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Saturday, September 19, 2026

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Itapetininga registra setembro mais chuvoso dos últimos 10 | G1

Foram registrados 259,5 mm de chuva até este sábado (18), índice 79% maior que 2022, quando foram registrados 145 milímetros. Agrônoma explica que excesso de água encharca o solo e pode causar cultivos perdidos.

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Itapetininga (SP) registrou o mês de setembro mais chuvoso dos últimos dez anos. As fortes tempestades geraram estragos em diversos pontos de toda a região , com mortes, alagamentos, enchentes e rupturas em uma estrada rural.

Segundo o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), foram registrados 259,5 milímetros de chuva até este sábado (19) . O índice é 79% superior a 2022, que anteriormente ocupava a primeira posição, com 145 milímetros. Veja a lista completa abaixo:

A cidade de São Paulo também vive o setembro mais chuvoso da história da capital paulista desde 1943. Até segunda-feira (14), foram registrados 253,8 milímetros de chuva de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Ao g1 , a meteorologista e pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), Ana Ávila, explica que o volume de 259 milímetros é considerado "sem precedentes".

Asfalto de estrada vicinal em Itapetininga (SP) se rompeu devido ao volume da chuva nesta quinta-feira (10) — Foto: Reprodução/Redes sociais

Apesar da região estar enfrentando um El Niño ( saiba mais nesta reportagem ), não é possível afirmar que o evento seja o responsável pelo alto valor pluviométrico.

"Nós tivemos vários pontos em todo o estado de São Paulo registrando um valor elevado para a primeira metade do mês, com números excepcionalmente acima do esperado e acima do que já foi registrado. Nós temos um El Niño em curso e temos as mudanças climáticas, e tudo isso pode impactar de alguma forma", comenta Ana.

Além disso, ela pontua que a temperatura média global pode aumentar o índice pluviométrico de regiões extremas. Como consequência, haverá chuvas mais intensas e períodos mais prolongados de seca.

"Comprovar isso depende de tempo e estudos, mas estamos com um El Niño em curso e com mudanças climáticas. A possibilidade de que esses fenômenos estejam impactando nessa excepcionalidade de chuva durante o mês de setembro existe", reforça.

Plantação de milho verde em sítio do bairro Sabiauna em Itapetininga (SP) — Foto: Beatriz Pereira/g1

Entre as principais comunidades afetadas pelos fortes temporais, estão os agricultores. De acordo com a meteorologista, a chuva em excesso pode deixar o solo encharcado, dificultando o desenvolvimento de plantações e ocasionando, possivelmente, a redução de qualidade dos frutos.

"Todo excesso é ruim. O elevado volume dificulta os tratos culturais, o plantio e a colheita. As plantas que estão em desenvolvimento, como as frutíferas, podem se beneficiar. Mas, de forma geral. esses dias nublados também podem ter um impacto com relação à qualidade. As chuvas fortes podem danificar as hortaliças, por exemplo. As culturas que estão em colheita sofrem porque precisam de dias secos", afirma.

Aumento do nível do Rio Itapetininga no bairro Curuça 2 — Foto: Jessica Rocha/Arquivo pessoal

O preparo do solo também é uma das tarefas do cultivo que acabam sendo afetadas pelas tempestades. Ana comenta que, atualmente, a previsão é que outubro também tenha um índice pluviométrico acima da média em comparação a outros anos.

"Os modelos estão indicando que outubro também vai ter um volume acima da média. É a questão que vamos acompanhando mais para frente. É um ano que pode ter períodos de temperaturas altas. Temos expectativas de grandes safras, porém, o clima pode ter algum impacto, reduzindo a qualidade e a quantidade delas", aponta a meteorologista.

Produção de Itapetininga (SP) foi afetada pela chuva — Foto: Arquivo pessoal

Já na pecuária, a especialista afirma que a chuva em abundância age de forma positiva, favorecendo os pastos. Mas, nas plantações, elas também podem ser as responsáveis pela proliferação de doenças e pragas.

"As pragas e doenças dependem da cultura, da época que ela está. Os dias nublados tendem sempore a favorecer a umidade e, normalmente, as folhas úmidas tendem a ter maior risco de pragas e doenças. A chuva e o vento danificam a estrutura das folhas, ajudando na infiltração de pragas e doenças", relata.

"Agora, teremos alguns dias de um tempo mais seco, mas a expectativa é que, na próxima semana, volte a ter um tempo mais úmido, com chuvas mais frequentes. Teremos que acompanhar mais de perto para, assim, entender exatamente qual será o volume nas diferentes regiões", completa.

Chuva causou estragos em Avaré (SP) — Foto: Defesa Civil

Maria Isabela Delfino é agrônoma em uma fazenda que cultiva atemoia em Itapetininga. De acordo com ela, a propriedade possui um solo muito argiloso, que fica encharcado durante o período de chuva forte e, por isso, acaba gerando danos nas plantas, como a saturação das raízes.

"Temos um solo com 60% de concentração de argila, que é uma propriedade que retém a água. Em apenas seis dias, nosso pluviômetro registrou 185 milímetros de chuva, ou seja, muita retenção de água. O solo fica encharcado e causa menor oxigenação, saturando as raízes das plantas", explica.

E o que que isso prejudica as próprias plantas? Maria diz que quanto mais água tem no solo, há menos oxigenação, o que satura as raízes das plantas.

A agrônoma descreve que, com o alto volume, as plantas ficam como se estivessem "alagadas", causando a podridão da raiz. Assim, ela não consegue absorver nutrientes, gerando estresse na planta.

"O estresse é causado por excesso de água. Nós estamos no final da safra da atemoia e ela já sofre um estresse por estar sendo podada. Quando vem essa grande quantidade de chuva, a planta fica ainda mais sensível e suscetível à doenças, por não estar em uma condição propícia", ensina.

Atemoia é cultivada em solo argiloso — Foto: Arquivo pessoal

Maria Isabela acrescenta que a chuva pode resultar em um atraso na colheita e, até mesmo, uma florada completamente perdida. A fazenda onde ela trabalha também planta avocados - uma variedade de abacate - que sofreram danos no cultivo devido às tempestades.

"Nós estávamos em plena florada de avocados e, agora, com o excesso de chuva, tivemos bastante abortamentos. Estavam bem bonitos, cheio de flores, mas hoje já não tem mais nada por causa do alto índice. Tem que ter um equilíbrio, porque a falta e o excesso são ruins", lamenta.

Segundo a agrônoma, não há um método que possa acelerar a secagem do solo. A orientação, ao menos na fazenda onde ela trabalha, é aguardar a secagem natural.

"Em alguns casos, quando o solo fica com muita poça de água, dá para fazer um dreno dependendo do terreno, mas é muito difícil. Nós já temos culturas plantadas nesses lugares, então, tem que esperar secar", afirma.

Enquanto o solo permanece encharcado, o manejo se concentra na recuperação das plantas que já foram afetadas pelo excesso de água. Segundo a agrônoma, alguns produtos e práticas podem ajudar a reduzir os impactos do estresse e favorecer a recuperação da lavoura.

"Para recuperar a planta, é bom contribuir com biológicas no solo, porque a microbiota ajuda o solo a se regenerar e, também, dar estrutura à planta. Produtos à base de aminoácidos ajudam a planta a voltar do estresse. São manejos que você tentar recuperar, mas, infelizmente, não tem muito o que fazer", finaliza Maria Isabela.

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