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Sunday, September 27, 2026

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Mãe que morreu 10 horas após a filha jejuou e pediu milagre pela recuperação da jovem na luta contra câncer raro | G1

Ao acompanhar uma internação crítica de Cibele Marchis, Maria Elisabete recorreu à fé e ao jejum; meses depois, mãe e filha morreram vítimas de câncer com 10 horas de diferença.

· 687 words

Meses antes de morrer vítima de câncer , Maria Elisabete Nogueira da Silva, de 56 anos, viveu um dos momentos mais delicados da luta da filha, Cibele Marchis, de 28 anos, contra um tipo raro da doença. Durante uma internação considerada grave pela família, em dezembro de 2025, parentes chegaram a ser chamados ao hospital diante do risco de morte da jovem.

Segundo Bárbara Rodrigues dos Santos, Bia, como Maria Elisabete era conhecida entre familiares e amigos, se agarrou à fé durante o período de internação da filha.

"Ela jejuava 24 horas pedindo um milagre para a filha, e Deus atendeu. Deus devolveu a filha dela", recordou.

De acordo com Bárbara, após semanas internada e diante de um quadro considerado crítico pelos médicos, Cibele se recuperou e recebeu alta. A jovem voltou a viajar, trabalhar e retomar atividades que fazia antes da internação.

Maria Elisabete, de 56 anos, e Cibele Marchis, de 28 anos, mãe e filha que morreram vítimas de câncer em um intervalo de 10 horas em Mogi Guaçu (SP) — Foto: Reprodução/redes sociais

Foi pouco tempo depois desse episódio que Maria Elisabete, desconfiando de um problema de pedra na vesícula, procurou ajuda médica e foi surpreendida com o diagnóstico de um câncer agressivo no pâncreas .

Diferentemente da filha, que passou por cirurgias, ciclos de quimioterapia e uso de medicamentos, o quadro da mãe se deteriorou rapidamente, e por conta das fortes dores necessitava de morfina.

"Foi muito rápido. Num curto espaço de tempo, entrou num sofrimento muito grande. Mas até o último minuto ela tinha esperança que iria fazer quimioterapia e melhorar", afirmou Bárbara.

Maria Elisabete estava internada desde a quinta-feira (17) da semana anterior, e Cibele chegou a visitar a mãe no hospital. A jovem foi internada durante a semana após piora no quadro de saúde.

"Eu cheguei de viagem na quarta, e minha mãe falou que a Bia estava mal. E quando recebi a ligação na quinta, todo mundo esperava que fosse minha tia, e não a Cibele", recorda Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Bia.

Ele conta que auxiliou na parte burocrática para liberação do corpo e velório, e quando chegou em casa, de madrugada, recebeu a ligação da mãe dizendo que a Bia tinha morrido.

"Tive de voltar a dar a notícia para o meu tio, que estava velando a filha, que a mulher dele também tinha falecido".

Cibele morreu na tarde de quinta-feira (24). À 1h58 de sexta-feira (25), a família recebeu a notícia da morte de Maria Elisabete. Os óbitos ocorreram com intervalo de cerca de 10 horas. Mãe e filha foram veladas e sepultadas juntas.

"Ele perdeu a família. Chegar em casa e não ter mais ninguém. É triste, difícil", completou Rowilson.

Maria Elisabete, de 56 anos, e Cibele Marchis, de 28 anos, mãe e filha que morreram vítimas de câncer em um intervalo de 10 horas em Mogi Guaçu (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Maria Elisabete, de 56 anos, e Cibele Marchis enfrentavam tipos distintos da doença e foram sepultadas nesta sexta-feira (25).

"Nenhuma das duas queria ver a outra morrer. Elas chegaram a comentar, às vezes de brincadeira, outras em tom sério, e isso aconteceu. Uma não ficou sabendo da morte da outra. É realmente uma coisa espantosa", disse Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Maria e primo de Cibele.

Cibele morreu por volta das 16h de quinta-feira (24), quando a mãe, internada em outro hospital da cidade, estava sedada.

Segundo parentes, a família estava velando o corpo da jovem quando, às 1h58 da madrugada desta sexta-feira (25), recebeu a notícia do falecimento de Maria Elisabete.

Mãe e filha foram veladas juntas pela manhã e sepultadas no Cemitério Municipal Santo Antônio.

Familiares contam que mãe e filha eram muito conhecidas em Mogi Guaçu .

Enquanto Maria Elisabete, chamada de Bia por parentes, trabalhava como podóloga em um salão tradicional da família, Cibele tinha uma empresa de marketing digital e era ativa nas redes sociais, com 11,7 mil seguidores.

Cibele Marchis, de 28 anos, manteve a rotina de trabalho, viagens e encontros com amigos durante a batalha contra um câncer raro — Foto: Reprodução/Redes sociais

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