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Projeto sustentável: comunidade de Santarém recolhe mais de 100 kg de materiais recicláveis | G1

Espaço inaugurado na Vila Anã busca reduzir a queima e o descarte irregular de lixo; cerca de 40% dos moradores já participam da separação dos resíduos.

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Comunidade ribeirinha no oeste do Pará recolhe mais de 100 kg de materiais recicláveis para venda — Foto: Renata Corrêa

Moradores da Vila Anã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, em Santarém , no oeste do Pará, recolheram pouco mais de 100 quilos de plástico, latas e papelão nas primeiras semanas de funcionamento de um espaço de reciclagem criado na comunidade. A iniciativa busca reduzir o descarte irregular de lixo e preparar os materiais para comercialização em Santarém, com recursos destinados à manutenção do projeto e a melhorias para os moradores.

A Vila Anã tem 86 famílias e mais de 300 habitantes. Antes da criação do Espaço Motirô , a comunidade não contava com um sistema estruturado de coleta de resíduos. Parte do lixo era descartada diretamente no solo ou queimada. Os moradores também utilizavam uma área improvisada, conhecida como “cemitério morto”, para acumular os materiais.

Inaugurado em 26 de agosto de 2026, o espaço conta com galpão, prensa para compactação, lixeiras e uma motocicleta adaptada para recolher os recicláveis. A coleta é feita às sextas-feiras, e os materiais são levados para triagem e separação durante o fim de semana.

Segundo os responsáveis pelo projeto, cerca de 40% da comunidade já participa da separação e do descarte correto dos materiais. A meta é chegar a 70% de engajamento em um ano.

Venda dos recicláveis ainda será iniciada

Os materiais deverão ser vendidos para cooperativas — Foto: Renata Corrêa

A próxima etapa é prensar e compactar os materiais para viabilizar a venda em Santarém. A iniciativa prevê uma parceria com a cooperativa de reciclagem You Green, que está em fase de articulação.

O transporte deverá ser feito de barco, utilizando uma embarcação da própria comunidade que já realiza viagens regulares para levar passageiros e cargas até Santarém. A proposta é aproveitar o trajeto de retorno, que muitas vezes é feito sem carga.

A comercialização ainda não começou. O planejamento prevê que o dinheiro obtido com a venda dos materiais seja utilizado para cobrir despesas operacionais, como combustível e manutenção dos equipamentos, além de financiar melhorias na comunidade e ações coletivas.

A organização do Espaço Motirô é feita por um grupo de cinco moradores, responsáveis pela coordenação, coleta, operação dos equipamentos e separação dos materiais. A comunidade também recebeu capacitação para administrar o espaço e conduzir as atividades.

Um dos responsáveis é Danilo Duarte, nascido na Vila Anã. Artesão, ele já utiliza materiais recicláveis na produção de peças e ensina a atividade a crianças e jovens, além de comercializar os trabalhos no turismo de base comunitária.

Para Danilo, ampliar a participação dos moradores é um dos principais desafios neste início de projeto.

“Ter quase metade da comunidade engajada em apenas dois meses é muito, nossa luta é para que todos entendam a importância de separar o lixo. Além disso, meu sonho é que as crianças e jovens aprendam o artesanato reciclável comigo e possam gerar renda e pertencimento”, afirmou.

Além da coleta, a iniciativa prevê atividades de conscientização para incentivar a separação dos resíduos e reduzir a queima de lixo na comunidade. O coordenador está planejando ações com a Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima para incluir o tema nas atividades pedagógicas do próximo ano.

O projeto também busca incentivar o reaproveitamento de materiais. Na comunidade, grupos de jovens artesãos já utilizam madeira caída para produzir peças.

Os resíduos que não podem ser reciclados continuam sendo destinados à área de descarte local, enquanto o aproveitamento de materiais orgânicos por meio da compostagem ainda ocorre de forma inicial.

A iniciativa surgiu após uma experiência de troca de conhecimentos entre moradores e dez diretores da multinacional Veolia, organizada pela consultoria Design For People. Durante quatro dias na Vila Anã, os participantes ouviram lideranças locais e identificaram problemas relacionados ao descarte de lixo. A experiência resultou na estruturação do espaço, com doação de equipamentos, materiais educativos e apoio à capacitação dos comunitários.

Para Renata Correa, cofundadora da Design For People e idealizadora do Motirô, a experiência mostra como o desenvolvimento de lideranças pode ultrapassar os limites tradicionais dos programas corporativos e conectar aprendizado, engajamento e impacto socioambiental.

“Nossa proposta é trabalhar os dois lados do Social do ESG: o desenvolvimento das pessoas dentro das organizações e a geração de impacto positivo para pessoas fora das organizações, nas comunidades. Quando uma liderança se abre para ouvir, compreender uma realidade diferente e construir uma solução junto com quem vive aquele problema, a inovação pura acontece e o aprendizado deixa de ser apenas conceitual e passa a ser vivido na prática”, afirmou.

A proposta é que a gestão continue sob responsabilidade dos moradores e que, após consolidar o funcionamento na Vila Anã, o modelo possa ser levado a outras comunidades da região. Maripá, comunidade vizinha, está entre as primeiras previstas para receber a iniciativa.

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Tuesday, October 20, 2026

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