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Tuesday, September 22, 2026

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Diabo e 'bomba': as polêmicas que marcaram a Assembleia Geral da ONU | G1

Discursos de líderes na reunião anual da ONU já tiveram ameaças, teorias da conspiração e objetos jogados no chão. Debate Geral deste ano começa nesta terça-feira (22).

· 925 words

“O diabo esteve aqui. Sinto cheiro de enxofre”.

A frase, dita pelo então presidente da Venezuela, Hugo Chávez , é uma das mais polêmicas e conhecidas da história do Debate Geral da Assembleia Geral da ONU . O evento reúne líderes dos 193 países membros das Nações Unidas. A edição deste ano começa nesta terça-feira (22), em Nova York.

Assim como no ano passado, o Debate de 2026 acontece em meio a guerras, crises humanitárias, mudanças climáticas e tensões entre grandes potências.

O tema escolhido para a sessão deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

Ao longo das décadas, conflitos, rivalidades geopolíticas e disputas entre países provocaram momentos inusitados, constrangedores e até históricos nos discursos da Assembleia Geral.

Hugo Chávez durante Assembleia Geral da ONU — Foto: UN Photo/Erin Siegal

O ano era 2006, e Estados Unidos e Venezuela viviam um dos momentos mais tensos nas relações entre os dois países, então comandados por George W. Bush e Hugo Chávez. Chávez acusava Bush de ter apoiado a tentativa de golpe de Estado frustrada na Venezuela, em 2002.

O presidente venezuelano discursou na Assembleia Geral um dia depois do norte-americano.

“Ontem, o diabo esteve aqui”, disse Chávez logo na abertura do discurso.

Na sequência, fez o sinal da cruz e completou: “neste mesmo lugar, ainda cheira a enxofre”.

Nikita Khrushchev discursa na ONU em 1960 — Foto: UN Photo/Yutaka Nagata

Outro episódio famoso aconteceu quatro décadas antes, em 1960, durante um dos períodos mais tensos da Guerra Fria. Naquele ano, o então líder soviético Nikita Khrushchev participava de uma sessão da Assembleia Geral quando o representante das Filipinas criticou a política soviética.

A história ficou ainda mais famosa porque, segundo relatos da época, Khrushchev teria reagido tirando um sapato e batido com ele sobre a mesa. Não há registro em vídeo do momento, e própria ONU trata o episódio como uma história cercada de dúvidas.

Oficialmente, o que se sabe é que Khrushchev de fato bateu na mesa durante a sessão e depois subiu à tribuna para fazer um longo discurso em resposta ao representante filipino. Anos depois, em um livro com memórias, o ex-líder soviético assumiu a responsabilidade pelo gesto.

Fidel Castro na ONU na década de 1970 — Foto: UN Photo/Saw Lwin

Já conhecido por pronunciamentos intermináveis, o então líder cubano, Fidel Castro, abriu o discurso na Assembleia Geral da ONU em 1960 garantindo que, apesar da fama, não demoraria.

A promessa não foi cumprida: ele falou por mais de quatro horas e meia. O discurso ficou marcado como o mais longo da história da Assembleia Geral.

Atualmente, as falas não costumam passar de uma hora e meia de duração, nos casos mais longos. Há uma orientação para que os chefes de Estado falem por apenas 15 minutos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , entrou para história logo no primeiro discurso dele como chefe de Estado na ONU, em 2017. Naquele ano, ele não economizou as tradicionais falas polêmicas na tribuna.

Em tom agressivo e ameaçador, Trump disse que, se não tivesse escolhe, "destruiria completamente" a Coreia do Norte. O presidente também chamou o líder norte-coreano, Kim Jong-un , de "homem-foguete".

"Os Estados Unidos têm grande força e paciência, mas se forem forçados a defender a si ou a seus aliados, não teremos outra escolha além de destruir totalmente a Coreia do Norte", disse.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra 'gráfico' para ilustrar o risco de um Irã nuclear, em discurso nesta quinta-feira (27) na Assembleia Geral da ONU — Foto: Reuters

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu , também protagonizou um dos momentos mais marcantes da Assembleia da ONU. Em 2012, ele levou para o discurso um cartaz com a réplica de uma bomba.

A ideia era defender a tese de que o Irã estava muito próximo de desenvolver uma bomba nuclear. Treze anos depois, os dois países entraram em guerra pelo mesmo motivo.

No entanto, à época, o alerta acabou virando motivo de piada justamente pelo fato de Netanyahu ter apresentado um cartaz simples com um gráfico no formato de uma bomba.

Khadafi na ONU em 2009 — Foto: UN Photo/Marco Castro

Em 2009, o então líder da Líbia, Muammar Kadhafi , usou o discurso na Assembleia Geral da ONU para criticar a própria organização.

Kadhafi, que comandou a Líbia por 42 anos, passou boa parte dos 100 minutos do discurso atacando o Conselho de Segurança da ONU, órgão no qual o país ocupava um assento temporário naquele momento.

No meio da fala, ele pegou uma cópia da Carta das Nações Unidas, documento que criou a organização, e jogou o papel no chão, por trás do ombro.

Delegação americana deixa a assembleia antes do discurso de Mahmud Ahmadinejad em 2010 na sede da ONU, em Nova York — Foto: AFP

Mahmud Ahmadinejad, então presidente do Irã e que ameaçava constantemente o Ocidente com armas nucleares, protagonizou a maior polêmica da sessão da Assembleia Geral em 2010.

Ahmadinejad umae o atentado contra as torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, foi na verdade, causado por um complô dos Estados Unidos .

O ex-presidente iraniano deu voz a uma teoria da conspiração de que o Pentágono estava por trás dos ataques, reivindicados pelo grupo terrorista Al-Qaeda.

Como reação, delegações inteiras de diversos países, como a do Reino Unido, da União Europeia, além, é claro, dos Estados Unidos, abandonaram a sessão durante o discurso.

Os Estados Unidos qualificaram as palavras de Ahmadinejad de "detestáveis e delirantes".

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