Skip to content

Friday, September 18, 2026

Gigantum.net
World

Indígena de 106 anos comemora chegada de luz em aldeia em SC | G1

Aldeia Sol do Amanhecer, em Blumenau, agora tem luz. Indígenas do grupo Kaingang vivem no local.

· 463 words

Durante à noite, a escuridão tomava conta da aldeia indígena Sol do Amanhecer, localizada em Blumenau , no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. O sol se punha e as crianças precisavam fazer o dever de casa à luz de velas e um fogo era aceso para todos pudessem se ver.

Tudo mudou com a instalação de um poste. Os sorrisos estamparam os rostos dos indígenas, que são do grupo Kaingang, após a conquista, que precisou tramitar na esfera judicial. "Povo está feliz", resumiu o cacique, Alcir Salvador.

Entre os moradores está Elena Cadete, que, aos 106 anos, pela primeira vez morou em um local com energia elétrica.

A luta para trazer a luz na aldeia começou há anos. Porém, foi em 2026 que o Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas enviou um ofício à Defensoria Pública pedindo apoio.

Com esse suporte, a Defensoria entrou com uma ação civil pública. A aldeia fica no bairro Itoupava Norte, em uma área urbanizada.

A energia elétrica começou a funcionar no local em 5 de setembro.

Indígenas comemoram chegada da energia elétrica em aldeia de Blumenau, SC — Foto: Arquivo pessoal

Falta de iluminação atrapalhava rotina e gerava risco de acidentes

O cacique explicou que, antes da chegada da energia elétrica, a escuridão atrapalhava até os estudos dos filhos dele e ele acendia velas para que pudessem fazer os deveres de casa.

"Quando não tem vela, a gente tinha que fazer um fogareiro bem novamente, bem aceso, bem forte, para que eles pudessem fazer o 'tema' deles".

A faz de iluminação também era um risco para acidentes domésticos, principalmente no caso de Elena, e atrapalhava na hora da produção de artesanatos que são vendidos por eles.

Prejudicava também a própria convivência entre eles, que mal conseguiam ver uns aos outros à noite.

"Não foi fácil para conseguir essa claridade, para nós podermos nos enxergar, para nós podermos conversar".

Moradores com chaleira elétrica e Elene, em destaque — Foto: Arquivo pessoal

Conquista foi celebrada com chaleira elétrica

Com a ação civil pública em curso, as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), companhia responsável pelo fornecimento de luz no estado, instalou um poste na aldeia.

A Defensoria Pública informou que vai encaminhar o processo à Justiça Federal, com o objetivo de ajudar a manter a energia elétrica no local de forma permanente.

Para comemorar a conquista, os moradores se juntaram para comprar uma chaleira elétrica.

O defensor público Jorge Calil Canut, que atuou no caso, destacou a celebração da chegada da luz na aldeia. "Uma chaleira elétrica é algo comum pra gente, mas pra eles significou muito. Algo simples e com custo muito baixo pode dar dignidade às pessoas", declarou.

VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

Gathered from external sources. Rights to this text belong to whoever originally published it.