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Saturday, August 29, 2026

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Islândia faz referendo sobre entrada na UE de olho em Trump e Ucrânia | G1

Votação deste sábado (29) não decide adesão ao bloco, mas pode abrir negociações. Enquanto parte do país vê integração como uma segurança, oposição teme pela indústria pesqueira.

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Bandeiras da Islândia na capital do país, Reykjavik — Foto: Leonhard Foeger/Reuters

Moradores da Islândia vão às urnas neste sábado (29) para decidir se o país deve iniciar negociações para integrar a União Europeia (UE). Na mesa estão as investidas recentes de Donald Trump, incluindo as ameaças de tomar o controle da Groenlândia e o tarifaço contra outros países, além da guerra na Ucrânia.

Com cerca de 400 mil habitantes, a Islândia já tem laços fortes com a UE: o país faz parte do Espaço Econômico Europeu e do Espaço Schengen. Por outro lado, a ilha não tem poder para participar das decisões do bloco.

A Islândia já tentou entrar na União Europeia no passado. Em 2009, o país se candidatou a integrar o bloco após a crise econômica de 2008, mas abandonou as negociações anos depois, com a eleição de um governo contrário à medida.

A guerra na Ucrânia e as investidas recentes dos Estados Unidos contra outros países reacenderam na população o debate sobre a entrada na UE.

Ainda assim, a Islândia está dividida sobre se a integração traria mais vantagens do que prejuízos. Pesquisas apontam que os defensores e os opositores das negociações estão empatados. O governo vê o referendo como um "agora ou nunca". Veja, a seguir, os argumentos de cada lado.

Apoiadores afirmam que a entrada no bloco impulsionaria a economia do país e poderia protegê-lo de disputas no Ártico, inclusive diante do interesse de Trump em assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca e vizinho da Islândia na região.

Neste ano, Billy Long, escolhido por Trump para ser embaixador dos EUA na Islândia, disse que o país poderia ser o "52º estado" americano. Ele se desculpou posteriormente pela fala e afirmou que o comentário foi inadequado.

O país também faria parte da união aduaneira da UE, uma área sem tarifas internas e com regras comuns para produtos importados de fora do bloco.

A Islândia poderia adotar o euro como moeda, substituindo a coroa islandesa. Para os defensores, a mudança poderia ajudar a combater a inflação, reduzir os juros e diminuir o custo de vida.

A ministra das Relações Exteriores, Thorgerdur Gunnarsdóttir, disse que a votação se resume a uma pergunta simples: a Islândia ainda pode se dar ao luxo de ficar de fora em um mundo onde antigas certezas estão desmoronando?

"A ordem internacional que sustentou nossa segurança e nossa prosperidade por décadas está sob forte pressão", afirmou. "Em momentos como este, países pequenos precisam pensar com cuidado sobre onde estão e quem está ao lado deles."

Opositores afirmam que o país perderia parte da soberania e ficaria mais sujeito às decisões tomadas pela União Europeia.

A indústria pesqueira, um dos pilares da economia da Islândia, teme que a UE imponha cotas e outras regras para a atividade, o que poderia trazer prejuízos.

Também há o receio de que a entrada na UE abra espaço para que empresas de outros países explorem os recursos pesqueiros nas águas da Islândia.

A manutenção da moeda local permitiria ao país ajustar o câmbio de acordo com as condições da própria economia, sem ficar sujeito às oscilações do euro e da economia europeia.

"Eu acho que a Islândia estaria melhor fora da União Europeia", disse a ex-primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir a jornalistas após participar de um evento da campanha pelo "não" em Reykjavik, na quinta-feira (27).

"Para um país como o nosso, com uma economia pequena, é muito importante manter nossa soberania e não transferir para a UE mais poder do que o necessário."

Bandeiras da União Europeia — Foto: Stephanie Lecocq/Reuters

Diante da divisão, o governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir trata a consulta como um momento de "agora ou nunca" . Caso o "não" vença, o governo disse que não pretende voltar ao assunto.

Se o "sim" vencer, o governo irá reabrir as negociações com a União Europeia. A adesão definitiva dependeria de um segundo referendo popular, que poderia ser realizado daqui a dois anos.

As urnas da Islândia ficarão abertas das 9h às 22h, pelo horário local. Os resultados devem ser publicados nas horas seguintes. A votação é facultativa.

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