Celina Leão assume com Ideb baixo e déficit na educação do DF | G1
Governadora deve lidar com a pressão da categoria por menos contratos temporários e mais concursos. Em agosto, Celina trocou o comando da secretaria após resultado ruim do Ideb.
Quando tomar posse para um novo mandato à frente do governo do Distrito Federal, em janeiro, a governadora reeleita Celina Leão (PP) terá que enfrentar um cenário preocupante na educação pública da capital.
Antes referência nacional, a rede pública de ensino do DF enfrenta um déficit histórico no quadro de profissionais e, desde a pandemia, viu despencar o resultado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – que, neste ano, ficou abaixo da média nacional.
➡️Esta é a quarta de uma série de reportagens sobre os desafios de Celina Leão para o próximo mandato . Até sábado (7), o g1 vai tratar dos principais temas que o futuro governo terá de enfrentar.
O Distrito Federal foi a única unidade da federação a apresentar queda no Ideb no ensino médio . Um contraste com o cenário geral do indicador, que registrou o melhor resultado desde a criação, em 2005.
Nos resultados exclusivos das escolas públicas, o DF não conseguiu atingir a meta esperada em nenhum dos períodos escolares analisados.
Pior: a capital ficou abaixo da média nacional em todos eles.
Celina Leão, governadora do Distrito Federal. — Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília
O DF ficou na metade superior da tabela em um único recorte: nos anos iniciais do ensino fundamental, quando considerada também a rede privada. O somatório das escolas do DF recebeu nota 6,4, enquanto a média do país foi 6,3.
Em entrevista à TV Globo em setembro, a então candidata afirmou que houve avanços na educação durante os últimos quatro anos. Disse ainda que o sistema de reprovações nas escolas do DF impactou o resultado no indicador.
“Aqui no Distrito Federal, com duas matérias, você reprova, e a opção de vários estados é não ter reprovação. Quando você não tem reprovação, isso impacta diretamente no índice do Ideb”, disse.
Apesar das declarações minimizando os problemas no setor, Celina trocou o comando da pasta. Ainda em agosto, Iêdes Braga – secretária nomeada ainda na gestão Ibaneis Rocha (MDB) – foi substituída por Thiago Peixoto.
Questionada pelo g1 sobre a piora do Ideb, a Secretaria de Educação do DF afirmou que desenvolve "ações voltadas à garantia da aprendizagem, à permanência dos estudantes na escola e ao fortalecimento de suas trajetórias educacionais".
As medidas adotadas pelo novo secretário de Educação, em poucos meses, já têm causado atritos entre o governo e o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF).
Em 21 de outubro, quatro dias antes do segundo turno, a entidade convocou paralisação contra o que classificou como autoritarismo.
Entre as medidas, o Sinpro destacou o envio de materiais didáticos escolhidos sem a participação da categoria e imposição de um novo calendário escolar.
Celina criticou a paralisação em entrevista à TV Globo. Segundo ela, a manifestação teve fins eleitoreiros. Passada a eleição, o governo não anunciou nenhuma "reaproximação" com a categoria.
Um desafio comum a diferentes pastas, mas ainda mais crítico na Educação, é o déficit de profissionais efetivos. Dados do Painel Estatístico de Pessoal do DF mostram que a Secretaria de Educação tem 16.912 servidores em contrato temporário .
O número corresponde a 34,6% dos 48.820 servidores ativos.
Em agosto, Celina anunciou a nomeação de 2.681 aprovados no concurso de 2022, uma das demandas mais urgentes para a categoria. Agora, o desafio está na realização do novo concurso.
A governadora divulgou, em setembro, a autorização para o certame. Estão previstas 10.604 vagas, sendo 2.650 imediatas e o restante para cadastro reserva.
O anúncio ocorreu após o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) fixar prazo de 180 dias --- contados a partir da decisão, em maio --- para que o governo apresentasse o cronograma de realização do concurso.
Segundo a Secretaria de Educação, o edital deve ser publicado ainda em novembro.
Entre as propostas apresentadas na campanha, Celina destacou a ampliação do número de estudantes em tempo integral. A governadora eleita prevê a implementação em zonas com maior demanda e expansão gradual para toda a rede pública.
No DF, apenas 7% dos alunos estão matriculados no ensino integral.
O aumento da carga horária também passa pelo aumento do efetivo e melhoria da infraestrutura das unidades escolares, pontos que também aparecem no plano de governo.
Em outubro, parte do telhado de uma escola no Paranoá desabou . A unidade funciona desde 2016 em uma estrutura provisória.
A Secretaria de Educação afirma que tem desenvolvido ações para ampliação do ensino integral gradualmente. "A expansão ocorre de forma planejada, com acompanhamento permanente e alinhamento às metas e diretrizes estabelecidas para a educação pública", diz.
Sobre a manutenção das escolas, a pasta respondeu que conta com 25 contratos de manutenção predial, com atendimento de forma continuada.
Ampliaroferta da escolas em tempo integral, a começar por áreas com maior demanda;.
Modernizar a infraestrutura das escolas, com reformas, manutenção preventiva, acessibilidade,conectividade, energia elétrica e climatizaçãodas salas de aula;
Reduzir a dependência de espaços alugados com a construção de novas escolas em terrenos próprios;
Ampliar o número de unidades escolares com refeitório, quadra coberta e espaços de convivência;
Reestruturação do plano de carreira dos profissionais da educação, formação continuada, atenção à saúde e planejamento da força de trabalho;
Ampliar o número de escolas cívico-militares.
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