Trump promete novo ataque contra o Irã; Teerã diz querer negociar | G1
EUA e Irã voltaram a trocar ataques no domingo (31) pela primeira vez desde julho. Presidente iraniano afirmou que a continuidade do conflito no Oriente Médio não interessa ao Irã e nem ao mundo, mas autoridade do país promete amplas retaliações a agressões americanas.
Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente do Irã, Masoud Pezeshkian — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters e Angelina Katsanis/AP Photo
O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , afirmou nesta segunda-feira (31) que seu Exército fará "fortes ataques" contra o Irã em breve. Os dois países voltaram a trocar agressões no final de semana.
"Vamos acertá-los com força", afirmou Trump à emissora norte-americana Fox News. O ataque, segundo Trump, será em resposta ao bombardeio iraniano feito no domingo (30) contra bases dos EUA na Jordânia —que por sua vez foi uma retaliação a uma agressão dos EUA contra a ilha de Larak. (Leia mais abaixo)
O presidente norte-americano também afirmou à Fox que os iranianos "querem muito" se encontrar com os EUA para negociar um acordo pelo fim da guerra, porém ele disse não saber se é possível confiar em Teerã. Ele acrescentou que "as (novas) sanções contra o Irã estão entrando em vigor com força".
O Irã , por sua vez, mandou sinais contraditórios nesta segunda-feira. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país ainda busca uma solução negociada para o conflito com os EUA e que quer retomar as tratativas, enquanto uma autoridade do país prometeu à agência de notícias Reuters amplas retaliações a qualquer agressão dos EUA.
"Mesmo assim, ainda estamos tentando chegar a um acordo e a um entendimento. Acreditamos que continuar a guerra não interessa a ninguém: nem a nós, nem à região, nem à humanidade", afirmou Pezeshkian, segundo a agência iraniana semioficial Tasnim. Ele ainda acusou Washington de não cumprir compromissos assumidos em acordos anteriores.
Uma autoridade de alto escalão do Irã afirmou à Reuters que o país dará uma “resposta dezenas de vezes maior” para cada ataque feito pelos EUA , e ameaçou navios comerciais que violarem as regras iranianas de travessia por Ormuz.
As últimas tratativas entre EUA e Irã , em meados de junho, resultaram num cessar-fogo temporário que durou até o começo de julho . O acordo, no entanto, foi rompido com trocas de agressões e as negociações diretas estão paralisadas desde então.
Trump também disse em suas redes sociais nesta segunda que o Irã é "um país falido" e "está morto", e acusou Teerã de ter assassinado mais de 100 mil manifestantes contra o regime e que o país deveria ser julgado por crimes contra a humanidade.
Além dos ataques de domingo, Trump também publicou em suas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial que supostamente mostrava a destruição da ilha de Kharg, um dos principais centros de exportação de petróleo do Irã . Teerã chamou a publicação de "ridícula".
No domingo (30), os dois países voltaram a trocar agressões pela primeira vez desde julho.
O Exército dos EUA atacou dois lançadores de mísseis na ilha iraniana de Larak , que fica no Estreito de Ormuz ao sul do Irã continental. O ataque matou duas pessoas e deixou outras feridas, segundo o Teerã.
O Comando Central dos EUA afirmou que realizou uma ação "limitada e precisa" contra forças iranianas que instalavam minas na região. Segundo a pasta, os alvos representavam uma "ameaça iminente".
Ilha de Larak, do Irã. — Foto: Reprodução/Google Maps
Segundo uma autoridade norte-americana ouvida pela agência de notícias Reuters, os lançadores estavam sendo preparados por integrantes da Guarda Revolucionária do Irã para disparar foguetes com minas navais em Ormuz.
O Irã retaliou lançando mísseis contra bases militares dos EUA na Jordânia . Segundo Washington, todos os projéteis foram interceptados por defesas aéreas, menos um deles, que caiu em uma área não habitada.
O Exército iraniano também afirmou ter atacado a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, durante a madrugada desta segunda-feira. O governo dos Emirados, porém, negou a informação.
O Ministério da Defesa emiradense afirmou posteriormente que sua força aérea interceptou um drone que havia entrado no espaço aéreo do país vindo do Irã , e repudiou o incidente.
A retomada dos ataques ocorreu após semanas de aumento da pressão econômica dos EUA contra o Irã e seus parceiros comerciais. O governo Trump ampliou as sanções econômicas contra Teerã e passou a priorizar medidas financeiras em vez de novas ações militares.
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra. Entre eles estão desmantelar o programa nuclear iraniano, limitar a capacidade do país de atacar seus rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem o governo dos líderes religiosos.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à Reuters no domingo (30) que novas sanções secundárias contra o Irã devem ser anunciadas semanalmente. Segundo ele, os primeiros alvos devem ser bancos.
A União Europeia afirmou nesta segunda-feira (31) que continuará trabalhando com os Estados Unidos e outros países para manter a pressão econômica sobre o Irã .
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