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Tartaruga mais velha do mundo: o segredo da longevidade de Jonathan | G1

Cientistas descobriram o que torna o animal terrestre mais velho do mundo tão resistente à passagem do tempo. Contemporâneo de Darwin, bicho sobreviveu a duas guerras mundiais e grandes pandemias.

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Jonathan conserva mecanismos de reparação celular próprios de tartarugas muito mais jovens, diz estudo — Foto: St Helena/PA Media/dpa/picture alliance

Ele foi contemporâneo de Charles Darwin (1809–1882), pai da teoria da evolução, e sobreviveu a duas guerras mundiais e grandes pandemias, da gripe espanhola à covid-19.

Jonathan, o animal terrestre mais longevo do mundo, tem 194 anos de idade. Uma análise de sua genética privilegiada revelou o segredo de sua eterna juventude.

Este exemplar de tartaruga-gigante foi levado das Ilhas Seychelles para a ilha de Santa Helena (um território britânico ultramarino situado a 1.860 quilômetros da costa de Angola) em 1882 , como um presente para Sir William Grey Wilson, que, pouco depois de recebê-lo, foi nomeado governador da ilha.

A tartaruga já tinha 50 anos quando se instalou nos jardins da residência do governador de Santa Helena, e lá permanece há 144 anos.

Embora pertença a uma espécie muito longeva – a das tartarugas-gigantes-das-Seychelles (Aldabrachelys gigantea hololissa), que podem viver cerca de cem anos –, Jonathan quebrou todos os recordes de longevidade, o que levou uma equipe internacional de cientistas vinculados a centros dos Estados Unidos, Reino Unido, Dinamarca e Alemanha a investigar o motivo.

Jonathan chegou à ilha de Santa Helena como um presente para o governador local, sir William Grey-Wilson — Foto: St. Helena Presseamt/dpa/picture alliance

Análise de uma longevidade extraordinária

Os pesquisadores coletaram material genético de Jonathan por meio de raspagens na bochecha e de um exame de sangue com coleta pela boca, no qual o animal foi atraído com comida de um modo que o levou a abrir bastante suas mandíbulas.

Da mesma forma, os cientistas obtiveram material genético de outras quatro tartarugas-das-Seychelles – jovens e mais velhas – para fins de comparação. Um artigo científico publicado na última quarta-feira (7) na revista científica Science Advances descreve as descobertas resultantes do estudo de seu genoma e metiloma, bem como da comparação com os de outros exemplares de sua espécie.

O sequenciamento de seu genoma revelou que a tartaruga não apenas possui bons genes, como a maioria de sua espécie, mas também não apresenta sinais de deterioração genética . E é aí que reside a chave de sua extraordinária longevidade.

Os cientistas identificaram 287 variantes genéticas únicas que reduzem os efeitos habituais do envelhecimento.

Essas variantes controlam processos fundamentais do organismo que impedem o envelhecimento celular, como o reparo de danos no DNA, a redução da inflamação, a regulação da insulina e a supressão do câncer.

Em termos mais técnicos, os cientistas estudaram o metiloma completo de Jonathan, ou seja, o conjunto de "marcas" químicas em seu DNA que regula quais genes são ativados ou desativados nas células ou, dito de outra forma, as instruções precisas que orientam o desenvolvimento e o funcionamento do corpo da tartaruga.

A entropia da metilação do DNA analisa a heterogeneidade ou o "ruído" que pode existir nessas marcas químicas (grupos metil) em uma população de células.

No caso da tartaruga mais longeva do mundo, observou-se que esse "ruído" é mínimo nos genes relacionados à função mitocondrial, ao processamento de RNA e ao reparo do genoma.

Ao que tudo indica, a tartaruga possui o que se chama de "transcrição genética de alta fidelidade", o que lhe confere uma resistência única ao envelhecimento. Os pesquisadores compararam o metiloma de Jonathan com o de tartarugas-gigantes mais jovens da mesma espécie e observaram que os interruptores que controlam os genes de reparo do DNA e do metabolismo de Jonathan são muito semelhantes aos de seus parentes mais jovens.

"Em Jonathan, os reguladores genéticos envolvidos na produção de energia e no reparo do DNA permaneceram incrivelmente estáveis durante quase dois séculos, o que é notável, pois geralmente eles se deterioram com o tempo", aponta um dos autores, Justin Gerlach, pesquisador de ecologia de tartarugas-gigantes na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

"O genoma de Jonathan nos oferece um modelo de resiliência celular. Agora, nosso objetivo é aproveitar esses conhecimentos evolutivos e traduzi-los imediatamente em tratamentos práticos e acessíveis para as pessoas comuns", destaca outro autor, Stephen Clark, diretor da Fundação Kallel, que estuda os processos de envelhecimento.

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Saturday, October 17, 2026

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