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Urna eletrônica: a história da criação do sistema de votação | G1

Ideia surgiu em uma conversa entre o então presidente do TSE e um técnico de informática; projeto reuniu engenheiros e pesquisadores de instituições de São José dos Campos e deu origem à urna usada nas eleições brasileiras.

· 834 words

O ano era 1995. Em Brasília, uma conversa durante uma partida de tênis ajudou a dar início a uma das maiores transformações das eleições brasileiras.

O então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Velloso, conversava com o técnico em informática Paulo Camarão sobre a possibilidade de informatizar a votação no país.

A ideia rapidamente deixou a quadra e foi parar no TSE. Para transformar o projeto em realidade, a Justiça Eleitoral reuniu especialistas de diferentes áreas. Entre eles, um grupo de engenheiros e técnicos que ficou conhecido como os “ninjas”.

A equipe ficou responsável por transformar as ideias iniciais em um projeto de hardware e software e estabelecer os requisitos para a nova máquina. Em dezembro de 1995, o TSE publicou o edital para a produção dos equipamentos e, em março de 1996, a empresa brasileira Unisys venceu a licitação.

Poucos meses depois, a urna eletrônica estreou nas eleições municipais de 1996 . Cerca de 30% do eleitorado votou pelo novo sistema naquele primeiro pleito. A implantação foi ampliada gradualmente e, hoje, a tecnologia é utilizada em todos os municípios brasileiros.

O grupo de "ninjas" era coordenado por Paulo Camarão e reunia profissionais como Paulo Nakaya, Mauro Hashioka, Antônio Ésio Salgado, o “Toné”, Oswaldo Catsumi e Giuseppe Janino.

Também participaram representantes de instituições e órgãos ligados à tecnologia e à defesa, entre eles o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Parte dessa história passa por São José dos Campos , onde estavam instituições como o Inpe, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o então Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e o Instituto de Estudos Avançados (IEAv).

Segundo o TRE-SP, o grupo técnico se reunia duas vezes por semana, no TSE ou no próprio TRE-SP, para apresentar os trabalhos e trocar conhecimentos sobre o projeto.

Foto 1: Urna usada em 1996. Foto 2: Ministro Carlos Velloso testa urna. Foto 3: Comissão técnica que ficou conhecida como 'os ninjas' — Foto: TRE/SP/Arquivo

A mudança proposta pelo TSE tinha dois grandes objetivos: reduzir problemas e possibilidades de fraude relacionados à votação e à apuração manual e acelerar a divulgação dos resultados.

Antes da urna eletrônica, os eleitores votavam em cédulas de papel. Depois do encerramento da votação, os votos precisavam ser contados manualmente. O processo podia levar dias e envolvia uma grande operação de conferência e contabilização dos votos.

Com a urna eletrônica, o registro dos votos passou a ser feito digitalmente e a apuração pôde ser concluída em poucas horas depois do fechamento das seções eleitorais.

Para o cientista político José Maurício Cardoso do Rego, a mudança também ajudou a reduzir mecanismos tradicionais de fraude ligados à contagem manual. “Com a implantação das urnas eletrônicas, há uma inibição clara desse processo de fraude”, afirmou.

Urna eletrônica usada nas eleições municipais no ano de 1996. — Foto: TRE-SP

A primeira versão, a UE96, tinha apenas 2 megabytes de memória e utilizava disquetes para armazenamento e transferência de dados. Nas eleições de 1996, cerca de 30% do eleitorado votou eletronicamente.

A implantação foi ampliada gradualmente e hoje a urna é utilizada em todos os municípios brasileiros.

Em 30 anos, o equipamento passou por diversas atualizações. Atualmente, conta com mecanismos como assinaturas digitais, criptografia e sistemas de verificação desenvolvidos pela Justiça Eleitoral.

O TSE também realiza o Teste Público de Segurança (TPS), no qual especialistas são convidados a tentar identificar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais.

Infográfico: Veja a cronologia da urna eletrônica no Brasil — Foto: Arte/g1

Da tecnologia dos anos 1990 aos equipamentos atuais

Em três décadas, a urna eletrônica passou por diversas mudanças. Os equipamentos atuais contam com recursos de segurança que não existiam nos primeiros modelos, incluindo assinaturas digitais, criptografia e mecanismos próprios de verificação desenvolvidos pela Justiça Eleitoral.

A segurança também é submetida a testes antes das eleições. O Tribunal Superior Eleitoral realiza periodicamente o Teste Público de Segurança (TPS), que reúne especialistas para tentar identificar vulnerabilidades nos sistemas e equipamentos utilizados no processo eleitoral.

A lógica é colocar os mecanismos de proteção à prova antes que eles sejam utilizados pelos eleitores. Segundo os profissionais que participaram da criação da urna, a preocupação com a segurança já existia desde os primeiros protótipos.

A participação de São José dos Campos nessa história está ligada ao próprio perfil tecnológico da cidade. Instituições como Inpe, ITA, CTA e IEAv concentravam pesquisadores e engenheiros envolvidos em projetos de alta complexidade.

Esse conhecimento acabou sendo incorporado ao desenvolvimento da urna eletrônica, em uma colaboração entre diferentes áreas e instituições. A história da urna, portanto, também é parte da história tecnológica do Vale do Paraíba.

Em 2026, a urna eletrônica completa três décadas de uso oficial no Brasil. Nesse período, a tecnologia deixou de ser uma novidade e passou a fazer parte da rotina das eleições brasileiras.

A experiência brasileira também ultrapassou as fronteiras do país. Segundo dados citados pelos pesquisadores envolvidos no projeto, ao menos 33 países já utilizaram algum modelo de votação eletrônica inspirado ou relacionado à experiência brasileira.

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Sunday, October 4, 2026

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