Alunos do Acre conquistam bronze na Olimpíada de História do Brasil | G1
Equipe formada por uma professora e três estudantes de 16 anos do Ifac chegou a final da Olimpíada da Unicamp, em São Paulo. Competição teve como tema as mulheres na ciência.
🥉 Estudantes do 2º ano do ensino médio do Instituto Federal do Acre (Ifac) de Tarauacá , no interior do Acre, conquistaram medalha de bronze na final da 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) , promovida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). ( Assista ao vídeo acima )
A equipe , formada por Leandro Gustavo Oliveira Silva, Pietro Pereira Gomes e Semilly Suzan Bezerra Pereira, todos de 16 anos, chegou à etapa presencial após conquistar a medalha de ouro na fase estadual.
📚 Com o tema ‘Mulheres na Ciência, Mulheres Cientistas no Brasil’, a edição deste ano teve mais de 64 mil equipes inscritas . Segundo a professora de História Nadja Silva, orientadora da equipe do Ifac, apenas 353 chegaram à final . A competição ocorreu entre os dias 29 e 30 de agosto, em Campinas, no estado de São Paulo.
A professora contou ao g1 que, durante cinco fases, os estudantes tiveram que pesquisar documentos, imagens e textos para responder às questões e relacionar diferentes períodos históricos com o presente.
A competição começou com 26 equipes sob orientação dela no campus do Ifac em Tarauacá. Ao longo das fases, esse número diminuiu até chegar a três equipes na quinta etapa.
A equipe Ampulhetas do Passado CTA conquistou o ouro estadual e garantiu a vaga para a etapa presencial em Campinas. Já as equipes Amazonas Acreanas e Acrisas - CTA ficaram com medalhas de prata no estado. Para a professora, no entanto, a experiência vai além da disputa por medalhas.
“Quando nós chegamos lá na final, não é uma competição. É mais que isso, é uma celebração do conhecimento . É muito lindo de ver, é muito mágico ver o quanto um comemora pelo ganho do outro, é emocionante ver como um torce pelo outro”, afirmou.
Estudantes acreanos conquistam medalha em final de competição nacional de História do Brasil — Foto: Arquivo pessoal
A chegada da equipe à final nacional também teve um significado especial para a professora por representar a primeira vez que a cidade de Tarauacá foi levada pelos estudantes até a Unicamp.
“Conhecendo a região Norte, como bem sabemos, existe uma complexidade no interior de cada estado. Então levar o nome da cidade pela primeira vez para a Universidade Estadual de Campinas, levar o conhecimento da História e levar o nome de Tarauacá para esse espaço, eu não tenho palavras que sejam capazes de descrever o sentimento”, detalhou.
🍍 O município de Tarauacá é conhecido com a 'terra do abacaxi gigante'. Para ilustrar o título, a professora decidiu levar um abacaxi com mais de nove quilos.
“Eu levei o abacaxi porque estávamos vivendo o período da Expo[Tarauacá] e eu levei um abacaxi de 9,910 kg para a Unicamp. Ficou na mesa o tempo todo exposto. Foi a nossa culinária peculiar”, relatou.
Conforme a professora, o Acre e o Pará foram os únicos estados da região Norte a conquistar medalhas nesta edição das Olimpíadas de História.
Estudantes de Tarauacá conquistaram medalha de bronze na final da 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil — Foto: Arquivo pessoal
“O Pará ganhou ouro, porém é uma instituição privada. E, nesse sentido, nós somos bronze no Acre, de toda a região norte, mas com muito orgulho, porque somos um bronze sabor ouro . Fomos a única instituição pública a conquistar medalha [...] isso também reforça a ideia de valorizar instituições públicas de ensino, de qualidade nos interiores, de toda a região Norte”, afirmou.
Nadja detalha ainda que a intenção é continuar a participar das próximas edições da competição , além de buscar novos resultados, mas sem deixar de lado o principal objetivo da experiência.
“Para o próximo ano, vamos dar o máximo para conquistar mais medalhas e, o que mais importa, participar dessa festa do conhecimento, porque não é uma competição, é uma celebração do conhecimento. É maravilhoso estar naquele lugar e ver os alunos celebrando uns pelos outros, e também o desenvolvimento ao longo da competição, o quanto eles aprenderam, cresceram”, disse.
Equipe do Ifac, formada por três alunos de 16 anos, garantiu a vaga após ganhar a medalha de ouro na etapa estadual da competição — Foto: Arquivo pessoal
De acordo com Pietro Pereira Gomes, representante da equipe acreana que venceu o bronze na competição, os estudantes enfrentaram uma longa viagem até Campinas.
Segundo ele, o planejamento previa o deslocamento de Tarauacá para Rio Branco de carro, seguido de voos da capital acreana para Brasília , e de Brasília para Campinas. Porém, o último voo foi cancelado.
“Deu um transtorno enorme. Tivemos que pegar um voo para um outro aeroporto e, de lá, ir para Campinas de carro . A previsão era chegar meio-dia, no final, chegamos às 23h, mas deu tudo certo”, contou.
O estudante relata ainda que, no dia seguinte, após cerca de seis horas de sono, a equipe participou da prova final. A etapa foi composta por duas questões discursivas sobre mulheres na ciência. “Ficamos contentes com o resultado, embora estivéssemos literalmente caindo de sono na sala, ainda conseguimos fazer uma boa prova”, relatou o estudante.
Foi a 1ª vez que Tarauacá chegou à final da Olimpíada Nacional em História do Brasil — Foto: Arquivo pessoal
Conforme Pietro, umas das questões exigia que os participantes relacionassem cinco documentos em uma dissertação sobre o papel das mulheres. Já a outra abordava os conceitos de 'Teto de Vidro' e ‘Labirinto de Cristal’ e pedia que os estudantes relacionassem uma mulher apresentada em fases anteriores a um dos conceitos.
A cerimônia de premiação, segundo ele, ocorreu no dia seguinte à prova. Os nomes eram anunciados seguindo uma ordem: primeiro o estado, depois a cidade e, por último, o nome da equipe.
“Quando falaram ‘Acre’, já estávamos comemorando, já que haviam apenas três equipes no Acre. E, mesmo que não fossemos nós, ainda é uma conquista nossa, uma conquista do Acre. Em seguida, em meio a comemorações adiantadas, falaram o nome da cidade, ‘Tarauacá’. Quando terminaram de falar, nem precisávamos mais esperar o nome da equipe”, relatou.
Para Pietro, a experiência compensou o esforço da equipe durante as etapas anteriores.
“Cada segundo de viagem valeu a pena, cada hora dedicada à resolução das fases anteriores valeu a pena. Nós conseguimos”, afirmou.
Equipe formada por Leandro Gustavo Oliveira Silva, Pietro Pereira Gomes e Semilly Suzan Bezerra Pereira, todos de 16 anos e alunos do 2º ano do ensino médio no Ifac, chegou à etapa final em Campinas — Foto: Arquivo Pessoal
Além da equipe que chegou à final nacional, o campus do Ifac de Tarauacá também teve destaque com a equipe Acrisas , formada pelas estudantes Anna Isabelle de Oliveira Alves, de 16 anos, e outras duas integrantes. O trio conquistou a medalha de prata na etapa estadual da competição.
A estudante relata que a competição exigiu mais do que a memorização de conteúdos. As equipes precisavam analisar textos, imagens e documentos e discutir coletivamente as alternativas.
“As questões vêm acompanhadas de textos, imagens e outros documentos, e a própria organização disponibiliza as referências utilizadas. Então nós podíamos pesquisar mais profundamente sobre cada assunto, analisar as fontes e discutir entre nós para chegar às respostas”, explicou.
Na última fase, as alunas precisaram elaborar uma redação a partir de materiais disponibilizados durante a olimpíada. Para Anna, a experiência foi satisfatória.
“Foi muito divertido e, ao mesmo tempo, um pouco desafiador, principalmente porque precisávamos conciliar a olimpíada com as outras atividades e trabalhos do Ifac, inclusive trabalhos técnicos”, destacou.
A conquista da prata, segundo ela, foi uma surpresa e serviu como reconhecimento pelo esforço do trio. Mesmo sem viajar para a final nacional em Campinas (SP), a estudante afirma que a equipe acompanhou a trajetória dos colegas do Ifac e comemorou a medalha conquistada.
“É uma forma de mostrar que existem alunos no Acre com muito potencial, que conseguem chegar longe em competições nacionais e que têm um futuro brilhante pela frente”, declarou.
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