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Monday, September 21, 2026

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Esvaziada e sob pressão de Trump, ONU enfrenta crise de credibilidade | G1

Com dificuldades financeiras, paralisia decisória e perda de apoio dos EUA, Assembleia Geral expõe os desafios para preservar o multilateralismo.

· 622 words

Entre cortes de financiamento, o desprezo de seu principal contribuinte e uma grave crise do multilateralismo, o palco da Assembleia Geral da ONU estará montado pela 81ª vez a partir desta terça-feira, em Nova York .

Inoperância e paralisia figuram entre as críticas frequentes à atuação do organismo mundial composto por 193 países , agravadas pelos desdobramentos da guerra iniciada em fevereiro por Estados Unidos e Israel ao Irã .

O presidente americano, Donald Trump , retorna ao púlpito da ONU para encarar uma plateia descrente em relação aos desmandos de seu governo para enfraquecê-la e desfazer alianças.

Os EUA se retiraram de 31 entidades das Nações Unidas , após o presidente promover ataques sistemáticos ao seu funcionamento e tentar criar um mecanismo alternativo para substituir o organismo: o fracassado Conselho da Paz.

Trump busca, contudo, o protagonismo com dois anúncios com potencial para ofuscar a Assembleia Geral: um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia , a ser firmado em Nova York, e o primeiro encontro com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez , após a invasão ao país e captura de Nicolás Maduro, em janeiro passado.

A despeito do descaso demonstrado em anos anteriores, seu discurso, logo após o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , atrairá audiência. A ameaça com tarifas econômicas e a irritação com aliados que se recusaram a ajudar os EUA na empreitada contra o Irã, contudo, já não produzem o efeito planejado.

Trump discursa na ONU em 23 de setembro de 2025 — Foto: Shannon Stapleton/Reuters

É como se a atuação inconstante de Trump empurrasse seus aliados na direção de outros grupos. Em artigo publicado no domingo no jornal britânico “Financial Times”, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, os presidentes Lula e William Ruto, do Quênia, e o primeiro-ministro do Canadá , Mark Carney, anunciaram uma nova iniciativa diplomática, batizada de Parceiros pelo Multilateralismo (P4M) , com o objetivo de aproximar países dispostos a trabalhar na reforma da ONU e de outras instituições internacionais.

O texto alerta que um sistema multilateral que não reflita as realidades atuais não resistirá ao teste do tempo e prevê a necessidade de renová-lo, mantendo o compromisso com os princípios básicos da Carta da ONU.

“São princípios que não são negociáveis, como a igualdade soberana, a integridade territorial, a solução pacífica de controvérsias, a proibição da ameaça ou do uso da força, o direito internacional humanitário, o direito sustentável, os direitos humanos e as liberdades fundamentais”, afirmam Costa, Lula, Ruto e Carney.

A crise existencial da ONU é acentuada pela drástica situação financeira que afeta a organização , sobretudo pela falta de pagamento da contribuição obrigatória dos EUA para o seu orçamento. Levou o secretário-geral, António Guterres , a alertar duas vezes este ano sobre o risco iminente de colapso financeiro.

A onda de cortes reduziu o número de funcionários em 19% e afetou as missões de paz, enxugando agências humanitárias e missões de paz, obrigando 13 mil militares a serem repatriados.

O governo Trump pagou esta semana US$ 725 milhões às Nações Unidas, para reduzir a dívida e assegurar a manutenção de seu direito a voto na Assembleia Geral. Mas, segundo o porta-voz da ONU, Farhan Haq, os EUA ainda devem US$ 1,312 bilhão ao orçamento.

E, por fim, a Assembleia Geral deste ano será dominada também pela sucessão de Guterres, que termina o mandato de dez anos em dezembro.

A falta de consenso sobre o futuro secretário-geral em três votações informais traduz a inércia do organismo. A aprovação de um nome requer o aval de Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin , entre os cinco líderes que detêm o poder de veto no Conselho de Segurança, mas, até agora, nenhum nome emergiu como franco favorito.

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