Eleições 2026 no exterior: TRE-DF envia urnas para 134 países | G1
Mais de 1,2 mil urnas foram preparadas no DF e enviadas para 134 países. Equipamentos começaram a chegar nos destinos na última semana.
Quase um milhão de brasileiros e brasileiras que moram em outros países estão aptos a votar nas eleições deste ano. O número é maior que o total de eleitores que estados como Amapá e Acre.
➡️Mesmo no exterior, o voto é obrigatório para brasileiros com idade entre 18 e 70 anos. Quem não comparecer, deve justificar a ausência.
➡️Para quem está fora do país, só é possível votar para presidente da República .
O envio das urnas aos 134 países onde há seções eleitorais brasileiras é coordenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), com apoio do Itamaraty.
💡O TRE-DF é responsável pela Zona Eleitoral do Exterior (ZZ). Ou seja, além de organizar o processo eleitoral na capital, o Tribunal também conduz o pleito fora do Brasil em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Os preparativos começam meses antes da votação e envolvem negociações diplomáticas, além de um extenso mapeamento logístico ( veja vídeo acima ).
As urnas são preparadas assim que termina o prazo da Justiça Eleitoral para o julgamento das candidaturas nos tribunais regionais. Neste ano, a data foi 14 de setembro.
Ou seja: faltando menos de três semanas para o primeiro turno neste domingo (4), os equipamentos começaram a ser montados para o envio ao exterior.
O processo é o mesmo realizado com as urnas que ficam no Brasil -- a diferença é que elas recebem apenas as candidaturas à presidência da República (sem candidatos a governador, senador e deputado).
A mídia com as informações dos candidatos é gerada e carregada em cada equipamento. A urna passa por um "autoteste" e, em seguida, é lacrada para o envio.
O prazo é curto. O secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do TRE-DF, Andrey Bernardes, explica que o tribunal prioriza, na fila, as urnas dos países com grande contingente de eleitores.
"No dia 16 [de setembro], a gente começou a gerar a mídia do exterior. E aproveitamos para, no período da tarde, começar a carregar algumas urnas. A gente deu preferência para carregar as urnas de Estados Unidos, é Portugal e Japão, já que metade do nosso público está nesses países", conta Andrey.
Cada urna é cadastrada no sistema com uma numeração única, que a identificada e garante a rastreabilidade dos resultados.
Os equipamentos foram encaminhados ao Itamaraty no dia 18 e enviadas aos países a partir dos aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP), e Guarulhos, na capital paulista.
Urnas eletrônicas destinadas ao exterior passam por processo de carga e lacração — Foto: TV Globo
1.361 seções eleitorais mapeadas — dessas, 28 seções votam em cédulas e 41 não serão instaladas em 2026
➡️ Para que uma seção seja instalada, é necessário ter, no mínimo, 30 eleitores aptos.
➡️Se o número de eleitores aptos não chegar a 100, aquela seção recebe urnas de lona e cédulas de papel, em lugar da urna eletrônica.
Como no Brasil, os mesários são cadastrados de forma voluntária .
Para os servidores brasileiros que estão em teletrabalho no exterior e foram recrutados como mesários, vale a regra nacional : dois dias de folga para cada dia de trabalho na eleição .
Se o brasileiro está sujeito à legislação trabalhista do outro país, no entanto, a Justiça Eleitoral não tem como garantir o benefício.
Nesses casos, segundo o chefe da Zona Eleitoral do Exterior, Eduardo Pessoa, o TRE ainda busca uma alternativa para compensar a boa ação.
"O voluntário faz, realmente, em prol do processo eleitoral brasileiro. É esse sentimento de pertencimento e acolhimento que o processo eleitoral traz para quem está hoje fora do Brasil. Estamos estudando possibilidade de estender esses benefícios, juntamente com a equipe do MRE, para a próxima eleição em 2030", conta.
Mesmo em países que enfrentam guerras ou conflitos locais, a Justiça Eleitoral vem conseguindo garantir o direito a voto dos brasileiros – em regiões mais afastadas do front, claro.
Segundo o TRE-DF, há hoje cerca de 40 zonas eleitorais em cidades que enfrentam instabilidade, mas não apresentam um risco imediato, como:
Cuba, que tem passado por instabilidades na rede elétrica e enfrenta apagões nacionais , também terá locais de votação para brasileiros que residem no país.
"Não são só as zonas de conflito, existem zonas [de votação] sensíveis de uma forma geral. Porém, nesses locais, o MRE assegurou que terá votação e não haverá risco para o eleitorado brasileiro, afirma Eduardo Pessoa.
Pelo horário de Brasília , a eleição começa ainda no sábado (3), pela Nova Zelândia, e só termina na noite de domingo (4), no Canadá.
Por causa dos fusos horários, a votação no exterior se estende por mais de 29 horas: vai das 16h de sábado às 21h de domingo, sempre pelo horário de Brasília .
No território nacional, a votação será realizada das 8h às 17h, de novo pelo horário de Brasília. Ou seja: estados com fuso diferente seguirão horários locais diferentes .
Os boletins de urna começam a ser computados no sistema assim que a votação encerra no horário local. E são impressos e afixados na porta da seção eleitoral, como acontece no Brasil.
Por isso, ainda na madrugada de sábado, os primeiros resultados serão transmitidos – e podem até ser divulgados pelos moradores da região. O TSE, no entanto, só começa a divulgar resultados oficiais quando a votação termina no Brasil, às 17h de domingo.
"Os eleitores votam no seu horário local, de 8h às 17h. Imprime-se a zerésima às 7h. Então, em Wellington, na Nova Zelândia, a zerésima é impressa às 15h de sábado pelo horário de Brasília. A eleição começa às 8h deles, são 16h de sábado aqui. Eles fazem a eleição e, por volta das 2h ou 2h30, já começam a transmitir resultados", explica Andrey Bernardes.
🔎 A zerésima é o relatório oficial emitido antes do início da votação em cada seção eleitoral. O documento que comprova que a urna eletrônica ainda não recebeu nenhum voto.
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