Nobel da Paz 2026: entenda como o vencedor é escolhido | G1
Comitê norueguês responsável pela entrega do prêmio é composto por cinco membros e não é vinculado ao governo da Noruega.
Moeda concedida aos vencedores do prêmio Nobel da Paz — Foto: Patrick Semansky/AP
O vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2026 será anunciado na manhã desta sexta-feira (9) pelo comitê norueguês responsável pela premiação.
Ao todo, 287 candidatos foram indicados para o prêmio deste ano, incluindo 208 pessoas e 79 organizações, segundo o comitê do Nobel. No entanto, ninguém sabe quem eles são porque a lista de indicados é mantida em sigilo por 50 anos dentro de um cofre no porão do Instituto Nobel da Noruega , em Oslo.
Mesmo assim, todos os anos, especialistas do Nobel da Paz indicam quem são as personalidades e instituições que eles julgam ser favoritos para vencer o prêmio, com base na pauta que está em mais evidência no mundo naquele momento.
Neste ano, por exemplo, o Comitê Nobel norueguês afirmou que "acompanha de perto a reconfiguração da ordem mundial e as pessoas que promovem novas formas de cooperação" nessa realidade, o que pode ser um indício do pensamento de seus integrantes.
O Comitê Nobel Norueguês é formado por cinco pessoas nomeadas pelo Parlamento da Noruega. Os membros são frequentemente, mas não sempre, políticos aposentados. O atual comitê é liderado pelo chefe da filial norueguesa do PEN Internacional, grupo que defende a liberdade de expressão. Outro membro é um acadêmico.
Todos são indicados por partidos políticos noruegueses, e suas nomeações refletem o equilíbrio de poder no Parlamento da Noruega. Os membros do comitê, no entanto, não têm nenhum vínculo com o governo norueguês.
A resposta curta é: quem quer que se enquadre na descrição estabelecida no testamento de 1895 do industrial sueco Alfred Nobel. O documento diz que o prêmio deve ser concedido à pessoa “que tenha feito mais ou melhor para promover a fraternidade entre as nações, a abolição ou redução dos exércitos permanentes e a realização e promoção de congressos de paz”.
A resposta mais complicada é que o prêmio “precisa ser colocado no contexto atual”, segundo Kristian Berg Harpviken, secretário do comitê do prêmio, que prepara o trabalho para o órgão responsável pela premiação. Ele participa das deliberações, mas não vota.
“Eles vão olhar para o mundo, ver o que está acontecendo, quais são as tendências globais, quais são as principais preocupações, quais são os processos mais promissores que vemos”, disse ele à Reuters no ano passado.
“E processos aqui podem significar qualquer coisa, desde um processo de paz específico até um novo tipo de acordo internacional que esteja em desenvolvimento ou que tenha sido adotado recentemente.”
Nomes cotados para receber o Nobel da Paz — Foto: EPA; AP; Andy Wong/AP; Denis Balibouse/Reuters; Yves Herman/Reuters; Reprodução: Wikimedia Commons
Além dos líderes dos EUA e do Canadá, para esta edição, analistas apostam em candidatos ligados à cooperação internacional, à defesa dos direitos humanos e à proteção de civis em áreas de conflito. Também aparecem entre as apostas instituições internacionais, organizações humanitárias e grupos que atuam na defesa da liberdade de imprensa e dos direitos das crianças.
O cenário de guerras e crises humanitárias também colocou na lista redes de voluntários e equipes de emergência que prestam ajuda diretamente às populações afetadas.
Entre as pessoas, os destaques vão para:
Jornalista e militante pró-democracia chinês Jimmy Lai;
Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados;
Mykola Kuleba, militante pelo direitos das crianças.
As apostas institucionais mais citadas são:
Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês);
Salas de Resposta de Emergência do Sudão, rede sudanesa de grupos comunitários que fornece ajuda durante a guerra civil;
Save the Children (Salve as crianças), organização não governamental de ajuda a crianças em meio ao conflito no Sudão .
Os líderes do Camboja, de Israel e do Paquistão disseram ter indicado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora não haja como verificar isso.
Se Trump de fato tiver sido indicado, suas chances de vencer são muito baixas , segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias Reuters.
Mesmo assim, esses especialistas julgam que Trump ainda pode ter alguma influência na escolha do vencedor, dado o poder que o presidente norte-americano projeta.
Milhares de pessoas em todo o mundo podem propor nomes: membros de governos e parlamentos; atuais chefes de Estado; reitores e professores universitários de história, ciências sociais, direito e filosofia; e ex-laureados do Prêmio Nobel da Paz, entre outros.
As indicações foram encerradas em 31 de janeiro. Os membros do comitê também podem fazer suas próprias indicações, no máximo até a primeira reunião do órgão em fevereiro.
O comitê discute todas as indicações e depois estabelece uma lista de finalistas. Cada indicado é então avaliado e analisado por um grupo de assessores permanentes e outros especialistas.
O comitê se reúne aproximadamente uma vez por mês para discutir as indicações. A decisão tende a ser tomada em agosto ou setembro, disse Harpviken.
O comitê busca chegar a um consenso sobre sua escolha. Se isso não for possível, a decisão é tomada por maioria de votos.
A última vez que um membro deixou o comitê em protesto foi em 1994, quando o líder palestino Yasser Arafat dividiu o prêmio com Shimon Peres e Yitzhak Rabin, de Israel.
Uma medalha de ouro, um diploma, 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões) e atenção mundial imediata.
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