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Homem que deu casa da ex como garantia a agiotas dizia ser fazendeiro | G1

Justiça condenou o investigado a pagar R$ 456,4 mil à ex por danos morais e materiais. Suspeito usou de manipulação psicológica e exploração do vínculo afetivo, segundo decisão.

· 584 words

O homem que deu a casa da ex-noiva como garantia a agiotas se passava por um empresário rico do agronegócio para enganar a vítima. Conforme a mulher, ele fazia promessas e dizia ser dono de fazendas, gado e até um a.

"Conheci a família dele, tudo bonitinho como manda a história de sonhos, né? As promessas de relacionamento, casamento, filho, negócios. Então, tudo isso ele foi me envolvendo cada dia mais, porque ele chegou [na minha casa] e já ficou", relembrou a vítima.

Por decisão da 2ª Vara Cível de Palmas , ele foi condenado pagar R$ 456,4 mil à ex por danos materiais e danos morais . Ainda cabe recurso. O nome do homem não foi divulgado e, por isso, o g1 não conseguiu contato com a defesa dele.

A mulher relatou que passou um ano sem trabalhar e ficou meses longe de casa após o imóvel dela ser usado como garantia de uma dívida com agiotas. Segundo a vítima, as cobranças eram constantes e o medo limitou sua rotina.

"Passei um ano sem trabalhar. Fiquei três meses longe da minha casa até os advogados conseguirem todo respaldo e o juiz determinou que eu voltasse para minha casa. Mas eu não poderia sair, então estava numa 'prisão domiciliar'", relatou.

A vítima contou que precisou se afastar do trabalho enquanto tentava resolver a situação na Justiça. Mesmo depois de voltar para casa, continuou sob pressão e recebendo ameaças dos agiotas. "Era a gente cobrando 24 horas. Conseguiram meu telefone, não sei como, mas toda hora era uma cobrança diferente", disse.

Vítima de estelionato sentimental ganhou ação contra o ex no Tocantins — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A vítima conheceu o homem em um aplicativo de relacionamento, em 2021. Os dois ficaram juntos por um ano e um mês. No início do relacionamento, ele pedia pequenas quantias emprestadas, que totalizaram R$ 128 mil em transferências.

Em setembro de 2021, o homem pediu dinheiro para comprar um supermercado em Gurupi. Na época, ele contraiu um empréstimo de R$ 150 mil com agiotas e ofereceu a casa da vítima como garantia. Como não pagou a dívida, a mulher passou a receber cobranças e precisou renegociar o débito para evitar perder o imóvel. Após a negociação, a dívida chegou a R$ 270 mil.

O homem também incluiu a vítima no contrato social do supermercado. Por causa das dívidas do estabelecimento, ela teve o nome negativado.

No processo, o homem alegou que a vítima "é pessoa maior, capaz e instruída, tendo assumido voluntariamente os riscos de um investimento comercial". Ele ainda afirmou que não havia provas de que ela tivesse sido induzida a tomar decisões contra a própria vontade ou de que ele tivesse cometido alguma irregularidade.

A Justiça rejeitou os argumentos do investigado. "A conduta do requerido ultrapassou em muito o mero dissabor cotidiano ou o simples término de um relacionamento amoroso. A requerente viu-se vítima de manipulação emocional degradante, teve sua residência ameaçada por cobranças ostensivas de terceiros, experimentou constrangimento social e familiar e sofreu abalo psíquico intenso", diz a decisão.

Caso a decisão se mantenha, o ex-noivo deverá pagar R$ 406.400 por danos materiais e R$ 50 mil por danos morais. Segundo a sentença, a maior parte da indenização corresponde aos valores gastos pela vítima durante o relacionamento:

R$ 128 mil em transferências bancárias realizadas em 2021;

R$ 8,4 mil em transferências realizadas em 2022;

R$ 270 mil pagos na renegociação da dívida para evitar a perda do imóvel.

Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

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Wednesday, November 4, 2026

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