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Sunday, September 20, 2026

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Renault Boreal acumula prêmios, mas não decola em vendas; g1 testou | G1

SUV tem bom acabamento, conforto e tecnologia, mas enfrenta novos rivais chineses em uma faixa de preço na qual os híbridos ganham espaço. g1 testou a versão Techno, de R$ 199.990.

· 1,661 words

Renault Boreal na versão Techno — Foto: Carlos Cereijo / g1

O Renault Boreal chegou em 2025 , enfileirou alguns prêmios e criou expectativa de um novo capítulo para a marca junto com o irmão Kardian . O SUV mostrou que a marca francesa conseguiu dar um salto de qualidade, mas as vendas são tímidas.

Hoje é vendido nas versões Evolution por R$ 179.990 , Techno de R$ 199.990 e Iconic por R$ 214.990 . Entre janeiro e agosto de 2026, a Renault emplacou 7.633 unidades do Boreal.

No mesmo período, a Jeep vendeu 36.341 Compass . E a Toyota conseguiu vender 25.564 Corolla Cross , mesmo ainda sentindo as consequências do acidente na fábrica de Porto Feliz (SP) no final de 2025.

Até o Jaecoo 7 da Omoda&Jaecoo conseguiu ultrapassar o Boreal com 11.769 unidades vendidas. Sendo que mais que 7 mil desses SUVs importados da China são da versão mais barata, Elite, que custa R$ 189 mil.

Nos últimos meses, a Renault fez promoções para o Boreal com bônus de até R$ 22 mil e incluiu o modelo na estratégia do Move Aplicativos com descontos para taxistas e motoristas de aplicativo .

O g1 testou a versão Techno para descobrir os pontos positivos e negativos do Boreal. Será que o SUV é uma boa opção? Vale a pena aproveitar os descontos?

O Renault Boreal utiliza a Renault Group Modular Platform, conhecida como RGMP . A arquitetura foi desenvolvida para ser utilizada em veículos de diferentes tamanhos e segmentos e permite trabalhar com diferentes configurações de carroceria e sistemas de propulsão.

No Boreal, a suspensão dianteira é do tipo McPherson e a traseira utiliza eixo de torção. A estrutura traseira permite a instalação de uma barra estabilizadora interna de 30 mm.

A direção elétrica também está integrada à lógica da plataforma. A assistência pode ser modificada de acordo com o modo de condução escolhido, ficando mais leve no Comfort e mais firme no Sport.

O Boreal tem uma personalidade que é comum a vários SUVs modernos. As marcas abandonaram a ideia de que esses veículos precisam transmitir robustez. Ao contrário, a ideia é um carro grande, alto, mas com comandos e sensação de conforto.

O resultado é uma direção elétrica anestesiada e que aposta na assistência variável para criar sensações. No modo esportivo, a firmeza extra é só uma lembrança de como deve ser um carro divertido de dirigir.

E a Renault sabe muito bem acertar a direção de um esportivo, mesmo sem custar os R$ 200 mil. O finado Sandero RS é um exemplo perfeito de esmero em acerto.

A suspensão foi calibrada, segundo a Renault, para combinar dirigibilidade e conforto. Esse trabalho foi finalizado pela equipe de engenharia da Renault Tecnologia Américas no Autódromo Oscar Cabalén, na Argentina.

O Boreal tem conjunto que precisa equilibrar o centro de massa mais alto e as rodas de 18 polegadas. O SUV chega a um resultado interessante para o dia a dia.

Cabine do Renault Boreal na versão Techno — Foto: Carlos Cereijo / g1

A arquitetura eletrônica da RGMP foi preparada para receber diferentes sistemas e tecnologias de assistência ao motorista, além de soluções de segurança e gerenciamento de energia.

Outro recurso associado à arquitetura eletrônica é o Multi-Sense, que permite selecionar cinco modos de condução: Eco, Comfort, Sport, Personal e Smart . A seleção pode ser feita pela tela multimídia ou por um comando giratório no console central.

Os modos modificam diferentes características do veículo:

No Smart, esses parâmetros são adaptados automaticamente por algoritmos que alternam entre as configurações Eco, Comfort e Sport.

Motor 1.3 turbo do Renault Boreal foi desenvolvido em parceria com a Daimler, dona da marca Mercedes-Benz — Foto: Carlos Cereijo / g1

O Renault Boreal tem motor 1.3 turbo TCe flex e a transmissão automática de dupla embreagem de seis marchas banhada a óleo. Desenvolvido em parceria com a Daimler, o propulsor é produzido no Brasil, em São José dos Pinhais (PR).

O motor entrega 163 cv e 27,5 kgfm de torque. De acordo com dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro, o Boreal registrou:

Gasolina : 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada.

Etanol : 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada.

A transmissão possui modos de condução Sport, Eco e My Sense , além de recursos eletrônicos integrados.

A função creeping permite que o carro inicie o movimento suavemente ao soltar o pedal do freio , facilitando manobras e rodagem em congestionamentos. No Boreal, isso ajuda em manobras em baixa velocidade, pois o câmbio não “salta” quando a embreagem acopla ao tentar, por exemplo, estacionar.

O veículo dispõe ainda de assistente de partida em rampas (HSA) e freio de estacionamento eletrônico inteligente, que gerencia a sincronização da posição P para evitar trancos.

Por fora, a configuração Techno do Boreal tem rodas de 18 polegadas com desenho Mountain e acabamento preto. Também fazem parte da versão as barras longitudinais no teto, a antena do tipo shark e os faróis de neblina.

A cabine tem duas telas de 10 polegadas . O painel de instrumentos digital pode apresentar a reprodução do mapa de navegação, enquanto a tela central reúne as funções de entretenimento e conectividade.

Na Techno, a central utiliza os serviços do Google integrados ao sistema. Estão disponíveis Google Maps, Google Play e Google Assistant, além de mais de 100 aplicativos.

O Google Maps pode ser utilizado diretamente pela central, com informações de trânsito em tempo real e atualizações automáticas. Já o Google Assistant permite utilizar comandos de voz para funções como navegação, música e chamadas, e também para determinadas funções do veículo, como o ar-condicionado.

A Techno tem ainda ar-condicionado automático digital de duas zonas, com saídas de ar para os ocupantes traseiros. O console central é elevado e possui um compartimento refrigerado.

Há quatro portas USB-C, duas na dianteira e duas na traseira, além de carregador de celular por indução.

Os bancos dianteiros da versão têm ajustes elétricos e regulagem lombar para motorista e passageiro.

O porta-malas tem capacidade para 522 litros. Com os bancos traseiros rebatidos, o volume chega a 1.279 litros. A base do compartimento fica em uma posição que facilita o acesso à área de carga.

A iluminação ambiente é outro recurso da Techno. O sistema permite escolher entre 48 cores e pode trabalhar em conjunto com os modos de condução.

A vida a bordo do Boreal é boa. O volante com botões físicos e tamanho correto facilita a vida do motorista. Mesmo com telas grandes, os controles de ar-condicionado e modos de condução estão no painel e console, fáceis de acessar.

A manopla de câmbio singela e tímida comete o mesmo pecado de manoplas de carros como o Porsche 911. São menores e mais chatas de operar, e não liberam espaço no console central. Pelo menos tem bastante espaço no banco traseiro, o que é bom.

A cabine é bem construída e distancia o Boreal do primo, o Kwid . Talvez esteja aí um dos desafios do SUV. Prometer uma experiência premium numa marca conhecida pelo apelo racional dos carros populares.

Nesta versão, o Boreal conta com seis airbags, sendo dois frontais, dois laterais e dois de cortina.

Frenagem automática de emergência (que funciona também em curvas);

A Techno também conta com alerta de saída segura dos ocupantes . O sistema utiliza os radares laterais traseiros para identificar a aproximação de veículos antes que uma porta seja aberta.

Outro recurso é o alerta de tráfego cruzado traseiro, que monitora a aproximação de veículos, motos ou bicicletas durante manobras de ré.

O conjunto inclui ainda sensores de estacionamento dianteiros, laterais e traseiros e câmera de ré.

A Techno também pode utilizar câmera 360 graus. O sistema reúne quatro câmeras para criar uma visão dos arredores do veículo e auxiliar nas manobras em espaços apertados.

O Boreal possui ainda assistente de estacionamento semiautônomo . Com o auxílio das câmeras e dos radares, o sistema pode assumir os movimentos necessários para realizar determinadas manobras de estacionamento.

Há também assistente de partida em rampa e sensor de fadiga, que monitora o comportamento do motorista e pode emitir alertas quando identifica sinais de cansaço ou desatenção.

A conclusão é que o Boreal é um SUV com os predicados certos , mas que chega num momento de mercado em transição . O cliente brasileiro nessa faixa dos R$ 200 mil já espera que os carros sejam híbridos e com uma outra experiência a bordo.

O g1 já mostrou que seminovos entre R$ 100 mil e R$ 200 mil estão com quedas fortes nos preços por conta dos carros chineses e dos descontos das marcas tradicionais.

Também pesa para a Renault o fato de que a marca francesa nunca conseguiu emplacar modelos caros no Brasil. Sempre performou bem com Sandero ou Duster, mas o SUV compacto era o teto de preço que o brasileiro, na maioria, estava disposto a pagar.

Não é à toa que a Renault rapidamente se mexeu para criar uma aliança com a Geely no Brasil . Os franceses parecem ter entendido que seria mais eficiente apresentar a marca chinesa, emplacar suas novidades com preço maior e entrar neste segmento sem ter de levar o legado da Renault.

Se o cliente for mais tradicional e não quiser levar um híbrido, o Boreal pode ser uma alternativa . A dica seria aproveitar os descontos e se planejar para ficar mais tempo com o SUV. Isso ajudaria a evitar o derretimento do preço no mercado de seminovos num prazo de dois a três anos.

Suspensão dianteira : Independente, do tipo McPherson

Suspensão traseira : Eixo de torção com barra estabilizadora, rodas semi-independentes

Motor : Dianteiro, 1.3 turbo flex, quatro cilindros em linha, 16 válvulas e injeção direta

Potência : 163 cv com etanol e 156 cv com gasolina

Torque : 27,5 kgfm com etanol ou gasolina

0 a 100 km/h : 9,5 segundos com etanol e 9,8 segundos com gasolina

Velocidade máxima : 180 km/h, limitada eletronicamente

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