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Wednesday, September 9, 2026

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Por que biomédica e esteticista rés pela morte de fotógrafa vão a júri | G1

Vanuza Aguilar Takata e Isabela Dourado Fernandes serão julgadas por homicídio com dolo eventual. Roberta Correa morreu em outubro de 2023 ao receber anestesia.

· 777 words

A Justiça elencou três pontos para determinar que a biomédica e a esteticista acusadas pela morte da fotógrafa Roberta Correa, após um procedimento estético em Cosmópolis (SP), em outubro de 2023, sejam julgadas pelo Tribunal do Júri . Um dentista que também era réu não deve ir a julgamento.

Roberta passou mal depois de receber anestesia para a realização do procedimento conhecido como endolaser e não resistiu ( veja abaixo detalhes ).

A biomédica Vanuza Aguilar Takata e a esteticista Isabela Dourado Fernandes serão julgadas por homicídio com dolo eventual, qualificado por meio cruel . Isabela também irá responder pelo crime de falsidade ideológica por causa da possibilidade de ela ter se passado por biomédica.

A juíza Mayara Maria Oliveira Resende destacou as dúvidas sobre a aplicação do anestésico na vítima e como foi a prestação de socorros para justificar a decisão. Veja os três pontos principais:

Imprecisão quanto à quantidade e tipo de anestésico aplicado em Roberta;

Despreparo de Vanuza e Isabela para manejo do anestésico e falta de estrutura e conhecimentos para lidar com eventos previsíveis após a aplicação;

Controvérsia sobre o momento para prestação dos socorros.

Tanto Vanuza quanto Isabela, no entanto, responderão em liberdade .

Em relação ao dentista Heliton José Oliveira , apontado pelo Ministério Público (MP) como quem forneceu o anestésico às profissionais , a juíza apontou falta de indícios suficientes de participação no crime .

A constatação é de que não há provas de que o fornecimento não poderia ocorrer nem que o anestésico adquirido com intermediação do dentista tenha sido o mesmo usado em Roberta. Por isso, a magistrada determinou que ele não seja levado a júri.

"Não há, todavia, prova objetiva de que os anestésicos comprados por Vanuza com a intermediação de Heliton tenham sido exatamente aqueles utilizados no procedimento estético de Roberta. [...] A acusação não logrou êxito em demonstrar, de modo objetivo, que Heliton teria vendido anestésicos a pessoa inabilitada ao uso deles", pontuou.

Fotógrafa Roberta Correa morreu depois de dar entrada em uma clínica de Cosmópolis para fazer procedimento estético — Foto: Arquivo pessoal

Na decisão, a Justiça também manteve as medidas cautelares que suspendem o exercício profissional de Vanuza e Isabela, proíbem elas de se ausentarem do país e retêm os passaportes de ambas.

Além disso, foi concedido um prazo de cinco dias para Vanuza comprovar a entrega da carteira profissional ao cartório ou ao Conselho Regional de Biomedicina.

Vanuza chega para prestar depoimento à Polícia Civil em Cosmópolis — Foto: Gustavo Biano/ EPTV

O advogado João Paulo Sangion, que defende Vanuza, disse que recebeu com surpresa a decisão e que a Justiça não considerou a prova efetivamente produzida pela defesa, no sentido de que as condutas praticadas pela biomédica foram executadas dentro das normas técnicas exigidas, e não contribuíram para a morte.

A defesa também citou que a biomédica prestou o socorro imediato à vítima, acionando o serviço de emergência local imediatamente. Com isso, o advogado afirmou que irá recorrer.

"O procedimento executado por Vanuza não contribuiu para o resultado, nem tampouco Vanuza assumiu o risco de produzi-lo, pelo que a decisão de pronúncia é equivocada, principalmente na forma qualificada, o que entendemos como uma conclusão juridicamente teratológica. A defesa vai recorrer à segunda instância com o objetivo de reverter totalmente a decisão de pronúncia."

O g1 também entrou em contato com a defesa de Isabela e Heliton, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Clínica onde Roberta Correa foi atendida fica no Spazio Di Bellezza Estevam, em Cosmópolis — Foto: Reprodução/EPTV

Roberta Correa procurou clínica para fazer um endolaser, técnica para remover gordura localizada, mas passou mal e morreu.

Uma prima da vítima disse que, depois da anestesia, Roberta começou a sentir um calafrio, desmaiou e teve uma parada cardíaca .

Ela foi socorrida e levada para a Santa Casa da cidade, onde foi constatado que tinha tido ocorrido uma parada cardíaca. Cinco dias depois, teve morte cerebral.

Roberta era fotógrafa, trabalhava com comunicação e produção musical. Era conhecida na cidade e deixa dois filhos e o marido .

A clínica fica a cerca de 350 metros da Santa Casa de Misericórdia de Cosmópolis e a família diz que a biomédica demorou para pedir o resgate .

A responsável pelo imóvel onde ocorreu atendimento afirma que aluga ele para profissionais de beleza, incluindo a clínica, e que cada um é responsável por sua prestação de serviço.

O Ministério Público afirmou que faltou assistência adequada à vítima.

O MP ainda explicou que não ficou esclarecido qual anestésico foi utilizado.

Fotógrafa Roberta Correa morreu depois de dar entrada em uma clínica de Cosmópolis para fazer procedimento estético — Foto: Redes Sociais

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