Chacina do DF: os detalhes do plano para matar 10 da mesma família | G1
Os crimes foram praticados entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 e ficaram conhecidos como a maior chacina da história da capital federal. Série do g1 e do GloboPop relembra detalhes deste crime que abalou o país.
No início de 2023, o desaparecimento da cabeleireira Elizamar Silva e dos três filhos pequenos foi o estopim para o início de uma investigação de uma série de crimes que ficaria conhecida como a maior chacina do DF.
À época, a Polícia Civil do DF investigou o homicídio de 10 pessoas da mesma família e concluiu que os crimes foram motivados pela posse de terras em que parte da família morava, avaliadas em R$ 2 milhões.
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Elizamar da Silva e os três filhos desapareceram no Distrito Federal em 2023 — Foto: TV Globo/ Reprodução
No dia 12 de janeiro de 2023, Elizamar Silva, de 39 anos, desapareceu com os três filhos pequenos após sair de Santa Maria, no Distrito Federal, para supostamente encontrar o marido, Thiago Gabriel Belchior, que estava desaparecido desde o dia anterior.
No dia seguinte, o veículo da cabeleireira foi encontrado com os quatro corpos queimados dentro, perto de Cristalina (GO), no Entorno do DF.
Três dias depois, familiares de Elizamar reportaram o desaparecimento de mais três pessoas da família: o pai de Thiago, Marcos Antônio Lopes de Oliveira; a mãe dele, Renata Juliene Belchior, e sua irmã e filha do casal, Gabriela Belchior.
O carro de Marcos Antônio, sogro de Elizamar, foi encontrado carbonizado com dois corpos dentro, no fim de semana do desaparecimento da família. Posteriormente, as investigações confirmaram que os corpos eram de Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior.
Além da família de Elizamar, a polícia também registrou o sumiço de Claudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex mulher e filha de Marcos Antônio, respectivamente.
Dez pessoas da mesma família foram assassinadas no Distrito Federal — Foto: Arte g1/ Reprodução
Segundo os investigadores, ainda em 2022, Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Canhedo e um adolescente se juntaram para planejar os crimes.
Em dezembro do mesmo ano, os criminosos sequestraram Marcos Antônio, a filha Gabriela e a esposa Renata, e os levaram para um cativeiro em Planaltina. O sogro de Elizamar foi morto e esquartejado no local, enquanto Renata e Gabriela foram mantidas reféns.
No início de janeiro de 2023, Cláudia Regina Marques de Oliveira, ex-mulher de Marcos Antonio, e a filha, Ana Beatriz Marques de Oliveira, foram rendidas em casa e levadas para o mesmo cativeiro de Renata e Gabriela.
Em 12 de janeiro, Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar e filho de Marcos e Renata, foi atraído até a chácara do pai após mensagens enviadas pelos criminosos.
No dia seguinte, usando o celular de Thiago, os criminosos atraíram Elizamar até a mesma chácara. Ela e os três filhos foram mortos estrangulados por Gideon e Horácio e o carro com os corpos foi incendiado.
O corpo de Marcos Antônio foi encontrado enterrado e esquartejado perto da casa usada como cativeiro pelos criminosos, em Planaltina.
No dia 17 de janeiro, foram encontrados os três últimos corpos, que foram identificados como Thiago Belchior, Claudia Regina Marques e Ana Beatriz Marques.
De acordo com a investigação, os criminosos tinham como objetivo tomar a posse da chácara de 5,2 hectares, avaliada em R$ 2 milhões, na região do Paranoá, que pertencia a Marcos Antônio Lopes de Oliveira, sogro de Elizamar.
Por morarem no imóvel, Gideon e Horácio acreditavam que, sem herdeiros, eles poderiam assumir a posse das terras e vendê-las posteriormente.
Em 2023, a Polícia Civil afirmou que as dez pessoas, inclusive as três crianças, foram mortas para que não houvesse herdeiros para o terreno.
Réus pela maior chacina do DF durante julgamento — Foto: Ana Lídia Araújo/g1
Entre os crimes apontados na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina estavam: homicídios qualificados, extorsão, roubo, sequestro, constrangimento ilegal, fraude processual, corrupção de menores, ocultação e destruição de cadáver.
As penas foram definidas individualmente, de acordo com a participação de cada acusado nos crimes.
Gideon Batista de Menezes: apontado pelo MP do DF como líder do grupo, foi condenado por todos os crimes, incluindo homicídios, extorsão mediante sequestro, ocultação de cadáver, roubo, corrupção de menores, associação criminosa e outros. A pena total foi de 397 anos, 8 meses e 4 dias de reclusão, além de 1 ano e 5 meses de detenção e 716 dias-multa.
Horácio Carlos Ferreira Barbosa: também condenado por todos os crimes atribuídos na denúncia, teve a pena fixada em 300 anos, 6 meses e 2 dias de reclusão, além de 1 ano de detenção e 407 dias-multa.
Carlomam dos Santos Nogueira: condenado pela maior parte dos crimes, a pena total foi de 351 anos, 1 mês e 4 dias de reclusão, além de 11 meses de detenção e 716 dias-multa.
Fabrício Silva Canhedo: condenado por crimes como extorsão mediante sequestro, associação criminosa e outros ligados à manutenção do cativeiro, mas não foi responsabilizado diretamente pelas mortes. A pena total foi de 202 anos, 6 meses e 28 dias de reclusão, além de 1 ano de detenção e 487 dias-multa.
Carlos Henrique Alves da Silva: condenado apenas por um dos crimes, relacionado ao sequestro, e absolvido da acusação de homicídio. A pena foi de 2 anos de reclusão, mas como já estava preso há mais tempo do que a pena fixada, Carlos Henrique foi colocado em liberdade após os trâmites da Justiça.
Cinco homens foram condenados pela chacina da família do DF — Foto: Arte g1/ Reprodução
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