Campanhas de candidatos ao governo do Paraná foram marcadas por provocações nas redes e debate sobre saúde e privatização da Copel | G1
O g1 fez um balanço sobre a campanha eleitoral dos três candidatos ao governo do Paraná com representatividade no Congresso Nacional; veja destaques.
Requião Filho, Sandro Alex e Sergio Moro, candidatos ao governo do Paraná — Foto: Fotos: Giuliano Gomes - PR Press
A Copel, companhia estatal de energia privatizada em 2023, no governo Ratinho Junior, esteve no centro do embate entre as campanhas dos candidatos a governador do Paraná, junto com as escolas cívico-militares, a construção de novos hospitais e o combate à corrupção. Esses foram alguns dos temas que deram o tom das campanhas de Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL) em 2026.
Na reta final, provocações nas redes sociais, nas entrevistas à imprensa e no único debate de TV com a presença dos três principais candidatos também marcaram a disputa. Confira os detalhes abaixo.
Neste domingo (4), eleitores de todo o Brasil vão às urnas para votar nos candidatos à Presidência , Senado , Câmara Federal , Assembleia Legislativa e Governo Estadual .
Para que o eleitor possa conhecer melhor os candidatos ao governo do Paraná , o g1 fez um balanço sobre as principais propostas divulgadas ao longo do período de campanha eleitoral, que começou em 16 de agosto.
O levantamento abrange os três candidatos que estavam à frente nas intenções de voto na última pesquisa Quaest : Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL).
Provocações e acusações nas redes sociais
Nos últimos dias, os candidatos passaram a usar as redes sociais para fazer provocações uns aos outros, com memes, acusações e esclarecimentos públicos. Foram dezenas de pedidos ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR) para retirar do ar ataques feitos por adversários.
Requião Filho usou as redes sociais para postar cortes do debate da RPC, além de memes afirmando que tanto Moro quanto Sandro Alex estavam "tensos" e pouco preparados durante o confronto na emissora. Apesar da aliança com o PT e do apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a imagem do atual presidente não esteve presente na maior parte da campanha.
Sandro Alex também fez cortes do debate, focando principalmente nas provocações contra Sergio Moro, incluindo a postagem de um vídeo utilizando memes para reagir às falas do rival na disputa. De olho em uma vaga na disputa no segundo turno, reforçou ataques a Requião Filho, a quem chamou de "candidato da burocracia". Durante a campanha, Sandro Alex se apoiou na imagem do atual governador Ratinho Junior e prometeu "continuidade" do trabalho.
Sergio Moro usou as redes sociais para tentar conectar a candidatura de Sandro Alex à esquerda e para atacar Requião como "candidato do PT". Durante toda a campanha, usou a imagem da família Bolsonaro e se posicionou como o candidato "que mais combateu a corrupção" e como o "verdadeiro representante da direita no Paraná".
Regiões do Paraná mais visitadas pelos candidatos
A capital Curitiba foi a cidade que mais registrou atividades de agenda de campanha dos candidatos ao governo do Paraná. Veja a seguir as cidades ou regiões mais visitadas por cada candidato, com base nos registros enviados pelas campanhas ao g1 :
Requião Filho: Curitiba e cidades da Região Metropolitana concentraram grande parte dos compromissos do candidato, segundo a assessoria. Mais de 30 cidades foram visitadas, de todas as regiões do Paraná, incluindo Londrina, Maringá, Umuarama, Foz do Iguaçu, Cascavel, Palmas, Ponta Grossa, Guarapuava, União da Vitória e Paranaguá.
Sandro Alex: visitou cerca de 80 cidades durante a campanha eleitoral. Os locais que mais tiveram a presença do candidato, segundo a assessoria, foram a capital paranaense, cidades da Região Metropolitana de Curitiba, além das regiões Oeste e Norte do estado.
Sergio Moro: cumpriu grande parte da agenda em Curitiba. Foram 28 dias de compromissos na capital paranaense. O candidato também passou cinco dias em Maringá, cidade em que nasceu, três dias em Ponta Grossa e dois dias em Guarapuava, nos Campos Gerais do Paraná.
O que os candidatos ao governo do Paraná destacaram durante as campanhas
Acompanhe abaixo algumas das propostas mais mencionadas pelos candidatos durante a campanha ao governo do Paraná.
Requião Filho é candidato pelo PDT ao governo do Paraná e tem o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores (PT). Na passagem do presidente candidato à reeleição em Curitiba , Requião esteve no palco junto com candidatos do PT, como os postulantes ao Senado Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha. Desde o início da campanha, adotou um discurso crítico ao governo Ratinho Junior, enquanto os demais candidatos do pelotão principal tentaram se "colar" ao governador, que tem índices altos de aprovação.
Requião Filho prometeu um "Paraná que Cuida" — Foto: Foto: Giuliano Gomes - PR Press
Fim das escolas cívico-militares no Paraná
Durante a campanha eleitoral, Requião Filho defendeu o fim das escolas cívico-militares no Paraná, afirmando que o modelo não tem "diferença palpável" em relação às escolas normais na grade curricular e que se trata de uma "propaganda ideológica" do governador Ratinho Junior. Ressaltou ainda que não pretende fechar as escolas, mas sim mudar o modelo, para que sejam geridas por civis.
O candidato se posicionou contra a privatização da Copel, empresa responsável pelo abastecimento de energia elétrica no Paraná, que foi vendida em 2023. Requião afirmou durante a campanha que vai buscar alternativas para reverter o processo de privatização da empresa. Disse também que, desde que passou à iniciativa privada, os serviços prestados pela empresa pioraram, prejudicando os usuários e a cadeia econômica do estado. Defendeu ainda que é preciso fiscalizar a prestação dos serviços .
Ao longo da campanha, o candidato do PDT destacou a violência contra a mulher como uma das principais questões que precisam ser solucionadas no estado. No centro das propostas apresentadas por Requião para o tema está a criação de centros de acolhimento inspirados na Casa da Mulher Brasileira pelo estado, com delegacia especializada, atendimento social e psicológico. O candidato também falou frequentemente sobre endurecer a fiscalização e investigação dos casos de violência contra a mulher.
Centralizar processo para abertura e expansão de empresas
O candidato propôs a criação de uma "porta única" na Secretaria de Indústria e Comércio para centralizar a abertura e expansão de empresas no Paraná, seja para comerciantes ou para indústrias. Segundo ele, a medida vai facilitar o processo e diminuir a burocracia. O candidato disse ainda que, se eleito, vai usar a inteligência artificial e outras tecnologias para simplificar processos e favorecer empresas do estado.
Parcerias com santas casas e hospitais filantrópicos
Requião Filho diz que pretende firmar parcerias com santas casas e hospitais filantrópicos para ampliar o atendimento da saúde no estado, caso eleito. Segundo ele, as parcerias vão possibilitar que cada microrregião do Paraná tenha hospitais de referência para o atendimento de especialidades, tanto de média quanto de alta complexidade.
Sandro Alex concorre ao governo do Paraná pelo PSD e foi o escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD) para ser o candidato da chapa governista. O candidato apostou em um discurso de continuidade das políticas do atual governador. Faltando cerca de 15 dias para as eleições, Ratinho Junior se licenciou do cargo e passou a acompanhar Sandro Alex nas agendas de campanha e carreatas pelo estado.
Sandro Alex promete "continuidade" do trabalho de Ratinho Junior — Foto: Foto: Giuliano Gomes - PR Press
Construção de hospitais e diminuição de filas de cirurgias
Sandro Alex afirmou ao longo da campanha que, para melhorar a saúde no Paraná, vai entregar mais de 100 obras de hospitais que estão em andamento. Disse ainda que pretende ampliar o programa "Opera Paraná" e prometeu que, caso eleito, o estado vai realizar mais de mil cirurgias em um ano, diminuindo as filas e o tempo de espera para os procedimentos.
Telefones de serviços de emergências unificados
Em mais de uma oportunidade, o candidato destacou a proposta de unificar os telefones de serviços de emergência , como a Polícia Militar, Samu, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros no Paraná, com auxílio de Inteligência Artificial. Segundo Sandro Alex, funcionaria como uma triagem com encaminhamento rápido para o órgão responsável pelo atendimento de cada caso.
Ampliação das escolas-cívico militares no Paraná
Sandro Alex prometeu ampliar para 500 o número de escolas cívico-militares no Paraná, caso eleito. O candidato afirmou que há filas de pais que desejam matricular os filhos nas unidades que usam o modelo no estado. Disse ainda que, se eleito, vai disseminar no estado as escolas públicas bilíngues. Segundo o governo do estado, a primeira unidade bilíngue do Paraná está prevista para ser entregue este ano em Piraquara.
Perguntado sobre a Copel, em entrevista à RPC , afiliada da TV Globo no Paraná, o candidato afirmou que pretende atuar junto à Assembleia Legislativa para que o Estado " conecte o homem do campo ao sistema trifásico " de energia elétrica. Segundo ele, esses investimentos serão necessários para melhorar o serviço de transmissão de energia para os paranaenses. Sandro Alex defende ainda a necessidade de criar uma Secretaria Estadual de Energia para cuidar do tema.
Concurso público para as forças de segurança
O candidato prometeu a abertura de um novo concurso público para a contratação de dois mil profissionais no quadro das forças de segurança do Paraná. Disse também que o objetivo é colocar ao menos "mil homens por ano dentro dos quadros das forças de segurança". Outra proposta é o investimento em inteligência e equipamentos para os departamentos.
Sergio Moro é o candidato ao governo do Paraná pelo PL. Durante toda a campanha, se posicionou como o representante da família Bolsonaro no estado e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência. Apostou no legado da Operação Lava Jato e trouxe o combate à corrupção e a oposição ao PT como principal bandeira durante a campanha. Na pré-campanha, chegou a afirmar que o atual governador do estado, Ratinho Junior, não é seu adversário. No entanto, à medida que as trocas de ataques ao longo da campanha se acirraram, adotou um discurso mais crítico ao atual governo do estado.
Sergio Moro se pautou em transformar o Paraná em uma "fortaleza contra o PT" — Foto: Foto: Giuliano Gomes - PR Press
Sergio Moro destacou em diversas oportunidades que, se eleito, vai criar a "Agência Estadual de Combate à Corrupção ", um órgão com "os melhores servidores públicos" para fiscalizar possíveis fraudes em licitações e enriquecimentos ilícitos. Disse ainda que a diretoria do órgão terá mandato de quatro anos para que não sofra pressões políticas.
Durante a campanha, o candidato frisou que pretende construir um presídio estadual de segurança máxima no Paraná , batizado de "Cárcere Duro", sem visita íntima ou contato externo. Segundo Moro, a ideia é deter no local, inclusive, homens condenados por crimes como feminicídio para "dar um recado forte contra aqueles que praticam crimes violentos contra as mulheres".
Sergio Moro afirmou durante a campanha que não é contrário à privatização da Copel, mas disse que é preciso cobrar planos de investimentos da empresa para melhoria dos serviços prestados à população. Disse também que a Copel deve reparar os prejuízos causados aos paranaenses em casos de queda de energia.
Plataforma para acompanhar pedágios e obras nas rodovias
Para fiscalizar o andamento das obras nas rodovias sob responsabilidade das concessionárias que administram os pedágios, o candidato propôs a criação de uma plataforma digital. Segundo ele, a plataforma daria transparência aos processos e mostraria os valores dos pedágios, as obras previstas e os cronogramas de execução. Moro disse que a proposta seria semelhante ao Observatório Digital dos Pedágios, projeto desenvolvido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Caso eleito, o candidato prometeu criar a tabela SUS Paranaense, para complementar, com recursos do estado, os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pelos serviços prestados por hospitais privados e profissionais de saúde. Moro afirmou ainda que a proposta é inspirada na tabela SUS Paulista. A intenção, segundo ele, é evitar que hospitais dependam de decisões individuais da Secretaria de Estado da Saúde para receber valores adicionais.
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