São Paulo terá domingo chuvoso e frio após temporal causar alagamentos e deixar desaparecidos | G1
Capital registrou 75,4 mm de chuva em 24 horas, maior volume do país no período; Jardim Pantanal, na Zona Leste, voltou a ficar debaixo d’água e cidades da Grande SP tiveram deslizamentos e alagamentos.
São Paulo terá um domingo (13) chuvoso e frio após um sábado marcado por alagamentos, transtornos no trânsito e ocorrências graves na capital e na Grande São Paulo . Em Jandira, dois homens estão desaparecidos depois de serem arrastados pela correnteza de um rio durante a madrugada.
Segundo a previsão do Climatempo, deve chover durante todo o domingo, durante o dia e também à noite. A temperatura deve ficar entre 14ºC e 16ºC.
A chuva deste sábado (12) provocou alagamentos em diferentes pontos da capital e da Grande São Paulo. No Mirante de Santana, na Zona Norte, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 75,4 milímetros em 24 horas, o maior volume de chuva do país no período, segundo a Defesa Civil.
Segundo o boletim de ocorrência, um deles estava em uma área alagada quando foi arrastado pela correnteza. O outro homem e a irmã, de 32 anos, tentaram ajudá-lo, mas também foram levados pela água. A mulher conseguiu se agarrar a árvores às margens do rio e foi socorrida.
Ela contou que a correnteza ficou forte de forma repentina.
“Foi, foi minutos. Foi muito rápido. Entendeu? Na hora que eu fui levada, parece que a onda veio do nada e me levou, sabe? Porque não tava tão forte assim.”
Até a última atualização, os dois homens ainda não haviam sido encontrados.
No sábado, a Defesa Civil Municipal recebeu 34 chamados, entre 6h e 18h. Foram 14 ocorrências de quedas de árvores, 12 para desabamentos e oito para deslizamentos.
3 de fevereiro - Moradores do Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, enfrentam terceiro dia seguido de inundações no bairro, que sofre há décadas com os problemas das enchentes. A região com cerca de nove bairros fica numa área de várzea do rio Tietê — Foto: Fábio Vieira/FotoRua via Estadão Conteúdo
Na região do Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, ruas e casas voltaram a ficar alagadas neste sábado.
Quartos, cozinhas e salas foram tomados pela água. Moradores levantaram móveis para tentar salvar os pertences.
Durante a enchente, bombeiros resgataram um homem acamado e o levaram para um local mais seguro.
O distrito tem 45 mil moradores, fica dentro do Jardim Helena e é uma área de várzea que se estende por nove bairros ao longo da Zona Leste, divisa com Guarulhos. Localizada na beira do Rio Tietê, a área é onde justamente o rio corre devagar e faz curvas.
A região deveria ser uma Área de Proteção Ambiental (APA), em que são proibidas construções de casas e ruas. Contudo, a ocupação irregular e desordenada da cidade transformou a região em um bairro de muitas famílias e comunidades.
Moradores também reclamaram de uma obra na Rua Macapera e disseram que a situação teria piorado depois da intervenção.
“Colocaram uns tubo aí, mas ao invés da situação melhorar, piorou, jovem, piorou. Quando chove, a água entra na casa, não tem como sair”, disse o aposentado Antonio de Oliveira.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que as obras na Rua Macapera não têm relação com os alagamentos na região do Jardim Pantanal. Segundo a administração municipal, galerias de microdrenagem foram implantadas para ajudar no escoamento das águas.
A Prefeitura também informou que a Guarda Civil Metropolitana Ambiental estava no local com viaturas e botes para auxiliar os moradores.
O temporal também provocou problemas no trânsito da capital.
Na Marginal Tietê, um alagamento bloqueou as pistas sob as pontes das Bandeiras, Casa Verde e Freguesia do Ó, no sentido da Rodovia Castello Branco.
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o congestionamento chegou a 564 quilômetros às 13h30, o segundo pior índice da semana, atrás apenas de quinta-feira.
Durante a tarde, parte das pistas foi liberada, mas a pista central continuava interditada e a pista expressa, próxima ao Rio Tietê, seguia com tráfego lento.
Na Rodovia Régis Bittencourt, na altura de Itapecerica da Serra, houve alagamentos no sentido da capital. Motoristas chegaram a entrar na contramão para conseguir passar.
Outras cidades da região metropolitana também registraram ocorrências.
Em Cotia, o centro de treinamento das categorias de base do São Paulo Futebol Clube ficou alagado. Uma partida do Sub-15 foi suspensa no intervalo, enquanto os jogos do Sub-17 e do Sub-20 foram adiados.
Em Juquitiba, alagamentos e deslizamentos atingiram diversos bairros. Segundo a prefeitura, 60 casas foram interditadas e 50 pessoas ficaram desalojadas. Um abrigo provisório foi montado para receber os moradores.
Em Santo André, houve quedas de árvores e desabamentos, sem registro de vítimas graves.
O governo do estado anunciou ajuda aos municípios atingidos pelas chuvas.
Segundo a Defesa Civil do Estado, São Paulo vive um dos setembros mais chuvosos desde 1943.
Na capital, o acumulado do mês já está entre os maiores da série histórica, embora setembro ainda esteja na primeira metade.
A sequência de chuva também mantém as temperaturas baixas na cidade.
A explicação apresentada para o período chuvoso é a atuação de frentes frias mais frequentes sobre o estado, em um cenário associado ao El Niño.
Nos anos de 1983 e 1993, também houve episódios de El Niño forte e setembros muito chuvosos em São Paulo.
A orientação é que moradores acompanhem os alertas da Defesa Civil e evitem áreas sujeitas a alagamentos durante os períodos de chuva.
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