Produção de abacaxi cai 80% em Porto Grande por seca no Amapá | G1
Na Colônia Agrícola do Matapi, a cerca de 100 km de Macapá, produtores relatam perdas históricas de frutas e cobram poços artesianos e sistemas de irrigação.
A falta de chuvas e a seca severa estão provocando prejuízos históricos para a agricultura familiar na Colônia Agrícola do Matapi, em Porto Grande , município a cerca de 100 km de Macapá . Lavouras inteiras de frutas, como abacaxi, laranja, coco e banana, foram perdidas devido ao longo período de estiagem.
Em apenas uma propriedade da região, cerca de 8 mil pés de laranja continuam carregados, mas os frutos apodreceram e perderam o valor comercial. Desde setembro, agricultores locais não conseguem realizar colheitas regulares.
"Não tínhamos tido um ano como esse, com uma seca desta proporção. A fruta está totalmente seca e não tem mais mercado. Toda essa produção já foi perdida", lamentou o agricultor Vilmar Laurindo.
A estiagem também derrubou pés de banana e afetou gravemente a produção de coco. O produtor rural Joilson Oliveira de Souza relata que a colheita caiu drasticamente: antes, ele retirava 2.500 cocos por semana; agora, consegue colher apenas 500 a cada 15 dias.
A principal atividade econômica do município, a cultura do abacaxi — que possui desde 2024 o selo de Indicação Geográfica (IG) por suas características únicas de sabor e qualidade —, é uma das mais atingidas.
A colheita na região despencou de cerca de 80 toneladas mensais para menos de 15 toneladas, uma redução superior a 80%.
" Porto Grande tem cerca de 5 milhões de pés de abacaxi, mas boa parte já está morrendo. É uma situação climática natural, mas que precisa de políticas públicas para auxiliar o produtor com urgência", explicou Suel de Araújo Diniz, presidente da Associação dos Produtores de Abacaxi de Porto Grande .
Mesmo nas lavouras com ciclo completo de 12 meses, os frutos não atingiram o tamanho necessário para a venda. Segundo a associação de produtores, compradores já sinalizam escassez de abacaxi no mercado regional.
A poucas propriedades de distância, o cenário muda onde há irrigação. O agricultor Márcio Braga Pereira conseguiu manter a lavoura verde e produtiva graças a um sistema de irrigação financiado por programa estadual. O equipamento é avaliado em cerca de R$ 60 mil.
"Se não fosse a irrigação, a minha plantação estaria perdida, como a de muitos outros produtores", afirmou Márcio.
De acordo com Aldiclei Barbosa dos Santos, presidente da Associação dos Agricultores da Colônia Agrícola do Matapi, o projeto foi captado junto à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR) por meio de edital, beneficiando 20 produtores.
Contudo, para a maioria das cerca de 600 famílias da comunidade, o acesso à água ainda é inviável financeiramente sem apoio governamental.
Além de cestas básicas para socorro imediato, os produtores cobram a perfuração de poços artesianos e a instalação de sistemas de irrigação para salvar o cultivo dos próximos anos.
Para tratar da crise causada pela estiagem na região, representantes dos agricultores reuniram-se com equipes da Defesa Civil Estadual, do Instituto de Extensão de Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
Estiagem severa destrói lavouras e reduz produção de abacaxi em 80% em Porto Grande, no Amapá. — Foto: Arquivo/g1
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