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Escolas de Piracicaba: 59% estão sem ar-condicionado; veja lista | G1

Programa estadual visa melhorar o conforto térmico e as condições de ensino e aprendizagem nas escolas da rede com aumento das temperaturas extremas, mas 59% das escolas de Piracicaba não vão receber aparelhos.

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Ar-condicionado instalado em escola na região de Piracicaba — Foto: Arquivo pessoal

A maioria das escolas estaduais da região de Piracicaba , o equivalente a 59%, não tem ar-condicionado nas salas de aula e ficou fora da atual etapa do projeto de climatização do governo de São Paulo. A informação foi obtida pelo g1 por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Segundo a resposta da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), 37 das 63 escolas estaduais da região não têm climatização com o aparelho. Outras 26 unidades já estão com o sistema instalado ou em fase de conclusão até o início do ano letivo de 2027 (veja a lista completa no fim desta reportagem). A ideia, segundo resposta da Seduc, é melhorar as condições de conforto térmico e de ensino e aprendizagem nas escolas.

Os dados são de 14 de setembro de 2026. A Unidade Regional de Ensino de Piracicaba reúne escolas em Águas de São Pedro (SP), Charqueada (SP), Piracicaba (SP), Saltinho (SP), Santa Maria da Serra (SP) e São Pedro (SP). Nessas cidades, a rede atende 29.322 estudantes e tem 2.100 professores, segundo a Seduc.

A Seduc informou, em nota, que o programa de climatização prioriza as regiões mais quentes do estado e com maior necessidade de refrigeração. Segundo a Seduc, o programa prevê a climatização de 1.500 escolas das 5 mil unidades espalhadas pelo estado.

O g1 perguntou quais critérios foram usados para contemplar 26 das 63 escolas da região de Piracicaba, mas a secretaria enviou nota que não respondeu à pergunta e afirmou que são 30 escolas que serão climatizadas de uma lista total de 68 unidades na regi

Ainda segundo a secretaria, a instalação por esse programa ocorre em três etapas: adaptação da rede elétrica das escolas, instalação dos aparelhos e, por fim, ligação da energia pelas concessionárias.

Escola Estadual 'Augusto Melega' em Piracicaba — Foto: Edijan Del Santo/EPTV/Arquivo

Para adaptar as escolas ao constante aumento das temperaturas e mitigar o impacto do calor no desenvolvimento de crianças e adolescentes, as pesquisadoras Letícia Neves e Eduarda Chaga, especialistas em arquitetura bioclimática pela Unicamp, explicaram que as adaptações devem ir além da instalação de ar-condicionado.

A recomendação é priorizar estratégias arquitetônicas de "climatização passiva" (que não consomem energia elétrica) desde o projeto de construção, como paredes grossas e altas, prédios que permitam a ventilação cruzada e a escolha de uma orientação correta de construção em relação ao sol e ao vento.

Já para a adaptação das escolas existentes, as especialistas indicaram o isolamento térmico de telhados e coberturas, pintura de fachadas em cores claras (que absorvem menos radiação), sombreamento com arborização e a otimização da ventilação natural para garantir o resfriamento dos ambientes internos.

Quando necessária, a climatização ativa (uso de energia elétrica para climatizar um ambiente, como ar-condicionado ou ventilador) deve atuar como um complemento para dias de calor extremo, reduzindo o consumo de energia e a dependência elétrica.

Parede com Cobogó, revestimento que ajuda a manter ambientes ventilados e iluminados — Foto: Divulgação | Portobello

O risco do ar-condicionado sem planejamento

Letícia Neves alertou que a simples instalação de aparelhos do tipo split em salas fechadas apenas recircula o ar "velho", o que eleva os níveis de CO₂ e piora a qualidade do ar local.

"É totalmente insalubre, contribui para a transmissão de doenças e causa cansaço e fadiga. Sem percebermos, dá uma sonolência quando a concentração de CO₂ está muito elevada", afirma a especialista.

Para resolver o problema, Neves explicou que há duas alternativas: ao optar por um aparelho split comum, é obrigatório instalar um ventilador separado apenas para renovar o ar. Já em sistemas mais modernos e robustos (como multi-split ou central), essa renovação é feita pelo próprio equipamento.

Em ambos os casos, a especialista ressaltou que é fundamental a contratação de um projetista de ar-condicionado. "Conceber o ambiente exige um raciocínio projetual exigido por norma. A NBR 16401 estabelece uma taxa mínima de renovação de ar dependendo de vários fatores, como a densidade de ocupação do ambiente", explica.

O g1 questionou se a instalação dos aparelhos em toda a rede segue a NBR 16401, mas a pasta não respondeu até a última atualização desta reportagem.

Prédio da Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República, Centro de São Paulo. — Foto: Divulgação/Seduc-SP

Lista de escolas com e sem ar-condicionado

Escolas que receberam ou vão receber ar-condicionado até 2027

Escolas fora do programa de climatização com ar-condicionado

Sobre as escolas que ficaram fora desta etapa do projeto, a Seduc-SP informou que as unidades têm, em média, três ventiladores por sala de aula.

Em dias de calor intenso, a orientação do governo estadual é que as escolas adaptem a rotina para proteger os alunos.

aulas de Educação Física com menor intensidade;

evitar a exposição dos estudantes ao sol, principalmente entre 10h e 16h, horário mais quente do dia.

A secretaria afirmou ainda que as direções das escolas têm autonomia para fazer essas adaptações conforme a necessidade.

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Saturday, October 3, 2026

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