível dos rios dificulta o transporte fluvial, essencial para a circulação de cargas e passageiros em diversas localidades.
O fenômeno também pode influenciar a saúde pública. O aumento das chuvas favorece a formação de criadouros do mosquito da dengue em algumas regiões. Já em áreas mais secas, o armazenamento inadequado de água também pode ampliar os focos do inseto.
Além disso, períodos prolongados de calor e seca podem agravar problemas respiratórios e aumentar a pressão sobre os serviços de saúde.
📚 Como revisar o conteúdo na reta final
Para quem está se preparando para a primeira fase da Unicamp, a principal recomendação é revisar conteúdos de climatologia, especialmente a circulação geral da atmosfera . Segundo Rafaela, esse tema é fundamental para compreender o funcionamento dos ventos alísios, das células atmosféricas e dos mecanismos que explicam a ocorrência de El Niño e La Niña.
acompanhar reportagens e conteúdos de divulgação científica sobre o tema;
estudar mapas, gráficos e imagens que mostram a circulação dos ventos, a localização do fenômeno no Oceano Pacífico e as variações de temperatura -- ajudam na fixação do conteúdo e têm potencial para aparecer na prova;
consultar fontes confiáveis, como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), responsável por monitorar as condições atmosféricas e oceânicas.
A interpretação de gráficos, tabelas e mapas também é uma das habilidades mais cobradas nos vestibulares. Por isso, a recomendação é observar atentamente títulos, legendas, períodos analisados e tendências apresentadas nos dados. "Muitas vezes, a resposta está nas próprias informações fornecidas pela questão", diz.
Ela ressalta, porém, que a expressão "super El Niño" não possui classificação científica oficial. O termo costuma ser utilizado pela imprensa para indicar episódios mais intensos do fenômeno.
⚠️ Cuidados com armadilhas comuns na prova
A principal recomendação é interpretar com atenção mapas, gráficos, tabelas e imagens apresentados nas questões. De acordo com a professora, um erro frequente é associar automaticamente determinadas cores a fenômenos climáticos .
Em alguns casos, por exemplo, a cor vermelha pode representar alta concentração de clorofila, e não necessariamente temperaturas elevadas. "Então é olhar com calma, interpretar a legenda, ver a questão de comando e responder o comando."
Outro equívoco comum é mencionar apenas o aquecimento das águas oceânicas ao explicar o El Niño. Rafaela destaca que o candidato precisa especificar que o fenômeno ocorre no Oceano Pacífico, e não apenas afirmar que houve aquecimento das águas do mar.
Ela diz que respostas genéricas podem ser consideradas incompletas, pois não identificam corretamente a área de ocorrência do fenômeno. Além disso, a orientação é responder às questões de forma objetiva e seguir a ordem proposta pela banca, principalmente em perguntas discursivas.
Topics in this story
Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.