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Friday, September 25, 2026

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Estudo da Fiocruz mostra alta adesão à PrEP injetável | G1

Pesquisa publicada na The Lancet HIV avaliou uso do cabotegravir no SUS. Conitec deve discutir em outubro a implementação da injeção no Sistema Único de Saúde, após consulta pública.

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Cabotegravir é um medicamento injetável para prevenção do HIV — Foto: Divulgação

Um estudo brasileiro publicado nesta quinta-feira (24) na revista científica The Lancet HIV mostrou que pessoas que usaram o cabotegravir injetável como profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV tiveram 90,8% dos dias de acompanhamento cobertos pela prevenção .

Entre os participantes que usaram a PrEP oral, atualmente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), esse índice foi de 35,5%.

A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) em seis capitais brasileiras e avaliou o uso do cabotegravir em condições reais de atendimento no SUS.

Ao todo, 1.201 pessoas participaram do estudo ImPrEP CAB Brasil, entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas não binárias e homens e mulheres trans, com idades entre 18 e 30 anos.

Os participantes foram recrutados entre 17 de outubro de 2023 e 16 de setembro de 2024, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador; e acompanhados até 16 de outubro de 2025.

O cabotegravir é aplicado por meio de injeções de ação prolongada. Depois das doses iniciais, a aplicação é feita a cada dois meses. A PrEP oral, por outro lado, são comprimidos que precisam ser tomados diariamente, de forma regular, para garantir a proteção.

Entre os participantes que escolheram o cabotegravir, foram registradas três novas infecções pelo HIV durante o acompanhamento. A incidência foi de 0,20 caso por 100 pessoas ao ano.

Na coorte de comparação, que utilizou a PrEP oral no SUS, foram registradas 18 novas infecções, com incidência de 1,48 caso por 100 pessoas ao ano.

A adesão às aplicações do cabotegravir também foi alta: 92% das injeções foram realizadas dentro do prazo previsto pelo estudo.

Os pesquisadores avaliaram a estratégia em um modelo chamado estudo híbrido de implementação de tipo 2, que combina a análise da efetividade da tecnologia com a avaliação de como ela funciona na rotina dos serviços de saúde.

A pesquisa é um complemento dos resultados obtidos anteriormente em ensaios clínicos.

A PrEP, sigla para profilaxia pré-exposição, é uma estratégia de prevenção para pessoas que não vivem com HIV, mas podem estar expostas ao vírus.

Atualmente, o SUS oferece a PrEP oral, com medicamentos que precisam ser tomados regularmente. O cabotegravir muda essa rotina porque permite que a prevenção seja feita com aplicações a cada dois meses, substituindo os comprimidos diários.

A tecnologia foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023.

Em julho, durante a Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o governo havia chegado a um acordo com o fabricante do cabotegravir sobre um preço considerado adequado para a compra do medicamento.

Após a declaração, o Ministério da Saúde enviou à Conitec, em agosto, uma proposta para avaliar a inclusão do medicamento na rede pública.

O ImPrEP CAB Brasil é um estudo de implementação, necessário para produzir evidências que são exigidas para a avaliação de tecnologias em saúde, e passa pelos trâmites formais da Comissão.

Entre as etapas de avaliação para a implementação no SUS, a Conitec precisa analisar as evidências científicas, os custos e o impacto da incorporação antes de apresentar uma recomendação ao Ministério da Saúde.

O ImPrEP CAB Brasil poderá servir de subsídio para essa avaliação para a futura incorporação da nova modalidade de prevenção no SUS.

Após o envio à Conitec, foi aberta uma consulta pública, que terminou no fim de agosto. As reuniões da Comissão são mensais, portanto, a expectativa é que o assunto entre em pauta em outubro, conforme apurou a reportagem junto ao Ministério da Saúde.

A PrEP oral continua sendo oferecida gratuitamente pelo SUS. A estratégia utiliza medicamentos antirretrovirais para impedir que o HIV estabeleça uma infecção caso a pessoa seja exposta ao vírus.

A PrEP não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis e deve ser utilizada dentro de uma estratégia combinada de prevenção, que também pode incluir preservativos, testagem regular para HIV e outras ISTs e acompanhamento de saúde.

O estudo brasileiro avaliou especificamente a implementação do cabotegravir no sistema público. Segundo os pesquisadores, os resultados fornecem evidências sobre a possibilidade de incorporar a tecnologia à rotina dos serviços de saúde brasileiros.

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